Midia
Do laboratório ao protagonismo: como o Paraná está mudando o jogo para mulheres na ciência

Se você ainda acha que ciência é “território masculino”, talvez esteja olhando para o lugar errado. Porque no Paraná, a história é outra. E não é discurso bonito para data comemorativa — são números, cargos de liderança e prêmios internacionais provando que mulher também domina o laboratório, a pesquisa e a inovação.
No Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a conversa não ficou só no simbólico. O estado tem mostrado que quando política pública sai do papel, o impacto aparece. E aparece forte.
Quando política pública vira protagonismo feminino
Enquanto o mundo ainda engatinha — com mulheres representando apenas 33,3% das pessoas que fazem pesquisa, segundo dados globais — o Paraná decidiu acelerar. Programas de incentivo, bolsas de formação e investimento contínuo em ciência e tecnologia criaram um ambiente onde a presença feminina não é exceção. É maioria.
Nas universidades estaduais paranaenses, elas já são 51% do corpo docente e 59% dos estudantes de graduação. Sim, maioria. E isso muda o jogo completamente.
Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), por exemplo, mulheres também lideram projetos de pesquisa. Não é só estar na sala. É comandar a sala.
A professora Carla Pavanelli, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PEA), fala sobre essa virada com consciência de quem viveu a mudança: “As mulheres ainda ocupam menos posições de liderança em algumas áreas acadêmicas, mas fico feliz em ver esse cenário mudar e em fazer parte dessa transformação”. E ela não está só discursando. Sob sua coordenação, o programa manteve nota máxima na avaliação da Capes. Nota 7. O topo.
Liderança feminina que ultrapassa fronteiras
Carla também coordena o NAPI Taxonline e integra o Comitê de Assessoramento em Zoologia do CNPq. Ou seja, está nos bastidores das decisões que moldam o futuro da pesquisa brasileira. É o tipo de liderança que influencia políticas, editais e rumos científicos.
Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), 61% dos estudantes da pós-graduação são mulheres. Coincidência? Difícil acreditar.
É ali que atua Mariangela Hungria, pesquisadora premiada em 2025 com o World Food Prize — conhecido como o “Nobel da Agricultura”. E aqui a gente precisa respirar fundo: esse prêmio é global. Não é local, não é simbólico.
Mariangela defende que o futuro da agricultura carrega qualidades que muitas vezes são associadas ao olhar feminino. “Não significa que será feita apenas por mulheres, mas que essa visão prioriza produzir com responsabilidade, cuidando do solo, da nutrição, da redução da emissão de gases de efeito estufa”, explica. E ainda reforça a importância do apoio institucional: “Devo muito à Fundação Araucária. Sem o apoio dela, eu não teria chegado até aqui”.
Isso é sobre permanência. Não é só entrar na ciência. É conseguir ficar, crescer, liderar.
Da escola pública ao laboratório: a próxima geração já está chegando
E talvez a parte mais interessante dessa história seja o que está acontecendo antes mesmo da universidade.
Meninas do ensino fundamental e médio da rede pública participam da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Ou seja, o incentivo começa cedo. Muito cedo.
Suzanna de Freitas, de 16 anos, entrou em um clube de ciências porque queria entender a química por trás dos cosméticos. Sim, beleza e ciência no mesmo parágrafo. E por que não? “A ciência por trás da beleza não é futilidade, já que impacta positivamente a vida de milhares de pessoas, inclusive homens”, diz ela.
Não é quase poético ver uma adolescente entendendo que maquiagem também é laboratório, que skincare também é pesquisa, que perfume também nasce da química? Quem disse que ciência precisa ser distante da nossa rotina?
Permanência feminina na ciência não é tendência — é construção
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação já definiu que, em 2026, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia terá como tema central mulheres e meninas na área. O Paraná parece ter saído na frente.
A Fundação Araucária tem sido peça-chave nessa engrenagem. Programas de cooperação internacional, gestão estratégica, incentivo à inovação. Não é sorte. É projeto.
E aqui fica a pergunta que não quer calar: se um estado consegue avançar tanto com políticas consistentes, o que impede o restante do país de fazer o mesmo?
Talvez a gente esteja assistindo a uma virada silenciosa. E como toda grande mudança, ela começa com presença. Depois vira permanência. Depois vira liderança.
Fonte: AEN

Social Midia e crítica de cultura pop, Renata domina o mundo das fofocas e novelas como ninguém. Com uma trajetória em grandes portais de entretenimento, ela traz uma visão divertida e crítica sobre os bastidores do universo das celebridades e das tramas de novelas. Renata é conhecida pelo seu tom bem-humorado e envolvente, que leva os leitores a se sentirem parte dos acontecimentos, discutindo os detalhes de suas novelas favoritas e compartilhando curiosidades imperdíveis das estrelas.




