{"id":14138,"date":"2026-06-23T10:05:26","date_gmt":"2026-06-23T13:05:26","guid":{"rendered":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/ellasnovolante\/?p=14138"},"modified":"2026-06-23T10:05:27","modified_gmt":"2026-06-23T13:05:27","slug":"a-virada-que-ninguem-esperava-brasileiros-estao-voltando-a-preferir-carros-a-combustao-e-os-numeros-provam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/ellasnovolante\/a-virada-que-ninguem-esperava-brasileiros-estao-voltando-a-preferir-carros-a-combustao-e-os-numeros-provam\/","title":{"rendered":"A virada que ningu\u00e9m esperava: brasileiros est\u00e3o voltando a preferir carros a combust\u00e3o, e os n\u00fameros provam"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Havia uma narrativa muito bem constru\u00edda nos \u00faltimos anos: o futuro era el\u00e9trico, o consumidor estava mudando de mentalidade e a combust\u00e3o tinha prazo de validade. Ent\u00e3o vieram os n\u00fameros de uma das maiores pesquisas do setor automotivo global, e essa narrativa precisou ser revisada. Com urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <strong>\u00cdndice de Mobilidade do Consumidor<\/strong>, estudo conduzido pela consultoria EY para mapear as <strong>tend\u00eancias de compra no mercado automotivo<\/strong>, trouxe um dado que vai dar o que falar: a prefer\u00eancia por <strong>ve\u00edculos a combust\u00e3o<\/strong> no Brasil saltou de 35% para 49% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 edi\u00e7\u00e3o anterior da pesquisa. Quase metade dos consumidores brasileiros, quando perguntados sobre sua pr\u00f3xima compra, aponta para um carro com motor a gasolina ou etanol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dado contrasta diretamente com o que acontece do lado el\u00e9trico. A prefer\u00eancia pelos <strong>carros totalmente el\u00e9tricos<\/strong> permaneceu estagnada em apenas 9% das inten\u00e7\u00f5es de compra. Um n\u00famero que n\u00e3o cresce, n\u00e3o avan\u00e7a e n\u00e3o anima os entusiastas da eletrifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O recuo dos eletrificados vai al\u00e9m dos el\u00e9tricos puros<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o olhar se amplia para incluir todo o espectro de ve\u00edculos com algum grau de eletrifica\u00e7\u00e3o, como h\u00edbridos plug-in e h\u00edbridos convencionais, o cen\u00e1rio piora ainda mais. Segundo a EY, a prefer\u00eancia por esse grupo recuou 17 pontos percentuais em 2025 na compara\u00e7\u00e3o com o levantamento anterior, chegando a 40% das inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro desse grupo, os <strong>carros h\u00edbridos<\/strong> foram a \u00fanica tecnologia que avan\u00e7ou, ainda que discretamente. A prefer\u00eancia por h\u00edbridos subiu um ponto percentual, alcan\u00e7ando 18% das inten\u00e7\u00f5es de compra. Um crescimento modesto, mas que indica que a transi\u00e7\u00e3o gradual ainda tem alguma tra\u00e7\u00e3o entre os consumidores brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A infraestrutura de recarga segue sendo o principal obst\u00e1culo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi fundo nos motivos pelo quais os brasileiros resistem aos <strong>ve\u00edculos el\u00e9tricos<\/strong>, e a resposta mais recorrente n\u00e3o tem nada a ver com prefer\u00eancia est\u00e9tica ou desempenho. O problema \u00e9 pr\u00e1tico, concreto e de dif\u00edcil resolu\u00e7\u00e3o no curto prazo: a <strong>infraestrutura de carregamento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os consumidores que afirmam n\u00e3o ter inten\u00e7\u00e3o de comprar um el\u00e9trico, 36% apontam a aus\u00eancia de estrutura para recarga em casa ou no trabalho como principal barreira. Outros 33% citam a escassez de <strong>esta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de recarga<\/strong> pelo pa\u00eds. A soma dos dois grupos revela que mais de um ter\u00e7o dos consumidores est\u00e1 simplesmente impossibilitado de adotar essa tecnologia no estilo de vida que leva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lista de preocupa\u00e7\u00f5es segue. A <strong>substitui\u00e7\u00e3o de baterias<\/strong> aparece como obst\u00e1culo para 28% dos entrevistados, empatada com o <strong>pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o<\/strong> dos modelos el\u00e9tricos. Outros 21% acreditam que os custos de manuten\u00e7\u00e3o podem surpreender negativamente, e 