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Crianças no modo “sem tela”: entenda por que vale a pena e veja o que fazer no lugar do celular e do videogame

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crianca escola - Crianças no modo “sem tela”: entenda por que vale a pena e veja o que fazer no lugar do celular e do videogame

O celular está na mão das crianças cada vez mais cedo, e a rotina de muitas famílias já gira em torno de vídeos, jogos e aplicativos. A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostra o tamanho desse hábito: 92% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos usam internet no país, o que representa 24,5 milhões de pessoas. Para 96% delas, o celular é a porta de entrada para esse mundo digital, e 74% acessam a internet várias vezes ao dia.

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Esses números explicam por que reduzir o tempo de tela no dia a dia gera tanta discussão entre pais e responsáveis. A proposta amplia o repertório das crianças, com experiências que estimulam a criatividade, o convívio e a imaginação para além da tela.

Por que vale a pena diminuir o tempo de tela no cotidiano

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o uso de dispositivos digitais respeite a idade e a etapa de desenvolvimento de cada criança. A entidade reforça a importância de equilibrar esse tempo com convivência familiar, atividade física, contato com a natureza e momentos de descanso.

Esse equilíbrio amplia as possibilidades da infância. Quando a criança tem acesso a diferentes formas de ocupar o tempo, ela exercita a escolha e descobre interesses que talvez nunca aparecessem numa tela. Esse direito está previsto na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, que garantem acesso à cultura, ao lazer e ao brincar.

Brincadeiras simples resolvem a tarde inteira

Brincar continua sendo uma das ferramentas mais poderosas para o desenvolvimento infantil. Uma cabana montada com lençóis, uma caça ao tesouro organizada na sala, um desenho feito à mão ou um jogo de bola no quintal exigem pouco investimento e entregam muito em troca. Essas atividades pedem tempo disponível, presença de um adulto por perto e espaço para a imaginação funcionar sem roteiro pronto.

A Fundação Abrinq disponibiliza gratuitamente o e-book “Brincar Junto! Guia de brincadeiras para crianças e adultos”, com atividades pensadas para serem feitas em família. Entre as sugestões estão brincadeiras como Prancha de Pirata, Bola no Labirinto, Foguete Turbo e Teia Gigante, todas adaptáveis ao espaço disponível, aos materiais em casa e à idade de cada criança.

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Ideias práticas para ocupar as crianças longe do celular

Trocar a rotina digital por outras experiências fica mais fácil com pequenas mudanças de hábito. Uma visita à biblioteca permite que a criança escolha o próprio livro e construa uma relação mais afetiva com a leitura. Um passeio por um museu, um centro cultural ou uma exposição costuma oferecer programação gratuita ou acessível para diferentes idades, e pode virar programa de fim de semana fixo.

Explorar a cidade também funciona bem nesse propósito. Uma praça, um parque, uma feira livre ou um ponto histórico do bairro vira oportunidade de observação e descoberta, mesmo sem sair muito longe de casa. Brincadeiras tradicionais como amarelinha, pega-pega, esconde-esconde e jogos de tabuleiro seguem reunindo gerações diferentes em volta da mesma atividade, e cabem em qualquer tarde da semana.

Criar algo junto rende tanto entretenimento quanto lembrança. Cozinhar uma receita simples, montar um brinquedo com material reciclado, inventar uma história ou preparar uma pequena apresentação em família ocupa a tarde inteira e fortalece o vínculo entre adultos e crianças.

Deixar espaço para o ócio também faz parte dessa proposta. Um tempo livre, sem atividade definida, permite que a criança invente sozinha o que fazer e desenvolva autonomia nessa escolha.

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Como transformar isso em hábito, não em exceção

A diferença entre uma iniciativa pontual e uma mudança real de rotina está na constância. Reservar um horário fixo na semana, sem celular nem televisão, ajuda a criança a se acostumar com esse espaço de tempo livre e, aos poucos, a buscar outras formas de ocupação por conta própria. Um fim de tarde na praça, uma noite de jogo de tabuleiro ou um sábado na biblioteca funcionam melhor quando viram parte do calendário da família, e não apenas uma ação isolada.

Uma infância com mais possibilidades de descoberta

A tecnologia seguirá presente na infância e na adolescência. O desafio está em impedir que ela se torne a única fonte de entretenimento, aprendizado e descanso disponível para as crianças. O acesso à leitura, à cultura, aos passeios e às brincadeiras amplia o repertório infantil e abre espaço para que a criança conheça lugares, histórias e formas de expressão que vão além da tela.

Trocar algumas horas de celular por um livro, um passeio ou uma brincadeira em família é um convite simples e acessível, em qualquer época do ano. Para muitas crianças, essa troca representa a descoberta de um interesse novo, uma habilidade que ainda não tinha aparecido ou simplesmente uma tarde de atenção total dos adultos ao seu redor.

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Informações: fadc.org.br