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Ônibus Elétrico Custa R$ 5 mil por Mês para Rodar — Contra R$ 25 mil do Diesel

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onibus Ônibus Elétrico Custa R$ 5 mil por Mês para Rodar — Contra R$ 25 mil do Diesel

Imagine a mesma rota, o mesmo corredor, o mesmo motorista — e uma diferença de R$ 20 mil por mês só no que sai do caixa para manter o veículo rodando. É exatamente essa a conta que São Paulo está fazendo ao trocar seus ônibus a diesel por modelos elétricos, e os resultados já aparecem em números concretos.

Na última quarta-feira, a capital paulista recebeu mais 110 ônibus elétricos, em um evento realizado em frente ao Pacaembu, na zona Oeste. A entrega não foi simbólica: junto com os veículos, a prefeitura apresentou uma projeção que muda a forma de enxergar o transporte coletivo urbano — não só pelo impacto ambiental, mas pelo impacto financeiro.

A Diferença que Ninguém Consegue Ignorar

Um ônibus a diesel consome, em média, R$ 25 mil por mês em combustível nas ruas de São Paulo. O equivalente elétrico fecha o mês com uma conta energética de cerca de R$ 5 mil. São R$ 20 mil de diferença — todo mês, por veículo.

“São R$ 20 mil por mês de economia. Depois de 10 anos, o elétrico já se pagou”, afirmou o prefeito Ricardo Nunes durante o evento.

O argumento costuma esbarrar no preço de aquisição, que ainda é significativamente mais alto para os modelos elétricos. Mas quando se estica o horizonte para uma década — o ciclo de vida útil típico de um coletivo urbano —, a conta vira. E vira com folga.

O ponto é que a transição deixou de ser uma promessa futurista para se tornar uma decisão financeira racional. Cidades que adiam essa mudança estão, na prática, escolhendo pagar mais caro para manter o que já têm.

O que São Paulo Já Tem na Rua

Com a entrega desta semana, a frota elétrica da capital paulista chega a 1.259 ônibus elétricos em operação — sendo 1.107 modelos a bateria e 189 trólebus. São números que colocam São Paulo entre as maiores frotas eletrificadas de transporte público das Américas.

Dos 110 veículos entregues, 53 são fabricados pela Eletra Industrial, empresa brasileira que responde por 712 dos coletivos elétricos que hoje circulam na cidade — incluindo os 189 trólebus e 523 ônibus a bateria. É uma fatia expressiva, e não por acaso.

O que chama atenção mesmo é a composição técnica desses 53 novos veículos: plataforma Mercedes-Benz, carroceria Caio e sistema de baterias e motores da WEG — conjunto montado inteiramente no Brasil. Não é apenas uma escolha industrial; é um posicionamento estratégico que tenta mostrar que o país tem capacidade de produzir essa tecnologia sem depender de importação.

Entre os modelos entregues, três unidades são do e-Articulado, com impressionantes 21 metros de comprimento, projetados para corredores de alta demanda. Os demais são do tipo e-Básico, voltados às linhas convencionais da cidade. Os articulados foram para a Viação Metrópole Paulista, enquanto Transunião e Allibus receberam os modelos convencionais — todas operadoras com atuação concentrada na zona Leste.

Fabricação Nacional como Pilar da Estratégia

A Eletra não surgiu como uma startup de tecnologia que resolveu entrar no mercado de ônibus. A empresa nasceu dentro de um grupo operador de transporte coletivo — o que faz diferença no produto final. Quem já operou frota sabe exatamente onde o veículo quebra, o que o motorista reclama e qual detalhe de manutenção vira dor de cabeça em escala. Esse histórico se reflete nos projetos.

Atualmente, a fabricante desenvolve ônibus nas versões trólebus, híbrida e 100% elétrica a bateria, além de realizar retrofit de veículos pesados — processo que consiste em substituir o motor a diesel de um ônibus existente por um sistema elétrico, prolongando sua vida útil com menor impacto ambiental.

A empresa também inaugurou recentemente uma nova unidade industrial em São Bernardo do Campo (SP), com capacidade declarada de produzir até 2.700 ônibus por ano. Só em 2026, a previsão é de que cerca de 600 novos veículos sejam entregues à capital paulista.

Além do Combustível: O Que a Eletrificação Muda na Cidade

A economia de R$ 20 mil mensais por veículo é o argumento mais direto, mas não é o único. A eletrificação da frota reduz emissões de CO₂ e de material particulado — poluente que afeta diretamente a saúde respiratória da população urbana. Em uma cidade como São Paulo, onde o trânsito congestionado significa motores girando em marcha lenta por horas, o impacto acumulado é considerável.

Ônibus elétrico também opera de forma mais silenciosa, o que altera a experiência em corredores e terminais movimentados. Na prática, isso significa menos ruído para passageiros, moradores do entorno e motoristas que passam horas dentro do veículo.

A manutenção, embora ainda exija adaptação das garagens e capacitação das equipes, tende a ser menos frequente em motores elétricos — que têm menos peças móveis e sofrem menos desgaste mecânico comparado a um motor a combustão interna submetido à operação urbana intensa.

O Caminho que Ainda Falta Percorrer

São Paulo avança, mas 1.259 ônibus elétricos ainda representam uma fração da frota total da cidade, que supera os 15 mil veículos. A eletrificação completa é um horizonte de longo prazo, que depende de investimento contínuo, expansão da infraestrutura de recarga e política industrial sustentada.

O que os números desta semana deixam claro é que o modelo funciona — tecnicamente e financeiramente. A indústria nacional tem capacidade produtiva. A conta de longo prazo favorece a troca. E a cidade já tem experiência operacional acumulada para escalar o processo.

O transporte público elétrico deixou de ser experimento. Em São Paulo, ele já é rotina para mais de mil veículos que rodam todos os dias — e a conta de luz, no fim do mês, é bem diferente do que a de combustível.