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Comportamento

Dor de cabeça, cansaço e memória falhando: veja o que a síndrome descrita por Augusto Cury revela sobre a rotina moderna

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A mente nunca para. Mesmo deitada, mesmo no banho, mesmo no meio de uma conversa, ela segue processando dez coisas ao mesmo tempo. Se essa descrição bateu, vale conhecer um conceito criado pelo psiquiatra e escritor Augusto Cury: a síndrome do pensamento acelerado.

Cury descreveu o quadro ao estudar o funcionamento do pensamento como ciência. Segundo ele, a mente contemporânea processa um volume de estímulos muito maior do que era capaz de administrar em outras épocas. Notificações, prazos, redes sociais e a pressão por produtividade constante mantêm o cérebro em estado de alerta permanente.

O resultado é uma espécie de excesso de uso da memória. A pessoa pensa demais, revisita as mesmas preocupações várias vezes ao dia e perde a capacidade de filtrar o que realmente importa.

Os sintomas que aparecem no corpo e na mente

Cury lista sinais que vão muito além da sensação de “cabeça cheia”. Dor de cabeça frequente, tensão muscular, queda de cabelo, insônia e irritabilidade fazem parte do quadro. A dificuldade de concentração também é comum, assim como falhas de memória e cansaço mental mesmo após uma noite de sono.

O psiquiatra chama atenção especial para o esgotamento cerebral. As células do cérebro, segundo ele, dão sinais de sobrecarga, mas a rotina acelerada impede que a pessoa perceba isso a tempo.

Por que tanta gente se identifica com o quadro

Executivos, professores, profissionais de saúde e jornalistas aparecem entre os grupos mais afetados, justamente por lidarem com cobrança constante e necessidade de estar sempre atento. Mas o problema não fica restrito aos adultos. Crianças em idade escolar já apresentam sinais parecidos, como irritação fácil e dificuldade de concentração em sala de aula.

A explicação está no ritmo de vida. Multitarefas, estímulos digitais ininterruptos e a sensação de precisar responder tudo na hora treinam o cérebro para funcionar em estado de urgência o tempo todo.

Um alerta importante sobre o diagnóstico

A síndrome do pensamento acelerado não consta na CID-11, da Organização Mundial da Saúde, nem no DSM-5, manual de referência da psiquiatria americana. Profissionais de saúde mental tratam o pensamento acelerado como um sintoma, que pode estar ligado a quadros de ansiedade ou outros transtornos, e não como uma condição isolada com diagnóstico próprio.

Isso não invalida a observação de Cury sobre um padrão real de sofrimento. Mas reforça que a avaliação e o acompanhamento precisam vir de um psicólogo ou psiquiatra, capaz de identificar a causa por trás do sintoma.

O que ajuda a desacelerar a mente

Cury defende mudanças simples de hábito como ponto de partida. Reduzir o uso do celular em momentos de descanso, incluir atividade física na rotina e reservar períodos do dia sem estímulos digitais são medidas que aparecem entre suas recomendações mais repetidas.

A ideia central é treinar a mente para ficar em silêncio por alguns minutos, algo que se tornou raro na rotina moderna. Pequenas pausas ao longo do dia, sem tela e sem tarefa, ajudam o cérebro a sair do estado de alerta constante e recuperar a capacidade de foco.