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A nova cara da ciência é feminina — e a UEM prova isso com números impressionantes

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Quando você pensa em uma cientista, qual imagem vem à cabeça? Jaleco largo, cabelo preso e… um homem? Pois é. Esse estereótipo ainda ronda o imaginário coletivo, mas na Universidade Estadual de Maringá (UEM) ele simplesmente não se sustenta. Ali, quem ocupa salas de aula, laboratórios e grupos de pesquisa são, em sua maioria, mulheres. E não é pouca coisa.

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O movimento não é apenas simbólico. Ele aparece nos números, nas lideranças, nos projetos premiados e nas trajetórias pessoais que ajudam a reescrever o papel feminino dentro da ciência brasileira. Spoiler: não foi fácil chegar até aqui, mas o resultado está longe de ser tímido.

A virada feminina que a ciência estava devendo

Enquanto o mundo ainda discute a presença feminina nas áreas científicas — globalmente, mulheres representam cerca de um terço dos pesquisadores —, a UEM vive uma realidade bem mais ousada. Na graduação, elas já são maioria entre os matriculados. Na pós-graduação, então, o domínio é ainda mais evidente.

Os dados mostram que, tanto nos cursos de especialização quanto no mestrado e doutorado, as mulheres seguem à frente há anos. E isso começa antes mesmo da matrícula: nos vestibulares, elas também lideram o número de inscrições, com uma diferença que cresce a cada edição. Coincidência? Nada disso.

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Essa presença crescente dialoga diretamente com um movimento internacional que tenta desmontar a ideia de que ciência, tecnologia e inovação são territórios masculinos. A própria ONU instituiu o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência justamente para enfrentar essa desigualdade histórica. Na UEM, essa data faz ainda mais sentido.

Ser a única mulher da sala ainda acontece — mas já não define a história

Maria Luiza Moreira Dias Pereira sabe bem como é entrar em um espaço onde o olhar estranha antes de acolher. Estudante do quinto ano de Engenharia Mecânica, ela chegou a ser a única mulher da turma. O impacto inicial foi duro, mas não paralisante.

Segundo ela, o cenário vem mudando, ainda que de forma gradual. A presença feminina nos projetos cresce, o diálogo se amplia e o resultado aparece nos trabalhos desenvolvidos. Para Maria Luiza, mulheres trazem perspectivas diferentes para a pesquisa científica, algo que transforma o processo e o produto final. E será que ciência não é justamente sobre isso?

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Essa mudança fica ainda mais clara no projeto Adam AeroDesign, que ela coordena. Com cerca de 40 integrantes, o grupo se destaca pela forte participação feminina, inclusive em cargos de liderança. Capitãs, coordenadoras e líderes de equipe fazem parte da rotina de um projeto que representa a UEM em competições nacionais e prepara, agora, o aeromodelo de 2026.

Do agro à zootecnia: quando liderar também é resistir

Se hoje a presença feminina em áreas como Agronomia e Zootecnia cresce, nem sempre foi assim. A professora Paula Toshimi Matumoto Pintro viveu isso na pele. Durante a graduação, chegou a ser a única mulher da turma a partir de determinado momento. O preconceito era direto, especialmente nas atividades práticas.

Com mais de duas décadas de atuação como docente na UEM, Paula acompanha de perto essa virada. Hoje, coordena o Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, que alcançou recentemente o conceito máximo na avaliação da Capes. Um feito acadêmico importante, mas também político.

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Para ela, ocupar espaços de liderança vai muito além de um cargo. É sobre referência. É sobre mostrar que mulheres não apenas participam da ciência, mas comandam, decidem e representam a universidade em nível nacional. Não à toa, em 2025, ela recebeu reconhecimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação pelo incentivo à inovação tecnológica.

Curiosamente, no grupo de pesquisa que lidera, a maioria esmagadora também é feminina. Entre estudantes de graduação, pós e pós-doutorado, os homens são minoria. Um retrato que diz muito sobre quem está puxando o futuro da ciência hoje.

Números que explicam — e sustentam — a mudança

Na graduação da UEM, mais da metade dos estudantes matriculados são mulheres. Esse cenário se mantém consistente ao longo dos últimos anos, com ingresso feminino superior em todos os períodos analisados. Nos vestibulares, a diferença entre candidatas e candidatos chega a ser expressiva, com milhares de inscrições a mais feitas por meninas.

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Na pós-graduação, o cenário é ainda mais evidente. Em anos recentes, quase dois terços das matrículas foram femininas, com uma diferença que ultrapassa 25% na média. Não se trata de um pico isolado, mas de uma tendência sólida.

A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Grasiele Scaramal Madrona, destaca que esse movimento revela um avanço real na equidade de gênero na formação científica. Ainda assim, ela chama atenção para um ponto sensível: mulheres continuam sendo minoria nos cargos mais altos de liderança universitária. Ou seja, a base mudou, mas o topo ainda precisa acompanhar.

Quando a ciência liderada por mulheres vira referência nacional

O protagonismo feminino da UEM não passa despercebido fora do campus. Segundo dados do Leiden Ranking, elaborado por um dos mais respeitados centros internacionais de avaliação científica, a universidade ocupa o primeiro lugar do Brasil em produção científica liderada por mulheres.

Mais da metade dos projetos de pesquisa contam com liderança feminina, seja entre docentes ou estudantes. Um dado que não apenas quebra estereótipos, mas coloca a UEM como exemplo de transformação estrutural dentro da ciência brasileira.

Fonte: UEM / Matéria completa: https://noticias.uem.br/index.php?option=com_content&view=article&id=31143:mulheres-na-ciencia-elas-sao-maioria-na-graduacao-e-na-pos-da-uem&catid=986:pgina-central&Itemid=211