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Moda

Comprar roupa usada virou tendência de luxo — e o varejo vai ter que se adaptar até 2030

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Sabe aquela sensação de garimpar uma peça incrível em brechó e sentir que você encontrou um tesouro que ninguém mais tem? Pois bem, o mundo inteiro está descobrindo isso agora, e o mercado não está nem um pouco surpreso. O mercado de moda secondhand caminha para crescer cerca de 20% ao ano e, se os números baterem conforme o projetado, o varejo de segunda mão vai literalmente dominar o setor têxtil global até 2030. Não é conversa de ativista. É dado de relatório do BCG, e o varejo convencional já está de olho.

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O que mudou? Tudo, basicamente. O consumidor mudou, o conceito de luxo mudou, e a ideia de que roupa usada é “coisa de quem não pode comprar nova” foi mandada embora com louvor. A geração Z e os Millennials estão na frente desse movimento, e eles não estão comprando peças de segunda mão por falta de opção. Estão comprando por escolha, por estilo, por identidade.

Por que o secondhand virou o novo premium

O dado que mais surpreende nessa história vem do próprio relatório do BCG: 56% dos brasileiros já venderam ou compraram algum artigo usado. Cinquenta e seis por cento. Isso não é uma tendência emergente. Isso já é comportamento consolidado, e a moda lidera essa onda com folga. Quase 50% dos consumidores de seminovos transitam pelo universo têxtil, seguidos por calçados (34%) e acessórios (33%).

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Mas o detalhe que realmente revela a virada de mentalidade está em outro número: 14% dos compradores de peças usadas estão atrás de marcas premium. Ou seja, a pessoa não quer qualquer coisa. Ela quer a bolsa, o blazer, o tênis de grife — e encontrou no mercado de segunda mão a forma mais inteligente de chegar até eles. Isso é o que os especialistas chamam de democratização do luxo, e ela está acontecendo agora, aqui, no Brasil.

A inflação e o encarecimento das importações aceleraram esse movimento de forma definitiva. Quando o vestuário novo fica fora do alcance, o consumo circular deixa de ser alternativa e passa a ser estratégia. Mas cuidado com esse raciocínio: reduzir o secondhand à necessidade financeira é perder o ponto. Para boa parte do público que adota esse estilo de consumo, a economia é consequência, não motivação principal.

Da doação ao impacto: como a economia circular gera transformação real

Dentro desse cenário, alguns modelos de negócio já operam há décadas com uma proposta que vai além do lucro, e que agora ganham ainda mais relevância. O Unibes Bazar, maior varejo social de São Paulo, é um desses casos. Com quase 50 anos de história, ele conecta doação, consumo consciente e impacto social em um ciclo que funciona de verdade.

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O modelo é simples e poderoso: itens doados pela população abastecem primeiro os programas sociais da instituição. O que sobra vai para as prateleiras, seja nas sete lojas físicas espalhadas pela cidade, seja na loja online, que registra mais de 600 mil acessos mensais. E o que entra de receita? Vai inteiramente para os programas sociais da Unibes. Cem por cento.

Mais de 20 mil pessoas visitam as lojas fisicamente todo mês, e a estrutura para receber doações inclui uma frota de 12 caminhões que fazem a retirada gratuitamente em toda a cidade de São Paulo. A curadoria abrange moda feminina, masculina e infantil, mas também móveis, livros e utensílios domésticos. É garimpo com propósito, e ninguém sai de mãos vazias.

O início do ano como ponto de virada no consumo

Existe algo muito simbólico no fato de que o início do ano é exatamente quando os brasileiros mais buscam renovar o guarda-roupa, organizar a casa e revisar hábitos. Os votos de réveillon batem forte aqui: mais organização, menos desperdício, consumo mais consciente. E o varejo circular entra como resposta natural para quem quer dar conta dessas três resoluções de uma vez só.

Trocar o fast fashion pelo garimpo intencional não é abrir mão de estilo. É, na verdade, encontrar uma relação mais honesta com a moda. Uma peça com história, com personalidade, que ninguém mais vai chegar usando igual em um evento. Isso tem valor, e o mercado já entendeu.

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Será que até 2030 a gente vai olhar para o varejo convencional da mesma forma que olha hoje para o descartável? A moda circular aposta que não. E os números, por enquanto, estão do lado dela.

Sobre o Unibes Bazar

Há quase 50 anos, o Unibes Bazar é a frente de varejo social da Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social) responsável por receber e comercializar itens doados. As doações são encaminhadas, primeiramente, às pessoas assistidas pela Instituição e o excedente é vendido nas sete lojas físicas e na loja on-line. A renda obtida é 100% destinada à manutenção dos programas sociais.

O Unibes Bazar conta ainda com 12 caminhões próprios para a sua operação logística de retirada de doações e abastecimento das lojas. Dentre os artigos comercializados, destacam-se: brinquedos, móveis, eletrônicos, eletrodomésticos, livros, discos, cama, mesa e banho, sapatos, acessórios, vestuário (infantil, masculino e feminino), entre outros. Além de ajudar a beneficiar milhares de pessoas, o Unibes Bazar contribui com práticas sustentáveis e economia circular ao promover o reuso dos produtos.

Sobre a Unibes

Fundada há 110 anos pela comunidade judaica, a Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social) atua por meio de três pilares (Unibes Social, Unibes Bazar e Unibes Cultural) que reforçam o seu compromisso com o ser humano, mantendo a transparência e ética em todas as suas ações, com base nos princípios judaicos da Justiça Social.

A Instituição realiza um trabalho multidisciplinar que inclui creche para crianças, atendimento socioeducativo no contraturno escolar, capacitação profissional para jovens e adultos com apoio para inclusão no mercado de trabalho, suporte às famílias em situação de vulnerabilidade e cuidados com idosos, com o propósito de desenvolver a autonomia, disseminar o interesse pela cultura, além de promover o bem-estar e a qualidade de vida. Anualmente, a Unibes realiza 22 mil atendimentos na cidade de São Paulo. Por seu trabalho e impacto, a Unibes foi reconhecida – pela terceira vez – como uma das 100 melhores organizações do terceiro setor, pelo Prêmio Melhores ONGs, em 2024. A Unibes possui, ainda, a certificação do Selo Prata e está aprovada em 10 dos 17 ODS das Organizações das Nações Unidas.