Connect with us

Papo Pet

A família brasileira encolheu, os gastos com pets explodiram e isso não é coincidência

Published

on

pets fogos - A família brasileira encolheu, os gastos com pets explodiram e isso não é coincidência

Se você mora sozinha, vive em casal sem filhos ou tem um pet que come melhor que a maioria das pessoas, saiba que você não está sozinha nisso. Na verdade, você é exatamente o perfil que está redesenhando o consumo brasileiro, e o mercado todo está correndo para te acompanhar.

Nos últimos 25 anos, a família brasileira mudou muito mais do que a maioria imagina. A taxa de natalidade caiu de 2,0 para 1,6 filhos por mulher. A idade média do consumidor saltou de 28 para 36 anos. E o percentual de brasileiros com 45 anos ou mais foi de 23% para 38% da população. São números que parecem frios num primeiro momento, mas que explicam uma transformação silenciosa e poderosa no dia a dia de todo mundo.

O dinheiro foi para onde, afinal?

Com famílias menores e mais pessoas vivendo sozinhas ou em duplas sem filhos, o orçamento familiar encontrou novos destinos. Itens ligados ao conforto doméstico, à decoração de interiores e, especialmente, ao cuidado com animais de estimação passaram a ocupar um espaço que antes pertencia a fraldas, material escolar e outros gastos típicos de famílias numerosas.

O resultado é um mercado pet que não para de crescer. Em 2024, o setor movimentou cerca de R$ 75,4 bilhões, um crescimento de aproximadamente 9,6% em relação ao ano anterior. Em uma década, o faturamento praticamente dobrou. Isso não é moda passageira. É uma reconfiguração estrutural do que as pessoas consideram essencial nas suas vidas.

O pet virou família de verdade, e o mercado sabe disso

Quem tem cachorro ou gato em casa sabe exatamente do que estamos falando. O pet humanizado deixou de ser tendência para se tornar realidade consolidada. Ração premium, plano de saúde veterinário, roupa para cachorro, hotel para gatos, sessão de banho aromático… nada disso causa mais estranheza. Causa inveja, na melhor das hipóteses.

Essa mudança de comportamento está diretamente conectada ao novo perfil demográfico do país. Uma consumidora de 36 anos, sem filhos, com renda própria e um gato em casa toma decisões de compra muito diferentes das que tomaria uma mãe de três filhos com as mesmas condições financeiras. O afeto foi redirecionado, e o mercado simplesmente seguiu o caminho do afeto.

Assim, marcas de todos os segmentos, de ração a hotelaria, de acessórios a telemedicina veterinária, estão investindo pesado para atender essa consumidora que não abre mão de qualidade quando o assunto é o bem-estar do seu animal.

A casa também ganhou outro status

Se o pet virou prioridade número um, a casa chegou logo atrás. Com menos pessoas morando juntas e mais tempo sendo passado dentro de casa (tendência que a pandemia acelerou, mas não criou), o ambiente doméstico passou a ser visto como extensão da identidade pessoal.

Decoração, organização de espaços, itens de bem-estar doméstico e produtos que combinam funcionalidade com estética viraram categorias em expansão acelerada. A consumidora brasileira mais madura e com menos dependentes está, de forma bastante consciente, investindo no lugar onde vive como nunca fez antes.

Não é sobre gastar mais por gastar. É sobre escolher com mais intenção. Peças duráveis, com origem conhecida, que combinam design e responsabilidade. Esse é o novo vocabulário de compra de uma geração que aprendeu, na prática, que acumular não é o mesmo que viver bem.

Consumo consciente: saiu do discurso e entrou no carrinho

Esse movimento todo também chegou à moda e ao varejo têxtil. O consumidor está mais atento à qualidade das peças, à transparência das marcas e às práticas de produção por trás de cada etiqueta. A lógica do “comprar muito e usar pouco” está perdendo espaço para uma nova mentalidade: comprar menos, comprar melhor.

Essa mudança pressiona toda a cadeia produtiva a evoluir. Marcas que investem em rastreabilidade, sustentabilidade e governança responsável saem na frente porque estão falando a língua de uma consumidora que pesquisa antes de comprar e não se contenta com discurso vazio.