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Comportamento

Amor ou pressão social? Pesquisa explica por que as pessoas desejam um relacionamento romântico

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traicao briga namorados - Amor ou pressão social? Pesquisa explica por que as pessoas desejam um relacionamento romântico

Existe uma pergunta que quase ninguém faz em voz alta — mas todo mundo já sentiu em algum momento: você quer um relacionamento porque realmente deseja amar… ou porque acha que deveria? A ideia do par romântico parece quase automática. Filmes reforçam, novelas romantizam, redes sociais exibem casais perfeitos. Só que o desejo de estar com alguém não nasce sempre do mesmo lugar — e é justamente aí que a conversa fica interessante.

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Um estudo conduzido por pesquisadores do departamento de Psicologia da Universidade de Toronto decidiu investigar algo simples, porém profundo: o que realmente motiva alguém a procurar um relacionamento amoroso? A pesquisa, publicada no Personality and Social Psychology Bulletin, analisou mais de 1.200 adultos solteiros e mostrou que o amor, apesar de parecer espontâneo, costuma seguir padrões psicológicos bem definidos.

Spoiler emocional: nem todo mundo busca romance pelo mesmo motivo — e algumas respostas podem surpreender.

O amor não é tão aleatório quanto parece

A pesquisa utilizou como base a Teoria da Autodeterminação, que analisa como desejos humanos são guiados por necessidades internas e externas. Em vez de tratar o romance como algo puramente emocional, os pesquisadores dividiram o desejo por relacionamentos em cinco tipos principais de motivação — além de uma categoria chamada amotivação, quando a pessoa simplesmente não encontra razões claras para se relacionar.

Quando os dados foram aplicados a uma enquete com jovens brasileiros, surgiu um retrato curioso do amor contemporâneo. Em meio a aplicativos de namoro, escolhas infinitas e conexões rápidas, a busca por relacionamento parece menos impulsiva e mais ligada ao autoconhecimento.

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E talvez essa seja a maior virada da geração atual: antes de procurar alguém, muita gente está tentando entender a própria intenção.

Quando o relacionamento faz sentido de verdade

A motivação mais escolhida — com 64% das respostas — foi chamada de motivação identificada. Traduzindo do psicologuês para a vida real: são pessoas que querem um relacionamento porque enxergam valor genuíno nisso.

Não é carência. Não é pressão. É escolha consciente.

Quem se identifica com esse perfil costuma ver o romance como parte significativa da própria trajetória. O relacionamento deixa de ser status e passa a ser construção emocional. É o tipo de motivação que apresenta maior disposição para compromisso, porque nasce de algo interno e não de expectativa externa.

Talvez você conheça alguém assim — ou talvez seja você. Aquela pessoa que não quer qualquer companhia, mas sim uma conexão que realmente faça sentido.

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O medo de ficar sozinho também entra na conta

Nem todas as motivações vêm de um lugar tranquilo. Cerca de 27% dos participantes demonstraram o que os pesquisadores chamam de motivação interior negativa.

Aqui, o relacionamento aparece quase como uma validação pessoal. A ausência de um parceiro pode gerar sensação de fracasso, inadequação ou a impressão de estar “ficando para trás”. Já percebeu como, em certos momentos da vida, parece que todo mundo está namorando menos você?

Esse tipo de motivação costuma nascer da comparação social. A timeline cheia de fotos românticas, casamentos e declarações cria uma narrativa silenciosa: estar sozinho pode parecer errado — mesmo quando não é.

A pergunta que fica é desconfortável, mas necessária: você quer amar alguém ou apenas não quer se sentir excluído?

O prazer de amar pelo simples fato de amar

Outra parcela dos participantes revelou algo mais leve: a motivação intrínseca, escolhida por 25% das pessoas. Nesse caso, o relacionamento é buscado porque simplesmente faz bem.

Estar junto é divertido. Compartilhar experiências é prazeroso. Existe curiosidade emocional, troca e alegria genuína.

Não há grandes justificativas filosóficas nem cobranças internas. É o tipo de amor que nasce do prazer da companhia — quase como quem gosta de viajar ou descobrir músicas novas. A relação vira parte natural da vida, sem peso simbólico exagerado.

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Romântico? Sim. Mas também emocionalmente saudável.

Autoestima e prova pessoal: o romance como conquista

Uma motivação menos comum, mas ainda presente, é a interior positiva, escolhida por 11% dos participantes. Aqui, o relacionamento funciona como reforço emocional.

A pessoa deseja provar para si mesma que é capaz de amar e ser amada. Estar em um relacionamento aumenta a autoestima, gera orgulho e sensação de realização pessoal.

Não necessariamente é algo negativo — afinal, relacionamentos também fortalecem a identidade. O cuidado está em não transformar o outro em ferramenta de validação emocional.

Porque, convenhamos: ninguém sustenta autoestima sozinho dentro de uma relação.

Quando o amor nasce da pressão social

A menor porcentagem da pesquisa, apenas 6%, revelou a motivação externa. Nesse caso, o desejo por um relacionamento vem de fora: família, amigos ou expectativas sociais.

Sabe aquela pergunta clássica nos encontros familiares? “E os namoradinhos?” Pois é. Para algumas pessoas, o romance surge quase como resposta a esse tipo de cobrança.

O curioso é que essa motivação costuma ser a menos estável ao longo do tempo. Relações iniciadas apenas para agradar terceiros tendem a enfrentar mais conflitos, justamente porque não nasceram de uma vontade interna real.

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Afinal, existe motivo certo para querer amar?

O estudo deixa uma mensagem quase libertadora: não existe um único caminho emocional. O desejo por um relacionamento pode surgir por razões diferentes — e todas dizem algo sobre o momento de vida de cada pessoa.

Talvez o verdadeiro ponto não seja encontrar alguém imediatamente, mas entender o próprio motivo antes de entrar em uma história. Porque quando a intenção é clara, as escolhas costumam ser mais leves — e menos frustrantes.

Agora vale a reflexão sincera: você quer viver um romance… ou quer viver a ideia de um romance?