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Papo mãe

Ficar mais de 30 minutos sentada para amamentar pode fazer mal: entenda os riscos e como ajustar a rotina

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A rotina da amamentação empurra a mãe para o sofá ou para a poltrona várias vezes ao dia. Cada mamada pode levar de 20 a 40 minutos, e em bebês recém-nascidos essa frequência se repete a cada duas ou três horas. O resultado é simples de calcular: a mãe passa boa parte do dia na mesma posição, muitas vezes sem perceber quanto tempo realmente ficou sentada.

Esse hábito, tão automático, merece atenção. O puerpério é, por si só, um período de maior risco para o corpo da mulher, e a imobilidade prolongada entra na lista de fatores que pesam contra a recuperação.

Por que o corpo da mãe fica mais vulnerável no pós-parto

O organismo passa por mudanças profundas depois do parto. O sangue fica mais espesso, um mecanismo natural que ajuda a controlar o sangramento após o nascimento do bebê. Essa mesma característica aumenta a chance de formação de coágulos nas veias das pernas.

O risco de trombose venosa é maior no puerpério do que em qualquer outra fase da vida da mulher. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, esse risco pode chegar a ser dezenas de vezes mais alto nas primeiras semanas após o parto do que fora do período gestacional. A circulação sanguínea depende diretamente do movimento das pernas para funcionar bem, e ficar muito tempo sentada trava esse retorno venoso e favorece o acúmulo de sangue nos membros inferiores.

Os primeiros dez dias após o parto concentram o maior risco. É justamente o período em que a mãe menos se movimenta, seja pela dor, pelo cansaço ou pela dedicação em tempo integral ao recém-nascido.

O sinal de alerta que a mãe não pode ignorar

Inchaço em uma perna, dor na panturrilha e sensação de peso nas pernas pedem avaliação médica imediata. Falta de ar súbita e dor no peito também entram na lista de sinais graves, ligados à possibilidade de o coágulo se deslocar até os pulmões.

Esses sintomas nem sempre aparecem. A prevenção funciona melhor do que a vigilância dos sinais.

Dores nas costas e no quadril também entram na conta

A questão vai além da circulação. Passar longos períodos na mesma postura, muitas vezes curvada para olhar o bebê, sobrecarrega a coluna, o pescoço e os ombros. A tensão se acumula ao longo do dia e se transforma em dor crônica nas costas, uma queixa comum entre mães no primeiro ano após o parto.

O quadril e as pernas também sofrem com a falta de movimento. Os músculos perdem tônus, a circulação linfática fica mais lenta e o inchaço nos tornozelos se torna mais frequente à medida que as horas sentada se acumulam.

Como ajustar a rotina sem abrir mão do conforto na amamentação

Pequenos ajustes bastam. Levantar a cada mamada, mesmo que por poucos minutos, já faz diferença real para a circulação. Caminhar até a cozinha, trocar de cômodo ou simplesmente ficar em pé enquanto o bebê arrota são gestos que quebram a imobilidade prolongada.

Elevar as pernas por vinte a trinta minutos ao longo do dia ajuda o sangue a retornar com mais facilidade para o coração. Essa pausa pode acontecer durante uma soneca do bebê ou em qualquer momento de descanso.

A hidratação também entra nesse cuidado. Beber água ao longo do dia mantém o sangue mais fluido e favorece a circulação, especialmente em dias mais quentes ou em casas com pouca ventilação.

Alongamentos leves de pernas e tornozelos, feitos mesmo sentada, ajudam a manter o fluxo sanguíneo ativo durante as mamadas mais longas. Girar os tornozelos e flexionar os pés algumas vezes já movimenta a musculatura da panturrilha, responsável por bombear o sangue de volta para cima.

Um cuidado que também é autocuidado

A rotina com um recém-nascido consome tempo e energia, e o próprio corpo da mãe acaba em segundo plano. Reservar atenção para o movimento durante essas semanas é parte essencial do cuidado necessário para atravessar o puerpério com mais segurança e menos dor.

Pequenos ajustes ao longo do dia protegem a circulação, aliviam a coluna e tornam a experiência da amamentação mais confortável para quem mais precisa de cuidado nesse momento: a própria mãe.