Fofoca
Ju Massaoka quase perdeu o nariz por causa do PMMA — e o pior é que ela nem sabia que tinha a substância no rosto
A repórter do Mais Você foi à cirurgia para corrigir um septo e saiu com o nariz reconstruído com osso da costela. Entenda o que é esse preenchedor permanente, por que ele ainda é usado e como se proteger

Imagina entrar numa cirurgia para melhorar a respiração e descobrir, já na mesa de operação, que alguém colocou uma substância plástica no seu rosto sem te avisar. Anos atrás. Sem consentimento. Essa foi a realidade de Ju Massaoka, repórter do Mais Você, que voltou ao programa em 1º de maio com um curativo no rosto e um relato que parou o Brasil.
O que era para ser uma correção simples de desvio de septo virou um drama cirúrgico: o médico encontrou PMMA alojado nos tecidos do nariz dela, aderido às estruturas saudáveis, criando risco real de necrose. Para resolver, foi preciso retirar um pedaço de osso da costela e reconstruir o nariz inteiro. “Eu passei tanto risco de perder meu nariz mesmo, de necrose”, afirmou ela ao vivo, visivelmente abalada.
O caso reacendeu um debate que nunca deveria ter esfriado — porque o PMMA não é novidade, e os alertas também não são.
O que é o PMMA, afinal?
PMMA é a sigla para polimetilmetacrilato, uma substância composta por microesferas de acrílico suspensas em gel. Diferente do ácido hialurônico, que é absorvido pelo organismo com o tempo, o PMMA é um preenchedor permanente — ou seja, uma vez injetado, ele fica. Para sempre.
Essa permanência é exatamente o que o torna tão perigoso. Como o corpo não consegue absorvê-lo, o material pode migrar, encapsular, inflamar e, nos casos mais graves, causar necrose tecidual — a morte do tecido ao redor. Quando isso acontece no rosto, as consequências podem ser irreversíveis: deformações, perda de estrutura e, como no caso de Ju Massaoka, cirurgias reconstrutivas de alto risco.
A Anvisa classifica o PMMA como produto de classe IV — risco máximo. A agência autoriza seu uso apenas para fins corretivos específicos, como tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV. Para fins estéticos — rugas, volume facial, lábios — o uso não é indicado. Mesmo assim, a substância circula livremente em clínicas pelo Brasil.
Por que ele ainda é usado — e muitas vezes escondido
O cirurgião facial Renato Fortes Bittar, que participou da conversa com Ju Massaoka no Mais Você, foi direto: a situação dela é mais comum do que parece. Segundo ele, alguns profissionais usam o PMMA para disfarçar resultados insatisfatórios de cirurgias anteriores — e fazem isso sem informar o paciente. “É um absurdo ético e legal, mas acontece”, disse o especialista no programa.
A lógica perversa por trás do uso é financeira. O PMMA é significativamente mais barato do que o ácido hialurônico. Enquanto uma seringa de ácido hialurônico pode custar entre R$ 400 e R$ 1.200, o PMMA sai por uma fração desse valor. Assim, o preenchedor permanente acaba sendo usado por profissionais inescrupulosos como atalho econômico — às custas da saúde de quem está na cadeira.
Maria Roberta Martins, representante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), reforça o alerta: “Esse produto foi usado por muitas décadas no preenchimento estético, mas tem sido desaconselhado justamente pelo número de complicações associadas. É crucial que as pacientes estejam cientes dos riscos e que se assegurem de não usá-lo.”
O CFM (Conselho Federal de Medicina) já solicitou formalmente à Anvisa a proibição total do PMMA como preenchimento estético no Brasil, argumentando que o país é um dos únicos no mundo onde a substância ainda tem esse uso. A entidade alerta que as complicações são tardias — podem surgir anos ou décadas depois da aplicação — e que mesmo quando feito por especialistas, o risco existe.
Os riscos que ninguém te conta antes de assinar o formulário
A lista de complicações associadas ao PMMA é longa e assustadora. O problema começa pelo fato de a substância ficar entremeada aos tecidos saudáveis, tornando qualquer remoção posterior um procedimento complexo, agressivo e com chance real de sequelas permanentes.
Entre as complicações mais documentadas estão inflamações crônicas que aparecem anos depois da aplicação, nódulos e caroços visíveis sob a pele, granulomas (reações inflamatórias graves), migração do material para regiões adjacentes, necrose tecidual e, nos casos mais extremos, comprometimento vascular com risco de AVC — como aconteceu com a modelo Lygia Fazio, que morreu em 2023 após complicações associadas a aplicações de PMMA.
A Anvisa é categórica: a aplicação em regiões anatômicas não indicadas, em quantidades além do previsto ou por profissionais não habilitados “pode causar danos à saúde com consequências clínicas incapacitantes ou de difícil manejo”.
Você pode ter PMMA sem saber — veja como descobrir
Esse é o detalhe mais perturbador de toda essa história. Como a substância é incolor, não tem cheiro e não causa dor imediata no momento da aplicação, muita gente passa anos — ou décadas — sem saber que tem PMMA no rosto ou no corpo.
A recomendação dada pelo cirurgião Renato Fortes Bittar é direta: se você fez algum preenchimento facial, rinoplastia ou qualquer procedimento estético nos últimos anos e tem dúvidas sobre o que foi usado, peça uma ultrassonografia da região. O exame consegue identificar a presença da substância com precisão.
Outra proteção importante é a etiqueta de rastreabilidade — um documento que a Anvisa determina que deve ser entregue ao paciente sempre que um preenchedor à base de PMMA for utilizado. Ela funciona como uma identidade do produto: traz número de registro, lote, fabricante e validade. Se você nunca recebeu nada parecido, isso já é um sinal de alerta.
Como identificar uma clínica segura antes de qualquer procedimento
Nenhuma quantidade de desejo por um resultado estético vale o risco de uma necrose. Antes de se submeter a qualquer preenchimento facial, algumas verificações são inegociáveis.
O primeiro passo é confirmar se o profissional é médico com especialidade em dermatologia ou cirurgia plástica e se tem registro ativo no CFM. Esteticistas, biomédicos e enfermeiros não têm autorização legal para realizar preenchimentos faciais com substâncias de risco máximo. Clínicas que oferecem procedimentos “a preço de custo” ou com promoções muito agressivas merecem atenção redobrada — o barato aqui pode custar caro demais.
Na consulta, pergunte diretamente qual substância será usada, exija o nome técnico e o número de registro na Anvisa do produto. Uma clínica séria não só responde essa pergunta sem hesitar como entrega a etiqueta de rastreabilidade ao final do procedimento. Se o profissional desviar da pergunta, minimizar sua preocupação ou dizer que “é tudo a mesma coisa”, levante da cadeira.
Imagem: Reprodução/instagram: julianemassaoka

Social Midia e crítica de cultura pop, Renata domina o mundo das fofocas e novelas como ninguém. Com uma trajetória em grandes portais de entretenimento, ela traz uma visão divertida e crítica sobre os bastidores do universo das celebridades e das tramas de novelas. Renata é conhecida pelo seu tom bem-humorado e envolvente, que leva os leitores a se sentirem parte dos acontecimentos, discutindo os detalhes de suas novelas favoritas e compartilhando curiosidades imperdíveis das estrelas.







