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Modelo de pele humana avança no Brasil e muda o futuro dos testes de cosméticos

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A proibição de testes de cosméticos em animais, oficializada no Brasil em 2025, acelerou uma transformação silenciosa, porém profunda, na indústria da beleza. Mais do que atender a uma exigência legal, o setor passou a investir em soluções capazes de oferecer mais precisão científica, ética e segurança ao consumidor. É nesse cenário que ganha protagonismo o modelo de pele humana equivalente, uma tecnologia desenvolvida em laboratório que simula com fidelidade as camadas e funções da pele real.

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A nova legislação não apenas encerrou uma prática histórica, como também impulsionou parcerias estratégicas entre universidades e empresas de dermocosméticos. O resultado é um avanço que reposiciona o Brasil no mapa da inovação científica aplicada à beleza, aproximando pesquisa acadêmica e mercado de consumo de forma inédita.

O que é a pele humana equivalente e por que ela importa

O modelo de pele humana equivalente é uma estrutura biológica tridimensional criada a partir de células humanas cultivadas em laboratório. Diferente de métodos tradicionais, essa tecnologia reproduz características essenciais da pele, como organização em camadas, resposta a ativos cosméticos e comportamento de permeação cutânea. Dessa forma, permite avaliar eficácia, absorção e segurança de produtos sem recorrer a testes em animais.

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Além de atender à legislação, o método reduz falhas comuns em modelos importados, como perda de viabilidade celular durante transporte e limitações de adaptação a formulações específicas. Com isso, os testes se tornam mais próximos da realidade da pele humana brasileira, algo fundamental para resultados confiáveis.

Bioimpressão 3D: quando ciência e tecnologia se encontram

O desenvolvimento desse tipo de pele envolve o uso de bioimpressora 3D, um equipamento capaz de construir tecidos vivos camada por camada. O processo começa com células humanas obtidas de tecidos que seriam descartados em procedimentos cirúrgicos, sempre respeitando protocolos éticos rigorosos. Essas células passam por cultivo, multiplicação e, posteriormente, são incorporadas a uma biotinta, uma matriz gelatinosa rica em componentes que sustentam a vida celular.

A biotinta é um dos pontos mais sensíveis do processo. Sua composição precisa garantir viscosidade adequada, resistência estrutural e condições ideais para que as células permaneçam vivas e funcionais por longos períodos. Foram necessárias dezenas de testes até alcançar uma formulação compatível com a complexidade da pele humana, evidenciando o nível de sofisticação envolvido nesse tipo de pesquisa.

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Por que a permeação cutânea é o foco

Entre os diversos parâmetros possíveis, o projeto brasileiro priorizou a permeação cutânea, ou seja, a capacidade de um cosmético atravessar as camadas da pele. Esse aspecto é crucial para avaliar se um ativo realmente atinge seu alvo ou permanece apenas na superfície. Apesar de existirem métodos alternativos validados para outros tipos de ensaio, a permeação ainda carecia de um modelo oficial amplamente reconhecido.

Ao desenvolver uma pele humana equivalente voltada especificamente para esse tipo de teste, o projeto abre caminho para avaliações mais precisas, alinhadas às exigências regulatórias e às expectativas de consumidores cada vez mais atentos à transparência científica das marcas.

Validação científica e próximos passos

Atualmente, a pesquisa se concentra na validação da robustez do modelo, observando a viabilidade celular ao longo do tempo e a resposta do tecido à aplicação de cosméticos reais. Resultados iniciais já indicam boa organização estrutural e manutenção das células, mas a etapa decisiva envolve comparar o comportamento do modelo com o da pele humana em condições reais de uso.

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A expectativa é que o modelo esteja plenamente operacional em 2026, abrindo a possibilidade de uso em larga escala. A partir daí, caberá à indústria decidir sobre sua disponibilização para órgãos reguladores e, eventualmente, para outras empresas do setor.

Impacto além da indústria da beleza

Embora o foco inicial seja a substituição de testes em animais para cosméticos, as aplicações da pele humana equivalente vão muito além. A tecnologia pode contribuir para estudos de cicatrização, testes clínicos avançados e pesquisas sobre fisiologia da pele. Em paralelo, investigações correlatas já exploram o uso da bioimpressão 3D na criação de outros tecidos e órgãos, ampliando horizontes para a medicina regenerativa.

Esse movimento reforça a importância do investimento contínuo em ciência e inovação nacional. Ao unir conhecimento acadêmico, tecnologia de ponta e demandas reais do mercado, o Brasil dá um passo relevante rumo a uma indústria cosmética mais ética, tecnológica e alinhada aos valores contemporâneos — um avanço que interessa não apenas às marcas, mas a todos que consomem beleza com consciência.

Fonte: Ciência/UFPR