17% demonstram preocupa\u00e7\u00e3o com a <strong>autonomia dos ve\u00edculos el\u00e9tricos<\/strong> e os gastos relacionados ao carregamento em estradas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tens\u00f5es globais tamb\u00e9m empurram consumidores para o adiamento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conjuntura internacional tamb\u00e9m pesou na decis\u00e3o de compra dos brasileiros. Segundo a EY, 39% dos entrevistados afirmaram estar adiando ou repensando a compra de um <strong>carro el\u00e9trico<\/strong> por causa de gargalos log\u00edsticos e tarifas vinculadas \u00e0s tens\u00f5es geopol\u00edticas globais. O cen\u00e1rio de incertezas econ\u00f4micas, somado \u00e0 instabilidade nas cadeias de suprimentos, cria um ambiente pouco favor\u00e1vel para decis\u00f5es de compra de alto valor e tecnologia nova.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, 46% dos consumidores disseram que seus planos de compra permanecem inalterados. E 11% foram mais diretos: desistiram completamente da ideia de adquirir um el\u00e9trico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que ainda motiva quem pensa nos el\u00e9tricos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do cen\u00e1rio adverso, existem fatores que sustentam o interesse por essa tecnologia entre uma parcela dos consumidores. O <strong>aumento no pre\u00e7o dos combust\u00edveis<\/strong> aparece como principal raz\u00e3o para considerar um el\u00e9trico, citado por 38% dos entrevistados. A <strong>preocupa\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong> empata nesse mesmo percentual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sequ\u00eancia surgem argumentos como maior <strong>autonomia dos ve\u00edculos<\/strong> (30%), menor custo total de propriedade ao longo do tempo (29%), <strong>desempenho superior<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o aos modelos convencionais (28%), facilidade de manuten\u00e7\u00e3o (25%) e amplia\u00e7\u00e3o da oferta de modelos dispon\u00edveis no mercado brasileiro (16%).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1, por\u00e9m, um sinal que merece aten\u00e7\u00e3o. A <strong>preocupa\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong> vem perdendo for\u00e7a como motivador de compra ao longo dos anos. Segundo o estudo da EY, esse argumento era citado por 46,5% dos consumidores em edi\u00e7\u00f5es anteriores. Agora aparece em 38,3% das respostas. A queda \u00e9 consistente e revela que o apelo ecol\u00f3gico, sozinho, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente para convencer o brasileiro m\u00e9dio a migrar para a tecnologia el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Eletrifica\u00e7\u00e3o vai avan\u00e7ar, mas em etapas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A leitura da EY para esse cen\u00e1rio \u00e9 de que a <strong>transi\u00e7\u00e3o para a mobilidade el\u00e9trica<\/strong> no Brasil ser\u00e1 mais lenta e mais seletiva do que muitos projetavam. A eletrifica\u00e7\u00e3o dever\u00e1 avan\u00e7ar primeiro nos segmentos onde o custo operacional faz diferen\u00e7a financeira real e imediata: <strong>frotas corporativas<\/strong>, log\u00edstica urbana, transporte coletivo, opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o, aeroportos e ve\u00edculos de alta utiliza\u00e7\u00e3o di\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o consumidor pessoa f\u00edsica, a mudan\u00e7a depende de uma equa\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o fecha: pre\u00e7o de aquisi\u00e7\u00e3o mais acess\u00edvel, <strong>rede de recarga<\/strong> capilarizada e confi\u00e1vel, e baterias com vida \u00fatil longa o suficiente para justificar o investimento. Enquanto esses tr\u00eas elementos n\u00e3o se alinharem, a <strong>combust\u00e3o<\/strong> segue como a escolha dominante da maioria dos brasileiros. Os dados da pesquisa confirmam: pelo menos no curto prazo, essa prefer\u00eancia n\u00e3o tem sinal de recuo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia uma narrativa muito bem constru\u00edda nos \u00faltimos anos: o futuro era el\u00e9trico, o consumidor estava mudando de mentalidade e a combust\u00e3o tinha prazo de validade. Ent\u00e3o vieram os n\u00fameros de uma das maiores pesquisas do setor automotivo global, e essa narrativa precisou ser revisada. Com urg\u00eancia. 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