Bicho mineiro no café: como identificar e controlar essa praga que assusta produtores
Publicado
1 ano atrásem
Por
Suzana MachadoÀ primeira vista, manchas amareladas na parte superior das folhas podem parecer apenas um sinal de estresse da planta. No entanto, para quem cultiva café, esse pode ser o primeiro alerta da presença de uma das pragas mais temidas das lavouras brasileiras: o bicho-mineiro (Leucoptera coffeella). Pequeno, discreto e de hábitos noturnos, esse inseto desafia a sanidade dos cafezais e compromete não apenas o visual das plantas, mas a produtividade e a qualidade da bebida na xícara.
O impacto da praga pode ser devastador quando não é controlada a tempo. As larvas se instalam no interior das folhas, cavando galerias que, além de interromperem a fotossíntese, levam ao desfolhamento precoce da planta. Com isso, o cafeeiro enfraquece, os grãos amadurecem de forma irregular e a produção final é severamente prejudicada. Em regiões quentes e secas, como explica o engenheiro agrônomo Carlos Rezende, o ciclo do inseto se acelera, o que torna ainda mais urgente o monitoramento e o controle técnico da infestação.
Como identificar a presença do bicho-mineiro no cafeeiro
O nome popular do inseto já revela seu comportamento: as larvas “mineram” o interior das folhas, deixando trilhas amareladas que depois tornam-se manchas secas. De acordo com Rezende, o ideal é que o produtor acompanhe semanalmente os talhões mais sensíveis da lavoura, especialmente durante os meses de clima mais seco. “As primeiras lesões aparecem na face superior das folhas, e, quando viradas, é possível ver o casulo do inseto na parte inferior. Essa fase é crítica porque indica que a larva já está em estágio avançado de desenvolvimento”, observa.

Outro sinal evidente é o aumento do número de folhas caídas no chão. Como o inseto compromete a estrutura foliar, a planta reage descartando essas folhas, o que reduz drasticamente sua capacidade fotossintética. Isso compromete não só o vigor imediato do cafeeiro, mas também sua preparação para a próxima florada.
Estratégias de controle: quando o manejo biológico ganha força
Diante da crescente preocupação com o uso excessivo de defensivos químicos, o controle biológico vem ganhando protagonismo entre os cafeicultores. Além de preservar a fauna benéfica e reduzir resíduos nos grãos, essa abordagem tem se mostrado eficiente contra o bicho-mineiro quando bem conduzida. A introdução de inimigos naturais, como a vespinha Closterocerus coffeellae, tem sido uma das alternativas com bons resultados em regiões produtoras.

Para a engenheira agrônoma e pesquisadora Mariana Tavares, o segredo está na integração entre estratégias, combinando controle biológico com armadilhas adesivas, manejo cultural e pulverizações pontuais, sempre baseadas em monitoramento técnico. “O uso preventivo de parasitoides pode manter a população do bicho-mineiro em níveis que não causam dano econômico. Mas isso só funciona se o agricultor observar com atenção os picos de infestação e agir no tempo certo”, destaca.
Além disso, a escolha do momento certo para a poda, o controle do mato e a nutrição equilibrada da lavoura ajudam a fortalecer o cafeeiro, tornando-o mais resistente ao ataque de pragas. O monitoramento com armadilhas luminosas e a análise dos ciclos populacionais do inseto também contribuem para uma gestão mais eficiente e ambientalmente segura.
Mãe, empreendedora, educadora e apaixonada por plantas e animais. Suzana acredita que o cuidado e a empatia são as bases de qualquer desenvolvimento saudável. Formada em Administração e Pedagogia, ela hoje leciona e dedica seu tempo ao universo infantil, comanda sua própria loja (MF Feminina) e cuida de suas plantas. No Ellas Magazine, Suzana transforma sua vivência em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets, jardinagem, natureza e dicas de beleza.
