Midia
Livro de contos destaca mulheres amazônicas atravessadas por trabalho, migração e resistência
Em Sol abrasador prepara solo fértil, a escritora manauara Myriam Scotti constrói narrativas sobre mulheres comuns marcadas pelos ciclos econômicos, pelas desigualdades sociais e pelas escolhas impostas pela vida em Manaus e em outras cidades do Amazonas

Mulheres que trabalham desde cedo, sustentam famílias, migram, permanecem ou retornam a Manaus carregando expectativas, frustrações e afetos. É a partir dessas trajetórias femininas que a escritora, crítica literária e mestre em Literatura Myriam Scotti constrói Sol abrasador prepara solo fértil (editora orlando), livro de contos que atravessa diferentes momentos históricos da Amazônia e revela como os ciclos de exploração econômica e desenvolvimento impactam, de forma direta, a vida das mulheres da região.
Com uma prosa que alterna lirismo e aspereza, a autora reúne narrativas ambientadas tanto no interior quanto no espaço urbano, do auge da borracha aos dias atuais. As personagens não ocupam o centro da história como símbolos ou alegorias, mas como sujeitos atravessados pelo trabalho, pela maternidade, pela solidão e pela tentativa constante de construir dignidade em um território marcado por desigualdades profundas. O livro conta com apresentação assinada pela escritora e jornalista Bianca Santana, colunista da Folha de S.Paulo, além de texto de orelha da escritora e crítica literária Thaís Campolina.
Embora seja sua estreia no gênero conto, Sol abrasador prepara solo fértil se insere em uma trajetória literária já reconhecida. Myriam Scotti venceu o Prêmio Manaus de Literatura em 2020, teve obras selecionadas pelo PNLD e foi finalista do prêmio Pena de Ouro 2021 na categoria Conto. No ano passado, ficou em segundo lugar na categoria conto do prêmio Off Flip. Em sua escrita, dialoga com autores como João Ubaldo Ribeiro e Milton Hatoum, mas constrói uma perspectiva própria, ancorada na experiência amazônica. “Manaus não é apenas um cenário; é uma presença que molda desejos e frustrações”, afirma a autora.

Nos contos, Myriam evita tanto a romantização da floresta quanto a representação das mulheres como vítimas passivas. “Meus contos mostram a potência de quem vive na Amazônia, mas também as feridas abertas por séculos de exploração”, diz. Textos como “Terra Prometida” e “O Soldado da Borracha” evidenciam conflitos sociais e ambientais sem perder de vista a singularidade de cada personagem. Escrita ao longo de sete anos, a obra reflete o diálogo entre sua formação jurídica e literária: “O Direito me ensinou a enxergar estruturas de poder; a Literatura me deu as ferramentas para humanizá-las”.
No texto de orelha, Thaís Campolina observa que as personagens do livro “não são necessariamente migrantes, mas todas vivem os dilemas de viver, estar, deixar ou voltar para Manaus”. Segundo a crítica, a cidade atua de maneiras distintas na vida de cada mulher, “a depender da época, do gênero, da classe e da origem”, ora simbolizando esperança, ora representando angústia e saudade.
Na apresentação, Bianca Santana reforça o compromisso da autora em retratar mulheres amazônicas longe de estereótipos. “As personagens não são heroínas, no sentido óbvio. Muito menos vítimas passivas dos ciclos de exploração que atravessam suas histórias de vida”, escreve. Para ela, são mulheres “em sua inteireza, contradição e potência”, atravessadas pelo trabalho, pela migração, pela saudade, pelo amor e pela desigualdade, sem abrir mão da capacidade de sentir e resistir.
Sobre a autora
Myriam Scotti nasceu em 1981, em Manaus (AM). É escritora, crítica literária e mestre em Literatura pela PUC-SP. Seu romance Terra Úmida venceu o Prêmio Literário de Manaus 2020. Em 2021, publicou o romance juvenil Quem chamarei de lar? (editora Pantograf), aprovado no PNLD Literário e selecionado pelo edital Biblioteca de São Paulo.

Em 2023, lançou o livro de poemas Receita para explodir bolos (editora Patuá). Escreve desde a infância e tornou a escrita uma atividade profissional em 2014. Atualmente, trabalha em dois projetos de romance, um contemporâneo e outro de temática histórica.

Social Midia e crítica de cultura pop, Renata domina o mundo das fofocas e novelas como ninguém. Com uma trajetória em grandes portais de entretenimento, ela traz uma visão divertida e crítica sobre os bastidores do universo das celebridades e das tramas de novelas. Renata é conhecida pelo seu tom bem-humorado e envolvente, que leva os leitores a se sentirem parte dos acontecimentos, discutindo os detalhes de suas novelas favoritas e compartilhando curiosidades imperdíveis das estrelas.







