Moda
O dedão virou o acessório mais cobiçado do momento e ninguém viu isso chegar

Esquece o salto, esquece a bolsa it. Nas passarelas de Copenhague, o grande protagonista do styling coube a um detalhe que ninguém esperava: o dedão.
Sim, aquele dedo que a gente passa a vida inteira escondendo virou o item mais desejado do momento, e a moda internacional só está confirmando o que o Brasil já sabia há décadas.
O dedão saiu do esconderijo e foi parar na passarela
Durante a semana de moda de Copenhague, que terminou no início de agosto, um padrão se repetiu nos looks de quem circulava pelos desfiles. Sandálias com tiras que isolam o dedão, sapatilhas de bico dividido, mules que deixam só o maior dedo à mostra. O dedão, esse membro discreto que garante boa parte do nosso equilíbrio ao caminhar, entrou de vez na disputa por atenção com bolsas e óculos escuros. E entregou tudo.
O Tabi da Maison Margiela segue como a referência mais citada dessa estética, afinal a peça separa o dedão dos demais desde a estreia de Martin Margiela em 1989. Mas o modelo hoje divide vitrine com nomes novos. A Nike relançou o Air Rift, aquele tênis de bico bipartido dos anos 1990, em parceria com a Skims, agora em cetim e malha respirável, com paleta pastel e neutra. Já a Tory Burch apresentou o Multi-Buckle Monk Strap, uma releitura do oxford tradicional que expõe os quatro dedos menores e mantém o dedão coberto por três fivelas funcionais. Genial? Sim. Usável no dia a dia? Aí já é outra conversa.

As sandálias com argola isolando o dedão também dominaram ruas e passarelas ao longo do ano. Zara e Mango correram pra colocar o modelo nas prateleiras, enquanto Giuseppe Zanotti e Miu Miu trouxeram versões de luxo, em couro e detalhes metálicos. A Alohas foi além com o Tebas, cujo upper inclui um anel que envolve o dedão diretamente. Radical, sem dúvida. E é exatamente esse tipo de ousadia que faz a internet parar pra comentar.
O chinelo brasileiro já fazia isso muito antes de virar trend
Aqui no Brasil, valorizar o dedão nunca foi novidade. É só olhar pro chão de qualquer praia ou calçada. Mas o formato está se reinventando, e com estilo. Em 15 de julho, a Havaianas apresentou na passarela da Studio Constance uma sandália com salto kitten que reinterpreta a tira entre os dedos clássica da marca, cobrindo apenas o hálux com um bico recortado. A peça circulou nas ruas de Copenhague durante o evento e provou algo que a gente já sabia: o brasileiro tem uma relação íntima com esse tipo de calçado desde que a Havaianas o popularizou por aqui, lá nos anos 1960.
A moda internacional demorou décadas pra chegar onde a gente já estava. Essa é a piada boa dessa história toda.
Uma indústria gigante que trabalha pra dentro
O Brasil ocupa a quinta posição entre os maiores produtores de calçados do mundo, atrás de China, Índia, Vietnã e Indonésia. A diferença é que a produção nacional abastece principalmente o próprio consumidor. Dos 847,5 milhões de pares fabricados em 2025, a maior fatia ficou por aqui mesmo, movimentando cerca de R$ 40 bilhões, segundo dados do setor.

O chinelo segue como carro-chefe absoluto dessa produção. Em 2025, o modelo representou 44,7% de tudo que o país fabricou, o equivalente a 379,2 milhões de pares. O dedão já era protagonista no Brasil muito antes de Copenhague descobrir o óbvio.
Tarifas e importações pressionam o setor nacional
A produção nacional de calçados caiu 1,9% em 2025, recuando justamente para os 847,5 milhões de pares citados. As importações dispararam 22,5% em valor, puxadas por produtos vindos da Ásia com preços impraticáveis por aqui. Pares chineses chegaram a ser importados por cerca de US$ 4,50, menos de R$ 23 no bolso do consumidor.
As tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos calçados brasileiros, elevadas a 50% no segundo semestre de 2025, agravaram o cenário para as exportações do setor, que caíram em receita mesmo com volume embarcado em alta. Segundo a Abicalçados, a capacidade instalada das fábricas brasileiras recuou de 75,9% para 73% no período. A combinação de menor demanda externa com o avanço dos importados formou um contexto difícil para quem produz por aqui.
O dedão segue confirmando seu novo status de realeza fashion. A dúvida que fica é: essa tendência pega de verdade no seu armário ou fica só na passarela?

Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia são as bases de qualquer desenvolvimento saudável. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, à proteção animal e comanda sua própria loja (MF Feminina), onde faz o comercio de roupas femininas, lingeries, cosméticos, perfumaria e produtos de beleza. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets e dicas de beleza.







