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As mulheres que estão mudando a ciência no Paraná — e você provavelmente não conhecia esse trabalho

Tem um instituto no Paraná onde quase metade dos cargos de gerência são ocupados por mulheres. Num país onde esse número nacional não passa de 39%, isso já é, por si só, uma notícia.
No Instituto de Tecnologia do Paraná, o Tecpar, pesquisadoras e gestoras estão à frente de projetos que vão de sequenciamento genético para pacientes do SUS até certificações pioneiras em ESG e gestão de ativos. São mulheres que não apenas ocupam cadeiras, mas que constroem, do zero, campos inteiros de atuação científica e tecnológica.
A pesquisadora que estudou de madrugada, amamentando, e chegou à fronteira da biotecnologia
Jaiesa Zych Nadolny tem 43 anos e uma trajetória que parece roteiro de série. Formada na primeira turma de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) — o primeiro curso do tipo ofertado no Brasil — ela já entrou na faculdade convicta: a biotecnologia seria a ciência do futuro.
Quando a mídia começou a tratar as células-tronco como a grande promessa da medicina moderna, Jaiesa não ficou só assistindo. Ela foi atrás. Como não havia ninguém trabalhando com o tema no Paraná, pegou as malas e foi para o Rio de Janeiro cursar o mestrado em Ciências Morfológicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De volta a Curitiba, a virada definitiva veio em 2013. Tudo no mesmo ano: defesa do doutorado, início do pós-doutorado e o nascimento do primeiro filho. “Ele tinha só três meses quando fiz o concurso do Tecpar. Lembro de estudar de madrugada, quando ele acordava e eu tinha que amamentar”, conta ela.
Essa imagem — uma cientista, no meio da noite, equilibrando um bebê e um projeto de carreira — diz muito sobre o que muitas mulheres na ciência ainda enfrentam em silêncio.
Há 11 anos no Tecpar, Jaiesa acumulou passagens por laboratórios de diagnósticos veterinários, pelo setor de Parcerias para Desenvolvimento Produtivo (PDP) e pela gerência de centros estratégicos de saúde. Hoje, ela comanda o Centro de Saúde Pública de Precisão (CSPP), uma iniciativa conjunta do Tecpar, do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) e do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).
A missão do centro é daquelas que importam de verdade: sequenciamento genético para apoiar diagnósticos de doenças raras e condições genéticas complexas, com foco total em pacientes do Sistema Único de Saúde. Tecnologia de ponta chegando a quem mais precisa. Isso é inovação com propósito.
“Muitas pesquisas que pareciam distantes, hoje se concretizaram em importantes aplicações”, reflete Jaiesa, que é doutora em Biologia Celular e Molecular com pós-doutorado em Epigenética e Células-Tronco.
Quando a química virou gestão — e a gestão virou vocação
A história de Melissa Umata Lucato começa com uma professora de química do ensino médio que acendeu uma chama. Seguiu pela graduação em Química, mestrado em Engenharia de Materiais e doutorado em Habilidades Analíticas. Lecionou por dois anos na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), mas a rotina exaustiva da docência pediu uma mudança.

Contratada para o Centro de Medição e Validação, Melissa foi descobrindo, na prática diária de auditoria e qualidade, uma nova paixão: normas, conformidade e certificação. O que poderia parecer burocrático nas mãos dela virou campo de inovação.
Na gerência do Setor de Certificação de Sistemas do Tecpar Certificação, ela liderou a implantação de iniciativas que não existiam antes no Brasil, como o programa de verificação de inventários de Gases de Efeito Estufa, a Acreditação ABHV para Estabelecimentos Veterinários e a certificação do programa Municípios Antirracistas. Quer uma lista de projetos que realmente interessam? Tem mais: certificação de Gestão de Ativos (NBR ISO 55001), madeira engenheirada com certificação inédita no país e ESG para empresas de transportes.
“É um trabalho muito inovador e temos uma equipe muito boa tocando tudo isso”, diz ela, com a serenidade de quem sabe exatamente o que está construindo.
Assumir a gerência em 2024 foi um novo desafio. “Aceitei o convite, mas disse que teria que estudar muito, e foi o que fiz”, conta. Fez. E ainda sobrou tempo para coordenar bolsistas e transmitir 20 anos de experiência acumulada no instituto. “O Tecpar tem sido esse grande instrumento na vida dessas pessoas, como a porta de entrada na vida profissional”, ressalta Melissa.
Por que esse número importa — e o que ele diz sobre o futuro
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, resume bem o que sustenta esses resultados: “Promovemos um espaço colaborativo que incentiva a representatividade e estimula o surgimento de novas lideranças.”
No instituto, 46% dos cargos de gerência são ocupados por mulheres, 26 ao total. Frente à média nacional de 39,3% registrada pelo IBGE, a diferença pode parecer pequena em números, mas é enorme em simbolismo, especialmente quando falamos de um ambiente de pesquisa científica, tecnologia e inovação.
Inovação em saúde, certificação pioneira, biotecnologia aplicada ao SUS: esses são temas que moldam políticas públicas, salvam diagnósticos e movimentam a economia do Paraná e do Brasil. Ter mulheres no comando dessas frentes não é só uma questão de representatividade. É uma questão de inteligência coletiva.
A ciência, afinal, só evolui quando todos os talentos estão na mesa. E essas mulheres já provaram que sabem muito bem o que fazer quando chegam lá.
Fonte: Foto: Hedeson Alves/TECPAR
Foto: Hedeson Alves/TECPAR

Social Midia e crítica de cultura pop, Renata domina o mundo das fofocas e novelas como ninguém. Com uma trajetória em grandes portais de entretenimento, ela traz uma visão divertida e crítica sobre os bastidores do universo das celebridades e das tramas de novelas. Renata é conhecida pelo seu tom bem-humorado e envolvente, que leva os leitores a se sentirem parte dos acontecimentos, discutindo os detalhes de suas novelas favoritas e compartilhando curiosidades imperdíveis das estrelas.







