Moda
Novas normas da ABNT podem transformar o setor têxtil e afetar o que chega às lojas

Quando falamos de tendências, pensamos em cores da estação, tecidos leves ou modelagens que valorizam o corpo. Porém, antes de qualquer peça chegar às vitrines, existe um universo técnico que define padrões de qualidade, segurança e desempenho. E é exatamente nesse bastidor que a ABNT está atuando ao longo de fevereiro de 2026, promovendo uma série de encontros para revisar e atualizar normas que impactam diretamente o setor têxtil e de confecção no Brasil.
As reuniões envolvem os Comitês Brasileiros de Têxteis e Vestuário (CB-17), Segurança contra Incêndio (CB-24) e Equipamentos de Proteção Individual (CB-32), reunindo especialistas para discutir desde vestimentas de proteção até acabamentos têxteis com propriedades antivirais. Embora o tema pareça técnico à primeira vista, as decisões tomadas ali refletem diretamente na qualidade das roupas que usamos no dia a dia.
Roupas mais seguras: proteção térmica e elétrica em foco
A agenda começou com um tema que pode soar distante da moda tradicional, mas que é fundamental para a indústria: a revisão da ABNT NBR 16623, norma que trata da proteção contra calor e chamas provenientes de fogo repentino. A atualização inclui novas tabelas de requisitos para tecidos, aviamentos e acessórios, elevando o padrão de desempenho exigido para vestimentas de proteção.
Além disso, iniciou-se a discussão sobre riscos elétricos aplicados às roupas utilizadas em trabalhos com energia, a partir do projeto da ABNT NBR IEC 60984. Ainda que voltadas principalmente ao segmento profissional, essas normas influenciam o desenvolvimento tecnológico de tecidos que, posteriormente, podem chegar à moda comercial em versões mais leves e adaptadas ao uso cotidiano.
Reação ao fogo e durabilidade dos tecidos
Outro ponto relevante em debate envolve a reação ao fogo de materiais têxteis, tema analisado no âmbito do CB-24. A revisão da ABNT NBR 16626 busca avaliar a durabilidade de tratamentos retardantes de chamas em produtos têxteis acabados. Em outras palavras, discute-se por quanto tempo o tecido mantém sua proteção após lavagens e uso contínuo.
Essa discussão é especialmente importante para ambientes coletivos, como hotéis, hospitais e escolas, onde a segurança dos materiais é uma prioridade. Assim, a atualização das normas reforça o compromisso com a proteção dos consumidores e a responsabilidade das marcas.
Solidez da cor e acabamentos funcionais
Quem nunca comprou uma peça vibrante e, após algumas lavagens, percebeu a perda de intensidade? A solidez da cor também está entre os temas debatidos. O CB-17 promove a revisão da tradução da ABNT NBR ISO 105-D02, norma que estabelece critérios para avaliar a resistência das cores em diferentes condições.
Além disso, há discussões sobre acabamentos bacteriológicos e antivirais, com base na norma ISO 18184:2025, que trata da atividade antiviral em produtos têxteis. Em um cenário pós-pandemia, a busca por tecidos com propriedades funcionais cresceu consideravelmente, e a normalização técnica ajuda a evitar promessas infundadas no mercado.
Sustentabilidade e matéria-prima reciclada
A programação também contempla normas relacionadas ao uso de matéria-prima reciclada na indústria têxtil. A discussão sobre critérios técnicos para reaproveitamento de fibras e tecidos reforça a tendência da moda sustentável, que deixou de ser nicho e passou a ser exigência do consumidor.
Aliás, a atualização de normas nesse campo é estratégica. Com regras claras, empresas conseguem investir em inovação sem comprometer desempenho ou segurança, enquanto o consumidor ganha transparência sobre aquilo que está adquirindo.
Medidas do vestuário infantil e feminino entram na pauta
Encerrando o mês, a ABNT analisa contribuições recebidas em consulta pública sobre normas de medidas do vestuário infantil e juvenil. Também terá início a revisão de referenciais de medidas para a vestibilidade feminina, um tema que conversa diretamente com a realidade das consumidoras brasileiras.
A padronização de medidas é um desafio histórico no setor. Ajustes técnicos podem significar menos frustração nas compras, especialmente no comércio online, onde a precisão das tabelas é decisiva para reduzir trocas e devoluções.
Por que essas normas impactam o seu guarda-roupa?
Embora as discussões ocorram em ambiente técnico, os reflexos são amplos. A atualização das normas fortalece pilares como segurança, qualidade, padronização e desempenho dos produtos têxteis. Dessa forma, a indústria ganha diretrizes mais modernas e o consumidor recebe peças mais confiáveis, duráveis e alinhadas às demandas atuais.
Além disso, o movimento evidencia que a moda não vive apenas de estética. Por trás de cada coleção existe uma base técnica que sustenta inovação, sustentabilidade e proteção. E, em fevereiro de 2026, essa base está sendo cuidadosamente revisada.
Para quem acompanha o universo fashion, entender essas mudanças é enxergar além da vitrine. Afinal, o que vestimos começa muito antes das passarelas — começa nas normas que garantem que cada peça cumpra seu papel com eficiência e responsabilidade.

Especialista em Moda e estilo pessoal, Clara é apaixonada por transformar o guarda-roupa de suas leitoras em uma expressão autêntica de sua personalidade. Formada em Design de Moda, Clara escreve com o intuito de trazer dicas acessíveis e práticas, que valorizam cada tipo de corpo e estilo. Suas matérias vão além das tendências: Clara acredita que a moda é uma forma de empoderamento e autoconhecimento, inspirando leitoras a se expressarem com confiança.




