Comportamento
Sono insuficiente de adolescentes pode afetar notas na escola, aponta estudo da UFPR

Dormir menos do que o recomendado não impacta apenas o humor ou a disposição: pode interferir diretamente no aprendizado e no desempenho escolar, segundo pesquisa realizada na Universidade Federal do Paraná
Dormir bem nunca foi tão desafiador para os adolescentes. Entre maratonas de séries, redes sociais, pressão escolar e rotinas intensas, o descanso acaba ficando em segundo plano. No entanto, um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Paraná (UFPR) acendeu um alerta importante: o sono insuficiente de adolescentes está associado a pior desempenho escolar. A descoberta reforça o que especialistas já apontam há anos — o descanso é parte essencial da saúde e do desenvolvimento cognitivo.
Quanto os adolescentes deveriam dormir?
A Academia Americana de Medicina do Sono recomenda que adolescentes entre 13 e 18 anos durmam de oito a dez horas por noite. Ainda assim, na prática, muitos ficam bem abaixo dessa meta. Alterações naturais do relógio biológico nessa fase da vida fazem com que eles sintam sono mais tarde, enquanto os horários escolares seguem exigindo acordar cedo. O resultado é uma rotina cronicamente desequilibrada.
Além disso, a exposição noturna a telas pode inibir a produção de melatonina, hormônio responsável por sinalizar ao corpo que é hora de descansar. A luz azul emitida por celulares e tablets engana o cérebro, prolongando o estado de alerta e atrasando o sono.
O que investigou o estudo da UFPR?
A pesquisa foi conduzida pela estudante de Medicina Gisele Alves de Souza, sob orientação da professora Beatriz Elizabeth Bagatin Veleda Bermudez, do Departamento de Medicina Integrada da UFPR. O trabalho analisou 61 prontuários de adolescentes entre 11 e 19 anos atendidos no ambulatório do Complexo Hospital de Clínicas da universidade, em Curitiba, entre abril e julho de 2025.
A proposta foi avaliar, de forma integrada, diferentes variáveis que podem influenciar o descanso. Foram observados fatores como idade, tempo de tela, índice de massa corporal, prática de atividade física, queixas relacionadas ao sono e desempenho escolar. Para isso, a pesquisadora utilizou ferramentas estatísticas como o Jamovi e recursos de programação em Python, aplicando testes de correlação para identificar possíveis relações entre os dados.
A ligação entre sono e rendimento escolar
Um dos resultados mais expressivos da análise foi a associação entre menor duração do sono e pior desempenho escolar. Adolescentes que relataram rendimento insatisfatório dormiam, em média, cerca de 50 minutos a menos por noite em comparação aos que apresentavam bom desempenho.
“Isso reforça como o sono e o aprendizado estão interligados”, afirma Gisele Alves de Souza. Segundo a pesquisadora, durante o sono ocorrem processos neurobiológicos fundamentais, como a consolidação da memória e a reorganização das conexões neurais. Dessa forma, dormir pouco pode comprometer atenção, memória de trabalho e capacidade de concentração.
Curiosamente, na amostra analisada, não foi identificada uma associação direta entre maior tempo de tela e redução do sono. No entanto, a pesquisadora ressalta que o tipo de conteúdo consumido e o horário de uso, especialmente à noite, podem ser fatores determinantes e merecem investigação mais aprofundada.
Sono insuficiente vai além das notas
Os impactos do sono insuficiente de adolescentes não se limitam ao boletim escolar. Problemas persistentes de descanso podem desencadear irritabilidade, alterações de humor, sonolência diurna e maior risco de acidentes. Além disso, o estudo aponta para possíveis repercussões metabólicas.
“Estudos mostram que adolescentes que dormem menos têm maior propensão ao sobrepeso e à obesidade”, explica Gisele. Segundo ela, a privação de sono pode alterar hormônios relacionados ao apetite, como a grelina, que estimula a fome, e a leptina, que promove a saciedade, além de aumentar a resistência à insulina.
A professora Beatriz Elizabeth Bagatin Veleda Bermudez reforça a relevância do tema para o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes. Para ela, compreender os hábitos de sono é essencial para formular estratégias de promoção da saúde nessa faixa etária.
O papel da família na qualidade do sono
Embora fatores biológicos influenciem o padrão de sono na adolescência, o ambiente doméstico também exerce grande impacto. Estabelecer rotinas regulares, definir horários fixos para dormir e acordar e limitar o uso de telas antes de deitar são medidas que podem fazer diferença significativa.
“Ter um horário fixo para se deitar, reduzir estímulos luminosos e sonoros à noite e encarar o sono como parte da saúde, assim como a alimentação e a atividade física, faz muita diferença”, orienta Gisele.
Ela também destaca que o exemplo dos pais é determinante. Quando os adultos valorizam o descanso e mantêm hábitos equilibrados, os adolescentes tendem a reproduzir esse comportamento. O sono, afinal, não é tempo perdido — é um investimento em saúde mental, desempenho escolar e bem-estar.
Próximos passos da pesquisa
A estudante pretende ampliar o estudo com amostras maiores e acompanhar adolescentes ao longo do tempo, em pesquisas longitudinais, para entender melhor as relações de causa e efeito. Afinal, uma pergunta permanece em aberto: o sono insuficiente leva ao baixo desempenho escolar ou as dificuldades acadêmicas contribuem para noites mal dormidas?
Enquanto novas respostas não chegam, uma certeza já se impõe. Dormir bem não é luxo, tampouco descuido juvenil. É uma necessidade biológica que impacta diretamente o presente — e o futuro — de uma geração inteira.
Fonte: Ciencia UFPR

Maira Morais, é Mãe, Makeup e influenciadora digital que se destaca no universo da beleza por sua criatividade e técnica refinada. No mercado a anos, decidiu compartilhar dicas de maquiagens, beleza, maternidade e demais inspirações para o universo das mulheres.


