Connect with us

Moda

Enquanto todo mundo ainda usa moletom no home office, o terno virou o item mais lucrativo da moda masculina

Published

on

terno moda - Enquanto todo mundo ainda usa moletom no home office, o terno virou o item mais lucrativo da moda masculina

O terno passou os últimos anos sendo enterrado em toda entrevista sobre o futuro da moda. O home office instalou o moletom como uniforme, os escritórios relaxaram o dress code e a peça mais tradicional do guarda-roupa masculino virou sinônimo de coisa do passado. Os balanços financeiros de 2025 contam outra história.

Suitsupply, Tailored Brands e Brooks Brothers registram crescimento de dois dígitos. O cenário é o oposto do que se viu em 2020, quando lojas fecharam em massa e duas gigantes da alfaiataria pediram recuperação judicial no mesmo ano. O terno voltou reformulado, mais caro e puxado por um público que redescobriu a formalidade como forma de se vestir para ocasiões que realmente importam.

A queda foi brutal, e por isso a virada impressiona

Em 2020, a Suitsupply viu a receita despencar 40%, caindo para 173 milhões de dólares. Brooks Brothers e Men’s Wearhouse, duas das maiores redes de alfaiataria em massa dos Estados Unidos, fecharam centenas de lojas e pediram recuperação judicial no mesmo ano. O golpe foi duplo: menos gente indo ao escritório e menos eventos sociais que justificassem investir em uma peça formal.

A retomada veio rápido e forte. Desde 2023, a Suitsupply cresce perto de 20% ao ano e hoje fatura mais de um bilhão de dólares, o equivalente a R$ 5,18 bilhões. A Tailored Brands, dona da Men’s Wearhouse e da Jos. A. Bank, entrou com pedido de abertura de capital neste ano depois de somar vendas de 2,5 bilhões de dólares (R$ 12,95 bilhões) e lucro líquido de 217 milhões de dólares (R$ 1,12 bilhão) entre 2021 e 2025. A Brooks Brothers, comprada pela Authentic Brands Group em 2020, soma hoje receita anual estimada em mais de um bilhão de dólares e cresce em dois dígitos só na categoria de ternos.

Casamentos voltaram a acontecer, eventos sociais voltaram ao calendário e o retorno gradual ao escritório fez o resto. O terno deixou de ser obrigação diária para virar escolha de peso.

O terno ganhou outra cara

O azul-marinho e o cinza básico perderam espaço para linho, madras e estampas mais ousadas, sobretudo nas coleções de verão. Blazers passaram a ser usados fora do horário comercial, em jantares e eventos noturnos, funcionando quase como peça coringa entre o social e o casual. Quem ainda associa terno a reunião de segunda-feira está um passo atrás.

Brooks Brothers - Enquanto todo mundo ainda usa moletom no home office, o terno virou o item mais lucrativo da moda masculina

Essa transformação aparece também no preço. Na Bloomingdale’s, marcas de entrada como a Hugo Boss praticam valores a partir de 700 dólares, cerca de R$ 3.626, enquanto grifes como a Zegna ultrapassam os 5 mil dólares, R$ 25.900. O terno virou território de investimento pessoal, não obrigação corporativa.

O público feminino entrou nessa conta com força. Em Londres, na tradicional Savile Row, um ateliê de alfaiataria voltado para mulheres cresce em média 50% ao ano nos últimos cinco anos, atendendo clientes que buscam peças versáteis para transitar entre diferentes momentos do dia sem trocar de roupa.

No Brasil, o corpo muda mais rápido que o tecido

Enquanto o mundo lida com a volta da demanda, o Brasil enfrenta um problema particular dentro dos ateliês de alfaiataria sob medida. O uso de canetas emagrecedoras como Mounjaro e Ozempic cresceu 88% no país no último ano, segundo o Conselho Federal de Farmácia, e isso está literalmente mudando o corpo dos clientes no meio do processo de confecção das peças.

Ateliês em São Paulo já ajustaram o fluxo de trabalho por causa disso. A primeira prova de cada terno passou a ser feita com no máximo trinta dias de antecedência da entrega, depois que clientes voltaram para a prova final com até 15 quilos a menos do que tinham na medição inicial. Alfaiates com atuação em São Paulo e Brasília já contabilizam centenas de ajustes significativos nas peças desde o segundo semestre do ano passado, um movimento que consideram estabilizado, mas que segue exigindo atenção redobrada em cada encomenda.

O terno carrega hoje duas transformações ao mesmo tempo. Ele voltou a ser desejado e voltou também a exigir mais precisão de quem o produz, porque o corpo que entra no ateliê já não é o mesmo que sai dele algumas semanas depois.