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Anvisa aprova remédio inédito contra enxaqueca e dá esperança a quem sofre com crises frequentes

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A dor latejante que começa de um lado só da cabeça, a luz que incomoda, o som que parece mais alto do que realmente é, a vontade de se trancar num quarto escuro até tudo passar. Quem convive com enxaqueca sabe que uma crise não é só uma dor de cabeça forte. Ela cancela compromissos, atrasa entregas no trabalho, tira o sono e corta pela metade a energia para cuidar da casa, dos filhos ou de si mesma.

Por isso a notícia chamou atenção de tantas mulheres nesta semana: a Anvisa aprovou o registro do Aquipta (atogepanto), remédio oral criado especificamente para prevenir a doença em adultos que enfrentam quatro ou mais episódios por mês.

O que realmente diferencia a enxaqueca de uma dor de cabeça comum

Cefaleia é o nome médico dado a qualquer dor de cabeça, e existem vários tipos dentro dessa categoria. A enxaqueca, também chamada de migrânea, é um dos mais frequentes e um dos mais incapacitantes. Ela se manifesta como uma dor pulsátil, de forte intensidade, concentrada em apenas um lado da cabeça. Náuseas, vômitos e uma sensibilidade exagerada à luz e ao barulho aparecem junto, tornando qualquer atividade simples praticamente impossível durante a crise.

Em cerca de 20% dos casos a doença vem acompanhada de aura, um conjunto de sintomas neurológicos temporários que surge antes ou durante a dor. Pontos luminosos, manchas na visão e formigamento pelo corpo são os sinais mais comuns desse fenômeno.

Como funciona o novo remédio liberado pela Anvisa

O atogepanto representa uma mudança de estratégia no tratamento da enxaqueca. Diferente dos medicamentos usados para conter uma crise que já começou, ele é tomado de forma contínua, com o objetivo de diminuir o número de episódios ao longo do tempo. Seu mecanismo age bloqueando uma via bioquímica ligada ao receptor CGRP, hoje considerada uma das principais responsáveis pelo desencadeamento das crises. Trata-se da primeira classe de medicamentos orais desenvolvida especialmente para a prevenção da doença.

A aprovação da Anvisa vale tanto para a forma episódica quanto para a forma crônica da enxaqueca, sempre em pacientes com pelo menos quatro crises mensais. Os estudos clínicos que sustentaram essa aprovação, conhecidos como ADVANCE e PROGRESS, registraram uma queda relevante no número de dias com enxaqueca por mês entre os participantes que usaram o remédio, quando comparados ao grupo que recebeu placebo.

Aura, formigamento e o risco de confundir com AVC

Alguns sintomas da enxaqueca com aura se parecem, à primeira vista, com sinais de um AVC. Alterações na visão, dificuldade para falar, dormência ou fraqueza em um lado do corpo podem aparecer nos dois quadros, e isso gera confusão e medo em muita gente. A diferença está na forma como os sintomas evoluem. Na enxaqueca, eles surgem aos poucos e desaparecem conforme a crise avança. No AVC, aparecem de repente e tendem a persistir. Qualquer sintoma neurológico súbito, mesmo em quem já convive com enxaqueca há anos, pede atendimento médico de urgência.

Por que algumas mulheres desenvolvem a doença e outras não

A enxaqueca não tem uma causa única. Genética, hábitos de vida e fatores hormonais se combinam de formas diferentes em cada pessoa. Ter histórico familiar aumenta a chance de desenvolver a condição. Mulheres sem nenhum parente afetado também desenvolvem crises frequentes, assim como parentes de quem tem enxaqueca podem nunca apresentar a doença — a genética pesa, mas não determina sozinha quem será afetado.

As oscilações hormonais merecem atenção especial no público feminino. A queda dos níveis hormonais que antecede a menstruação intensifica as crises em várias pacientes, o que explica por que tantas mulheres relatam dor de cabeça forte nos dias que antecedem o ciclo.

Hábitos que fazem diferença no controle das crises

Sono irregular, jejum prolongado, sedentarismo e estresse estão entre os principais gatilhos das crises de enxaqueca. Manter uma rotina de sono estável, se alimentar em horários regulares e incluir alguma atividade física no dia a dia reduz a frequência dos episódios. Consumo de álcool, certos alimentos e até a suspensão repentina de alguns medicamentos também entram na lista de fatores que desencadeiam uma crise.

Quando vale procurar um neurologista

Nem toda dor de cabeça exige acompanhamento especializado, mas alguns sinais merecem investigação imediata. Dores de início súbito e muito intensas, cefaleia depois de uma batida na cabeça, sintomas neurológicos associados e casos de pessoas com histórico de câncer ou condições que afetam a imunidade estão entre os principais alertas.

A chegada de um novo tratamento amplia as possibilidades para quem sofre com a doença. A decisão sobre iniciar ou trocar uma medicação preventiva deve ser feita junto a um profissional, considerando o histórico e as necessidades de cada paciente. Mais do que aliviar a dor, o objetivo desse tipo de tratamento é devolver à mulher a possibilidade de viver o dia a dia sem o medo constante da próxima crise.