{"id":12855,"date":"2025-09-30T08:36:26","date_gmt":"2025-09-30T11:36:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/ellasnovolante\/?p=12855"},"modified":"2025-09-30T08:36:29","modified_gmt":"2025-09-30T11:36:29","slug":"ipva-em-queda-reforma-tributaria-e-tarifas-internacionais-desafiam-municipios-com-alta-frota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/ellasnovolante\/ipva-em-queda-reforma-tributaria-e-tarifas-internacionais-desafiam-municipios-com-alta-frota\/","title":{"rendered":"IPVA em queda, Reforma Tribut\u00e1ria e tarifas internacionais desafiam munic\u00edpios com alta frota"},"content":{"rendered":"\n<p>A decis\u00e3o do Governo do Estado de reduzir a al\u00edquota do <strong>IPVA de 3,5% para 1,9%<\/strong> trouxe um f\u00f4lego imediato para motoristas paranaenses, mas acendeu o sinal vermelho nas prefeituras. <strong>Curitiba<\/strong>, com sua frota superior a <strong>1,8 milh\u00e3o de ve\u00edculos<\/strong>, calcula uma perda de <strong>at\u00e9 R$ 400 milh\u00f5es por ano<\/strong> nas receitas provenientes desse imposto. A capital recebe metade de todo o valor arrecadado com o licenciamento de ve\u00edculos em sua regi\u00e3o, o que torna o tributo essencial para manter a m\u00e1quina p\u00fablica girando \u2014 especialmente em \u00e1reas como mobilidade, pavimenta\u00e7\u00e3o e infraestrutura urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o secret\u00e1rio de Planejamento e Finan\u00e7as da cidade, <strong>Vitor Puppi<\/strong>, a \u00fanica forma de neutralizar esse impacto seria praticamente dobrar o n\u00famero de ve\u00edculos licenciados \u2014 um cen\u00e1rio considerado improv\u00e1vel. A alternativa discutida com o Estado passa por uma <strong>revis\u00e3o dos repasses de ICMS<\/strong>, com mudan\u00e7as nos crit\u00e9rios do <strong>\u00cdndice de Participa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios (IPM)<\/strong>, que define como o bolo da arrecada\u00e7\u00e3o \u00e9 dividido.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, cidades com forte produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e menor densidade urbana t\u00eam levado vantagem nesse \u00edndice, o que gera desequil\u00edbrios para polos urbanos com grande frota e infraestrutura mais complexa. O desafio, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas cont\u00e1bil: \u00e9 estrutural.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A corda fiscal e o efeito domin\u00f3 das tarifas dos EUA<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro componente que pressiona a estrutura fiscal municipal vem de fora do Brasil \u2014 literalmente. A imposi\u00e7\u00e3o de tarifas sobre <strong>produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos<\/strong>, incluindo componentes da ind\u00fastria automotiva e m\u00e1quinas industriais, j\u00e1 preocupa a equipe econ\u00f4mica curitibana.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-wp-quads-adds\">[quads id=2]<\/div>\n\n\n\n<p>Entre janeiro e agosto deste ano, <strong>os EUA foram o quinto maior destino das exporta\u00e7\u00f5es de Curitiba<\/strong>, representando <strong>6,2% do total negociado (US$ 89 milh\u00f5es)<\/strong>. Os produtos mais enviados incluem <strong>autom\u00f3veis, tratores, instrumentos \u00f3pticos e m\u00e9dicos, al\u00e9m de m\u00e1quinas industriais<\/strong> \u2014 todos com forte liga\u00e7\u00e3o ao parque industrial automotivo da capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a pol\u00edtica tarif\u00e1ria adotada pela gest\u00e3o americana, que retoma o endurecimento comercial iniciado na era Trump, esse n\u00famero pode cair, reduzindo a competitividade das empresas locais e, por consequ\u00eancia, o volume de impostos arrecadados indiretamente pelo munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, Curitiba aparece como <strong>segunda cidade do Paran\u00e1 com maior volume de exporta\u00e7\u00f5es para os EUA<\/strong>, atr\u00e1s apenas de Campo Largo, o que refor\u00e7a o risco de impacto direto na cadeia econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reforma Tribut\u00e1ria: nova engrenagem, menos autonomia<\/h2>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio se complica ainda mais com a chegada da <strong>Reforma Tribut\u00e1ria<\/strong>, prevista para come\u00e7ar a ser implementada em fase de testes em 2026. O ponto mais sens\u00edvel para os munic\u00edpios \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do <strong>Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS)<\/strong>, que <strong>substituir\u00e1 tributos como o ISS e o ICMS<\/strong>. Embora a proposta traga promessas de simplifica\u00e7\u00e3o e maior transpar\u00eancia, <strong>a perda de autonomia na gest\u00e3o dos impostos municipais<\/strong> \u00e9 evidente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-wp-quads-adds\">[quads id=2]<\/div>\n\n\n\n<p>Com o IBS, a fiscaliza\u00e7\u00e3o e o recolhimento passam a ser responsabilidade de um <strong>Comit\u00ea Gestor Nacional<\/strong>, que ter\u00e1 <strong>54 membros<\/strong> \u2014 27 dos Estados (j\u00e1 definidos) e 27 dos munic\u00edpios (ainda indefinidos). O temor de prefeitos e secret\u00e1rios \u00e9 perder n\u00e3o apenas o poder de decis\u00e3o sobre al\u00edquotas, mas tamb\u00e9m a agilidade na gest\u00e3o das finan\u00e7as locais.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a exigir\u00e1 a adapta\u00e7\u00e3o de sistemas tribut\u00e1rios, treinamentos t\u00e9cnicos e a constru\u00e7\u00e3o de uma nova l\u00f3gica fiscal, o que gera <strong>custo operacional alto<\/strong> e <strong>incertezas sobre previsibilidade de receita<\/strong> \u2014 especialmente em cidades com economia urbana forte e depend\u00eancia de servi\u00e7os, como \u00e9 o caso de Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os reflexos no setor automotivo urbano<\/h2>\n\n\n\n<p>A jun\u00e7\u00e3o desses fatores \u2014 <strong>queda do IPVA, inseguran\u00e7a tribut\u00e1ria e redu\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es automotivas<\/strong> \u2014 coloca em risco investimentos estrat\u00e9gicos na mobilidade urbana, malha vi\u00e1ria e, por extens\u00e3o, no pr\u00f3prio mercado automotivo local. Com menos recursos, a tend\u00eancia \u00e9 que projetos de infraestrutura e incentivos \u00e0 renova\u00e7\u00e3o de frota sejam congelados ou desacelerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o impacto da Reforma Tribut\u00e1ria tamb\u00e9m pode atingir <strong>montadoras, oficinas e concession\u00e1rias<\/strong>, principalmente em quest\u00f5es como <strong>carga tribut\u00e1ria sobre pe\u00e7as, servi\u00e7os e insumos<\/strong>, al\u00e9m do novo regime de apura\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o est\u00e1 claro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para uma cidade com voca\u00e7\u00e3o industrial e automotiva como Curitiba, essas mudan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o apenas n\u00fameros: s\u00e3o engrenagens que movimentam empregos, abastecem as ruas e influenciam diretamente o comportamento de consumo de milhares de motoristas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do Governo do Estado de reduzir a al\u00edquota do IPVA de 3,5% para 1,9% trouxe um f\u00f4lego imediato para motoristas paranaenses, mas acendeu o sinal vermelho nas prefeituras. 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