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A Parada LGBT+ de SP completou 30 anos com alegria, celebridades e um aviso que todo eleitor precisa ouvir

A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo 2026 reuniu 14 trios elétricos, grandes nomes da música e uma urna gigante na Avenida Paulista para marcar três décadas de resistência e visibilidade.

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Trinta anos.. Três décadas de resistência, glitter, leques, afeto e muita cor ocupando a Avenida Paulista com uma energia que São Paulo inteira sente. A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo 2026 não foi só festa.

Foi declaração, foi memória e foi, acima de tudo, um chamado coletivo para quem ainda acha que política e diversidade são assuntos separados.

A Paulista como palco de três décadas de existência

A avenida mais famosa do Brasil acordou tomada por fantasias, bandeiras arco-íris, cores da bandeira brasileira e uma multidão que foi para a rua mostrar que existe, que resiste e que não pretende recuar. Os 14 trios elétricos deste ano trouxeram nomes que a comunidade LGBTQIA+ abraça com paixão: Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Pepita, Diego Martins, Jup do Bairro, Melody, MC Soffia, Isma, Katy da Voz, As Abusadas, MC Trans, Zumbicore e Thiago Pantaleão. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também marcou presença no evento. O percurso começou na Paulista e seguiu até a Praça da República, com cada quarteirão sendo tomado por mais alegria e mais gente.

Antes mesmo dos trios ligarem os sistemas de som, o clima já era de celebração. Drags queens circulavam pela avenida acumulando pedidos de foto, gerando aquelas cenas que só a Parada sabe criar. Uma das mais requisitadas foi a DragZonna, que parou para conversar com quem quisesse ouvir.

“A Parada é uma representação importante”, disse ela. “Queremos mostrar nossa resistência e nossa força criativa para esse mundo porque só queremos alegria e colorido. Nosso movimento e nossa existência sempre estão ameaçados e podemos ser pegos de surpresa a qualquer momento para perder nossos direitos. Sempre estão à espreita e precisamos nos juntar para escolhermos boas pessoas que nos representem bem nesse Congresso e nesse governo.”

A cachorrinha que virou símbolo da festa

Nem só de humanos era composta a multidão. A Mel Radical voltou. A cachorrinha que já é presença garantida na Parada desde 2019 apareceu este ano com óculos, roupa colorida e um par de asas, transformada numa das figuras mais fotografadas do evento. Sua dona, a recepcionista Rafaela Fernandes, 33 anos, explica por que leva a pet todos os anos sem falta.

“Ela vem na Parada desde 2019 porque ela representa amor e toda essa vibração de respeito, independente de sexo ou religião. Já eu venho na Parada porque quero demonstrar meu respeito por toda essa comunidade LGBTQIA+. Amo as drags, amo os gays. E estas são as pessoas que mais me respeitam mesmo eu não sendo dessa comunidade. Por isso temos que votar com muita consciência e segurança e pensar nisso muito bem porque essas pessoas podem ser muito prejudicadas dependendo em quem a gente votar.”

Uma cachorrinha com asas no meio da Paulista resumindo tudo o que a Parada representa. Difícil encontrar imagem mais bonita do que essa.

O tema do ano: a urna que entrou na festa

O tema desta edição foi direto ao ponto: “30 Anos Parada SP: a rua convoca, a urna confirma”. Para tornar esse recado visual e impossível de ignorar, a organização colocou uma urna gigante em posição de destaque na Avenida Paulista. Batizada de Votinho, a instalação virou ponto de concentração, foto e debate ao longo de todo o evento.

A mensagem era clara. Votar com consciência é parte da luta. Assim, as cores do arco-íris e as cores da bandeira brasileira se misturaram ao longo do percurso num gesto deliberado de quem sabe que cidadania e orgulho caminham juntos.

Os manifestantes que transformaram política em fantasia

Quem chegou à Paulista encontrou gente de todo tipo e toda origem, mas com o mesmo recado na ponta da língua. O assistente jurídico Wesley Araújo, 29 anos, escolheu aparecer de terno e faixa presidencial para tornar sua mensagem ainda mais visual.

“Estamos na rua para mostrar que nós existimos e resistimos também. A visibilidade é importante para mostrar que não estamos escondidos”, afirmou. E foi além: “Temos que pensar não só no presidente, mas em quem estamos elegendo para deputado ou vereadores porque o presidente sozinho não faz nada. A gente precisa pensar nisso tudo.”

Já o cuidador de idosos Maurício José de Santana, 61 anos, optou pela camisa da seleção brasileira e uma bandeira do país nas mãos. A combinação futebol e Parada gerou conversas, sorrisos e o melhor tipo de surpresa.

“Vim assim para mostrar que o pessoal LGBT+ gosta de futebol, que amamos o Neymar e amamos a seleção brasileira”, disse ele, antes de mudar o tom com a seriedade de quem carrega três décadas de história nessa luta: “Essa Parada pode ser a última da nossa vida, dependendo do que vamos encontrar na eleição que está por vir. É preciso dar resistência e consciência para as pessoas para mostrar que não podemos perder essa luta e essa batalha. Foram 30 anos só de parada e essa é uma conquista imensa. Votem conscientes porque o voto LGBTQIA+ é muito importante porque podemos não ter mais a Parada ou não sermos mais respeitados e termos garantidos os nossos direitos.”

30 anos que ninguém apaga

Três décadas de Parada do Orgulho LGBT+ em São Paulo representam muito mais do que aniversário. Representam direitos conquistados, visibilidade construída e uma geração que aprendeu, na prática, que ocupar o espaço público é também uma forma de proteger o que já existe. A festa de 2026 deixou claro que a comunidade LGBTQIA+ chegou para ficar na rua, nas urnas e em todos os espaços que a sociedade brasileira oferece.

Fonte/Foto: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil

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