Cabelos
Frizz vira tendência nas passarelas: entenda o cabelo “vivido” que domina os salões e dispensa horas de escova

O cabelo perfeito mudou de endereço. Durante anos, a régua da beleza capilar foi a mesma: fios esticados, ondas simétricas, zero frizz e um acabamento que parecia ter saído direto do salão. Essa régua quebrou. Nas passarelas mais recentes, uma nova estética tomou conta dos bastidores e passou a ditar o que realmente está em alta: o cabelo “vivido”, aquele que carrega textura, movimento e um certo desalinho proposital nos fios.
A moda inverteu a lógica. Em vez de esconder as marcas do dia, o cabelo agora as exibe com orgulho. Isso muda completamente a relação de quem sempre lutou contra o frizz.
O que é o cabelo “vivido” e por que ele conquistou as passarelas
O termo em inglês é lived-in hair, e a tradução mais fiel para o efeito é justamente essa: um cabelo que parece ter vivido o dia. Grifes de peso trouxeram para os desfiles fios com volume irregular, madeixas fora do prumo e um acabamento que foge do polimento absoluto.
A proposta central é simples e provocadora ao mesmo tempo. O cabelo carrega a textura natural, o volume que cresce ao longo das horas e até aquele fio rebelde que insiste em não obedecer o pente. Ele é bonito exatamente por isso.
Essa mudança representa um novo pacto com a beleza natural, onde a imperfeição vira parte do resultado final.
O frizz deixou de ser vilão
Por décadas, o frizz foi tratado como sinônimo de cabelo malcuidado. Toda uma indústria de produtos nasceu com a promessa de eliminá-lo por completo. Agora esse roteiro ganhou um contraponto forte.
No cabelo vivido, o frizz entra como elemento de composição. Ele adiciona volume, quebra a uniformidade e traz um ar mais espontâneo ao penteado. A diferença crucial está no ponto de partida: um cabelo saudável, hidratado e bem cuidado ganha esse acabamento texturizado de propósito. Um cabelo ressecado e danificado apenas parece maltratado.
Esse detalhe separa a tendência de um simples relaxo no cuidado capilar. A base continua exigindo atenção. A etapa final é que muda, aquela que normalmente busca domar cada fio até a exaustão.
Menos controle, mais movimento
A finalização tradicional sempre trabalhou contra o comportamento natural do cabelo. Prancha para alisar, produtos fixadores para conter o volume, escova modeladora para eliminar qualquer sinal de textura. O resultado era bonito, mas engessado.
O cabelo vivido inverte essa equação. O objetivo passa a ser deixar aparecer aquilo que antes era escondido: a ondulação natural, o volume que surge com o passar das horas, a leve bagunça que o vento cria. Um penteado que atravessou o dia tem mais personalidade do que um acabamento robótico e perfeitamente simétrico.
Essa liberdade também alivia a rotina. Menos tempo com ferramentas de calor significa menos dano aos fios e mais praticidade na correria diária.
Como reproduzir o efeito em casa
Essa tendência não exige técnicas complicadas nem produtos caros. Ela pede, na verdade, menos intervenção.
Depois de lavar o cabelo, vale deixar a secagem acontecer de forma mais natural, sem forçar um acabamento excessivamente liso. Para quem gosta de ondas, o segredo está em criar movimentos soltos e depois desfazê-los levemente com os dedos, quebrando qualquer simetria exagerada.
Um spray de textura ou um produto leve aplicado nas pontas reforça esse efeito sem deixar os fios pesados ou engordurados. A régua aqui é clara: quanto menos rígido o resultado parecer, mais alinhado ele está com a proposta da tendência.
O volume que perde a forma horas depois de uma escova também ganha um novo significado. A orientação é deixar o tempo agir, em vez de correr para retocar o penteado. Essa transformação natural do cabelo ao longo do dia compõe o charme do efeito vivido.
Uma nova relação com a beleza natural
O cabelo vivido carrega um recado maior do que uma simples mudança de finalização. Ele propõe aceitar que fios com vida própria também são sinônimo de beleza.
Essa mentalidade conecta com um movimento mais amplo, que valoriza autenticidade no lugar de padronização. O cabelo passa a ser tratado como algo vivo, que se move, reage ao clima e muda de textura ao longo do dia.
A tendência já circula fortemente nas redes sociais e promete ganhar ainda mais força nos próximos meses. Quem cansou de gastar horas na frente do espelho tentando esconder cada fio fora do lugar encontrou, finalmente, uma desculpa estética para relaxar o controle.

Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por animais. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, à proteção animal e comanda sua própria loja (MF Feminina). No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets e dicas de beleza.







