Comportamento
Depois do Carnaval, o ano (de verdade) começa: dicas reais de produtividade e bem-estar para 2026 que você vai querer salvar
Pode jogar a primeira pedra quem nunca disse, com toda a convicção do mundo, aquela frase que o Brasil inteiro repete desde sempre: “o ano só começa depois do Carnaval.” Pois é. Não é preguiça, não é falta de ambição. É cultura. É quase um acordo coletivo não escrito que faz com que janeiro e fevereiro existam numa espécie de limbo produtivo, onde os planos ficam em modo avião esperando a quarta-feira de cinzas chegar.
Só que aí vem o problema. Quando a folia acaba, a culpa aparece. E junto com ela, aquela lista de metas que cresceu enquanto você sambava.
O “modo espera” que o Brasil inteiro entra
Segundo Maria de Lurdes Zamora Damião, especialista em Desenvolvimento Gerencial e Gestão de Carreira na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP, essa crença vai muito além do folclore. Ela impacta de verdade o planejamento, a motivação e até o bem-estar emocional de muita gente.
“Até o Carnaval passar, é como se o tempo ficasse suspenso. Isso cria um atraso simbólico que afeta metas, produtividade e até a motivação”, explica a especialista. E o pior não é o atraso em si. O problema real aparece quando, com a ressaca da folia ainda fresca, as pessoas tentam compensar tudo de uma vez. Agenda lotada, metas irreais, pressão do tamanho de um trio elétrico. “Esse movimento gera estresse, ansiedade, exaustão e frustração”, alerta Maria de Lurdes.
Você se reconheceu nisso? Porque a maioria de nós sim.
O pós-Carnaval como segundo réveillon
A virada aqui não está em negar a cultura brasileira ou fingir que janeiro é janeiro como em qualquer outro país. A proposta é outra, e bem mais inteligente. Maria de Lurdes sugere ressignificar esse modelo mental, enxergando o período pós-folia não como um atraso a ser compensado, mas como uma oportunidade real de recomeço consciente, um verdadeiro “segundo réveillon”.
“É o momento ideal para reorganizar prioridades, redefinir metas e estruturar rotinas mais saudáveis e eficientes”, afirma a especialista. Pensa bem: você está descansada, celebrou, renovou energias. Por que não usar essa virada como ponto de partida com mais intenção?
Essa mudança de perspectiva muda tudo. Sai a culpa, entra o planejamento. Sai a correria ansiosa, entra o ritmo sustentável.
Como retomar o ritmo sem entrar em colapso
A especialista da FECAP elenca alguns princípios que fazem toda a diferença na hora de retomar o ano sem se destruir no processo. O primeiro deles é a proatividade, que nesse contexto significa assumir o controle do próprio ritmo em vez de ficar esperando que as circunstâncias ditem o andamento da sua vida.
Junto com isso vem a clareza de objetivos, ou seja, definir metas que sejam realistas e sazonais, começando pelo que realmente importa agora, não por uma lista gigante de resoluções de ano novo que já estava expirada em janeiro. A prioridade consciente entra aqui como filtro: focar no essencial e largar o excesso de tarefas que só gera a sensação de que você está sempre atrasada.
Tem mais. A escuta ativa dos próprios limites, tanto físicos quanto emocionais, é o que separa quem retoma o ano com energia de quem chega em março já no limite. E o autocuidado contínuo, que não é luxo nem frescura, aparece como pilar central de tudo isso: sono de qualidade, alimentação que nutre de verdade, movimento no corpo e, sim, menos tempo colada nas telas.
“Pequenas mudanças na rotina, como melhorar a qualidade do sono, cuidar da alimentação, praticar atividades físicas e reduzir o tempo excessivo nas telas, já geram impactos significativos no foco, na energia e na disposição”, reforça Maria de Lurdes.
O celular que não larga a sua mão, e a sua saúde mental
Falando em telas, esse é um ponto que merece atenção especial. A hiperconectividade não é só um incômodo moderno. Ela compromete a concentração, amplifica a sensação de sobrecarga e ainda alimenta aquela comparação constante nas redes que deixa qualquer uma com a autoestima no chão.
Para a especialista, a solução passa por estabelecer limites digitais reais. Criar períodos de desconexão ao longo do dia não é desaparecer do mundo, é proteger o foco e a saúde mental. Será que a notificação que chegou agora é mais urgente do que o seu equilíbrio? Spoiler: raramente é.
2026 começa agora, com ou sem sambinha
O recado de Maria de Lurdes para quem quer que 2026 seja diferente é direto ao ponto: trate o pós-Carnaval como um novo marco de início. “Mais do que correr atrás do tempo perdido, é preciso criar tempo de qualidade, com rotinas sustentáveis que unam eficiência, equilíbrio e leveza”, resume.
E tem um bônus nessa equação que a especialista levanta e que faz todo sentido. O Carnaval, com toda a sua alegria, encontro e celebração, pode ser combustível. Aquela energia da folia não precisa ficar só na avenida. “Transformar a festa em combustível para um ano mais humano, produtivo e inspirador” é, segundo ela, talvez o maior princípio de todos.
Então, bora começar 2026 de verdade? A quarta-feira de cinzas já passou, o confete já foi varrido, e o ano inteiro ainda está na sua frente esperando. Conta aqui nos comentários: qual é a primeira meta que você está colocando em prática agora?

Maira Morais, é Mãe, Makeup e influenciadora digital que se destaca no universo da beleza por sua criatividade e técnica refinada. No mercado a anos, decidiu compartilhar dicas de maquiagens, beleza, maternidade e demais inspirações para o universo das mulheres.
