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Comportamento

Após o Carnaval, cresce o número de ISTs no Brasil — entenda por quê

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O Carnaval é sinônimo de alegria, liberdade e encontros intensos. Entre blocos de rua, viagens e novas conexões, o clima de descontração toma conta do país. Contudo, junto com a energia vibrante da folia, cresce também um alerta importante: a prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

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Todos os anos, o período pós-Carnaval registra um aumento significativo na procura por exames e, consequentemente, no número de diagnósticos positivos. Esse movimento revela uma realidade que muitas vezes passa despercebida durante a festa: o risco ampliado de exposição a HIV, sífilis, hepatites virais, gonorreia, clamídia e outras infecções.

Por que o período pós-Carnaval preocupa especialistas

Com o aumento das interações sociais e das relações ocasionais, especialmente quando não há uso consistente de preservativos, a chance de transmissão de ISTs cresce consideravelmente. O especialista em bacteriologia do LANAC – Laboratório de Análises Clínicas, Marcos Kozlowski, reforça que a testagem é uma das principais ferramentas para interromper a cadeia de transmissão.

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“A exposição a infecções como sífilis, HIV e hepatites virais se torna uma realidade preocupante quando não há uso consistente de preservativos. Por isso, realizar exames após relações desprotegidas é fundamental para o diagnóstico precoce e início rápido do tratamento”, destaca.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde indicam que mais de 1 milhão de pessoas contraem ISTs diariamente no mundo, somando aproximadamente 374 milhões de novos casos anuais de sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase. No Brasil, os números também exigem atenção. O Boletim Epidemiológico de HIV/Aids e IST mais recente aponta crescimento nos diagnósticos de sífilis adquirida e manutenção de taxas elevadas de novos casos de HIV, com destaque para a Região Sul entre as maiores proporções do país.

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No Paraná, por exemplo, a tendência acompanha o cenário nacional. Segundo Kozlowski, o LANAC realiza cerca de 200 testes diários para sífilis, com taxa de positividade entre 10% e 12%, o que representa aproximadamente 600 diagnósticos positivos por mês. Em relação ao HIV, são cerca de 200 exames diários, com taxa de positividade próxima de 1%, totalizando aproximadamente 60 confirmações mensais.

A importância da testagem mesmo sem sintomas

Um dos maiores desafios no combate às Infecções Sexualmente Transmissíveis é o fato de que muitas delas podem permanecer assintomáticas nos estágios iniciais. A ausência de sinais visíveis não significa ausência de infecção.

A sífilis, por exemplo, é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode apresentar manifestações discretas no início, evoluindo, se não tratada, para complicações que atingem órgãos internos e até o sistema nervoso. O diagnóstico precoce, portanto, faz toda a diferença na evolução do quadro e na prevenção de danos mais graves. Kozlowski explica que, no caso do HIV, há protocolos rigorosos para garantir a precisão dos resultados.

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“Sempre que um resultado positivo é identificado, o teste é repetido para garantir a precisão e evitar falsos positivos. O falso negativo pode ocorrer apenas dentro da chamada janela imunológica, que varia de 15 a 30 dias após a exposição. Fora desse período, com os protocolos corretamente seguidos, a chance de erro é mínima”, esclarece.

A chamada janela imunológica é um conceito essencial quando se fala em testagem. Trata-se do intervalo entre a possível exposição ao vírus e o momento em que o organismo já produziu anticorpos detectáveis nos exames. Por isso, repetir o teste no tempo adequado é parte fundamental da estratégia de cuidado.

Março: o mês que revela o impacto da folia

Historicamente, março concentra maior volume de exames e diagnósticos positivos. Esse comportamento não é coincidência. “Março costuma ser um dos períodos com mais resultados reagentes para ISTs. Isso reflete o impacto direto dos comportamentos de risco durante as férias e as festividades. Por isso, a recomendação é buscar testagem mesmo sem sintomas”, afirma o especialista.

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Esse dado reforça a importância da conscientização contínua, não apenas durante o Carnaval, mas ao longo de todo o ano. Afinal, a prevenção não deve ser sazonal.

Prevenção: informação, cuidado e responsabilidade coletiva

Embora o tratamento das ISTs tenha evoluído significativamente, a prevenção ainda é a estratégia mais eficaz para reduzir a transmissão. O uso correto e consistente de preservativos, aliado à informação de qualidade e à realização periódica de exames, forma a base de uma resposta responsável em saúde pública.

Além disso, falar abertamente sobre saúde sexual contribui para reduzir estigmas e ampliar o acesso ao diagnóstico. Informação clara e baseada em dados é uma ferramenta poderosa para que cada pessoa possa fazer escolhas mais seguras.

“A prevenção é uma responsabilidade coletiva. Informação, conscientização e práticas sexuais seguras são fundamentais para um Carnaval mais seguro e para a redução das ISTs ao longo do ano”, conclui Kozlowski.

O brilho do Carnaval passa, mas o cuidado com a saúde deve permanecer. Assim, celebrar com consciência é também uma forma de amor-próprio — e de respeito com quem está ao seu lado.