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Ela quebrou, estudou e criou o único marketplace odontológico do Brasil — a história de Natália Franchetti

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Natália Franchetti tinha diploma na mão, habilidade técnica de sobra e uma certeza que muita gente carrega quando sai da faculdade: basta ser boa no que faz. Spoiler? Não basta. A realidade do empreendedorismo chegou sem avisar e, por pouco, não encerrou a história antes dela começar de verdade. Mas foi justamente do ponto mais baixo que surgiu uma das ideias mais originais do setor de saúde no Brasil.

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Natália assumiu o arrendamento de um consultório odontológico sem ter a menor noção do que era gerir um negócio. Jornadas de 12 horas por dia, agenda cheia e, mesmo assim, as contas no vermelho. O resultado foi inevitável: ela quebrou.

“Eu acabei quebrando porque não tinha noção nenhuma de gestão. Quando você trabalha para outros dentistas, não precisa se preocupar com as contas. Quando assumi, tive que aprender tudo do zero”, conta ela, sem papas na língua.

Esse tipo de honestidade é raro. E é exatamente o que torna a trajetória de Natália tão poderosa. Ela não embelezou a queda. Ela foi lá, levantou e ainda transformou o tombo em combustível.

O MBA que mudou tudo

Incentivada pelo marido, Natália decidiu atacar o problema pela raiz e fez um MBA em gestão empresarial. A partir daí, passou a enxergar a odontologia como duas profissões dentro de uma só: a da clínica e a da gestão. “Não é só fazer o meu trabalho como dentista. É preciso olhar para a saúde financeira da clínica”, explica.

Essa virada de chave é o que especialistas em empreendedorismo chamam de mentalidade de fundadora. Paulo Martins, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Curitiba, reforça o valor dessa transformação: “São empreendedores que transformam desafios em oportunidades e se tornam exemplo para quem quer prosperar. Curitiba valoriza quem inova, gera impacto e desenvolvimento econômico para nossa cidade.”

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A ideia que ninguém tinha tido ainda

Enquanto montava consultórios para revenda, Natália começou a perceber um padrão: havia equipamentos odontológicos parados por todo lado e, ao mesmo tempo, dentistas desesperados para montar seus espaços sem gastar uma fortuna. O mercado de seminovos existia no informal, sem curadoria, sem segurança e sem estrutura.

Foi aí que nasceu a Selig Saúde, o primeiro marketplace de instrumentais odontológicos usados do Brasil. A plataforma conecta dentistas que querem vender equipamentos sem uso com profissionais que precisam comprar com economia real. O nome já diz tudo: “Selig é de se ligar, se conectar. A gente conecta o dentista que quer vender um item parado com o que precisa comprar”, define Natália.

Os números que convencem qualquer dentista

Montar um consultório odontológico do zero no Brasil não é brincadeira. Uma cadeira odontológica nova pode ultrapassar R$ 20 mil, e a estrutura completa de um espaço facilmente passa de R$ 100 mil. Com equipamentos recondicionados encontrados na Selig Saúde, Natália afirma que é possível iniciar com cerca de R$ 25 mil. A diferença é enorme e, para quem está começando, pode ser decisiva.

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A curadoria dos produtos é feita pela própria fundadora, com suporte técnico especializado, o que garante segurança nas negociações. Não é um classificado aleatório da internet. É uma plataforma com critério.

Sustentabilidade como diferencial real

Além da economia direta, a Selig Saúde carrega uma bandeira que o mercado de saúde ainda pouco abraça: a sustentabilidade. Ao incentivar a reutilização de equipamentos, a plataforma reduz a demanda por produção de novos materiais e diminui o descarte de resíduos do setor. Parece detalhe? Não é. O setor odontológico gera volumes consideráveis de resíduos sólidos e qualquer iniciativa que reduz esse impacto merece atenção.

A empresa já acumula avaliações máximas no Google e prepara sua expansão para São Paulo em 2026. A trajetória é curta, a Selig Saúde foi fundada em março de 2024, mas já deixou uma marca clara no ecossistema de saúde brasileiro.

Prêmio Empreendedora 2025: o reconhecimento que veio no momento certo

Em 2025, Natália conquistou o primeiro lugar no Prêmio Empreendedora, na categoria Microempresa. Antes da premiação, ela participou de um treinamento de pitch promovido pela Agência Curitiba, dentro do ecossistema do Vale do Pinhão, referência nacional em inovação.

O aprendizado foi além do palco. “O pitch me ajudou a crescer. A gente precisa contar o que a empresa faz em um minuto e meio. Parece simples, mas não é. E você usa isso para o resto da vida”, afirma ela.

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Sabe o que é impressionante nessa frase? A consciência de que comunicar bem uma ideia é tão importante quanto ter a ideia. Quantas mulheres brilhantes perdem oportunidades por não conseguirem vender o que constroem?

As mulheres que vieram antes

A força que move Natália não surgiu do nada. Ela tem nome, história e vem de longe. A avó Rosa atravessou o oceano em busca de uma vida nova no Brasil. A mãe, Maria Celina, filha única, venceu a pobreza pela educação. São duas mulheres que nunca ocuparam manchetes, mas que construíram o alicerce de tudo que veio depois.

Mãe de Pietra e Arthur, formada pela Unicamp e pós-graduada pela Fundação Getulio Vargas, Natália resume sua trajetória com uma frase que merece ser lida devagar: “A educação me deu voz, mas o empreendedorismo me fez voar e alcançar novos horizontes.”

É disso que se trata. Não a história de alguém que nunca errou. A história de alguém que errou, estudou, criou algo que nunca existiu e colocou o nome do Brasil no mapa de uma inovação que todo mundo precisava e ninguém havia feito ainda.

Fonte: AEN/Curitiba | Foto: Hully Paiva/SECOM