Comportamento
A corrida do futuro já começou — e as mulheres que souberem usar a IA vão chegar na frente
Os números assustam à primeira leitura. Um levantamento da Organização Internacional do Trabalho aponta que 9,6% dos empregos femininos estão sujeitos à automação, contra 3,5% dos masculinos. Para completar o quadro, o Brasil ocupa a última posição entre 48 países analisados em estudo da FGV Ibre com dados do Stanford AI Index 2025 e do LinkedIn quando o assunto é presença feminina na inteligência artificial. Última. Entre 48.
Deu um frio? Entende-se. Só que tem um detalhe importante nessa história que a maioria das manchetes esquece de mencionar: esse espaço vazio é, ao mesmo tempo, um alerta e uma oportunidade enorme para quem decidir agir agora.
O que a IA realmente ameaça — e o que ela jamais vai substituir
Antes de qualquer coisa, vale entender o que está em jogo. A automação avança sobre tarefas repetitivas, processos operacionais e funções que seguem padrões previsíveis. Traduzindo: trabalhos que exigem execução mecânica estão, sim, na mira. O que a inteligência artificial não consegue replicar é o conjunto de competências que, curiosamente, são justamente as que muitas mulheres já desenvolveram ao longo da carreira: comunicação, empatia, pensamento crítico, liderança e inteligência emocional.
Para a estrategista de carreiras femininas Thaís Roque, o ponto central dessa discussão não está em quem sabe programar ou quem domina mais plataformas digitais. “A nova vantagem competitiva não é apenas saber operar a tecnologia, e sim entender como integrá-la à tomada de decisão, à criatividade e à gestão de pessoas”, afirma. “Mulheres que desenvolverem essa combinação estarão alguns passos à frente na corrida por posições de influência.”
Isso muda bastante a conversa, não é?
A combinação que ninguém está falando abertamente
O mercado de trabalho pós-IA vai valorizar um perfil específico: o da profissional que usa a tecnologia como alavanca, não como muleta. Que traduz dados em estratégia, que conecta inovação a resultados concretos, que sabe liderar times em meio à transformação digital. Esse perfil não nasce de um curso de 30 dias no YouTube. Ele é construído com intenção.
Thaís Roque reforça que as soft skills estão no centro dessa equação. “A IA executa tarefas, mas são as pessoas que dão direção. Soft skills como negociação, visão sistêmica, colaboração e inteligência emocional se tornam ainda mais centrais — e são competências que já fazem parte da trajetória da maioria das mulheres”, explica a especialista.
Então, sim. O mercado está pedindo exatamente o que muitas de vocês já têm. A questão agora é saber posicionar isso com estratégia.
Por que visibilidade virou habilidade de carreira
Dominar as ferramentas é o primeiro passo. Mas tem um segundo movimento que define quem vai crescer de verdade: se posicionar como protagonista da transformação, não apenas como usuária dela. Parece detalhe, mas não é.
Quem aparece nas discussões sobre inovação, quem levanta a mão nos projetos que envolvem tecnologia, quem constrói autoridade ao redor do tema — essa pessoa é lembrada quando as oportunidades mais relevantes surgem. As mulheres que ficam só consumindo a IA nos bastidores continuam invisíveis para quem decide promoções e projetos estratégicos.
“As mulheres precisam se posicionar como líderes da transformação, não apenas como usuárias da tecnologia. Quem se coloca no centro das discussões sobre inovação, impacto e futuro do trabalho tende a ser lembrada para os projetos mais relevantes”, conclui Thaís Roque.
Não é hora de temer. É hora de se apropriar
Esse é o recado mais direto desta história. A inteligência artificial já está no escritório, no aplicativo de RH, na ferramenta de marketing, no sistema de atendimento ao cliente. Fingir que não existe não é uma estratégia. Aprender a usar essas ferramentas para ganhar produtividade, construir marca pessoal e ocupar espaços estratégicos é o que vai separar as carreiras que crescem das que estagnam.
O desequilíbrio que os dados mostram hoje é real. Só que ele também revela o tamanho do espaço disponível para quem chegar primeiro. E a pergunta que fica é simples: você vai esperar alguém te convidar para essa conversa, ou vai puxar a cadeira sozinha?
Sobre Thaís Roque
Com passagens por empresas como Nestlé, Accenture e Pão de Açúcar, Thaís viveu os dilemas de quem tem um bom currículo, mas busca realização. Formada em Administração e especializada em Liderança e Capital Humano pela NYU (New York University), ela criou a comunidade Founders Confraria e aceleradora de negócios TR Circle, e hoje atua como mentora de mulheres que buscam acelerar seus negócios e crescer financeiramente. Além da atuação com empreendedoras, Thaís é autora de dois livros e apresentadora do podcast De Carona na Carreira, onde entrevistou dezenas de grandes nomes brasileiros do empreendedorismo e cargos executivos.

Social Midia e crítica de cultura pop, Renata domina o mundo das fofocas e novelas como ninguém. Com uma trajetória em grandes portais de entretenimento, ela traz uma visão divertida e crítica sobre os bastidores do universo das celebridades e das tramas de novelas. Renata é conhecida pelo seu tom bem-humorado e envolvente, que leva os leitores a se sentirem parte dos acontecimentos, discutindo os detalhes de suas novelas favoritas e compartilhando curiosidades imperdíveis das estrelas.
