{"id":12051,"date":"2026-09-09T09:09:48","date_gmt":"2026-09-09T12:09:48","guid":{"rendered":"https:\/\/petalaseflores.com.br\/?p=12051"},"modified":"2026-09-09T09:09:48","modified_gmt":"2026-09-09T12:09:48","slug":"sete-leguas-podranea-ricasoliana-cultivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/sete-leguas-podranea-ricasoliana-cultivo\/","title":{"rendered":"A Sete-l\u00e9guas pode virar praga se voc\u00ea n\u00e3o podar assim: veja como cultivar essa trepadeira vigorosa em casa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem uma planta na minha lista de recomenda\u00e7\u00f5es que costuma surpreender at\u00e9 quem j\u00e1 cultiva h\u00e1 anos: a sete-l\u00e9guas cobre uma cerca inteira em menos de uma esta\u00e7\u00e3o e ainda floresce praticamente o ano todo. O nome n\u00e3o \u00e9 exagero. Segundo a lenda popular, ela seria capaz de avan\u00e7ar sete l\u00e9guas em um \u00fanico dia, algo como 28 quil\u00f4metros. Na pr\u00e1tica, os ramos podem ultrapassar 15 metros de comprimento quando encontram espa\u00e7o e suporte para se firmar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A esp\u00e9cie cient\u00edfica \u00e9 Podranea ricasoliana, da fam\u00edlia Bignoniaceae, a mesma dos ip\u00eas e jacarand\u00e1s que colorem tantas ruas brasileiras. Tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como bign\u00f4nia-rosa, pandora, trombeta-chinesa e, em algumas regi\u00f5es, cip\u00f3-de-s\u00e3o-joaquim ou cip\u00f3-de-santa-rita. Essa variedade de nomes populares diz muito sobre como ela se espalhou pelo pa\u00eds: cada comunidade batizou a planta \u00e0 sua maneira, sinal de que ela j\u00e1 faz parte da paisagem dom\u00e9stica h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma origem distante, mas uma adapta\u00e7\u00e3o surpreendente<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sete-l\u00e9guas nasceu na \u00c1frica do Sul, mais especificamente na regi\u00e3o de Port St. Johns, entre East London e Durban. De l\u00e1, viajou para Marrocos, Espanha, Ilhas Can\u00e1rias, Hava\u00ed, M\u00e9xico e boa parte da Am\u00e9rica Central antes de chegar ao Brasil. Essa capacidade de se instalar em climas t\u00e3o diferentes explica por que ela se tornou t\u00e3o popular em jardins tropicais e subtropicais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sete-leguas-1.jpg\" alt=\"sete-leguas\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: juanjo_trujillocampos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As flores tubulares, em tom rosa intenso com estrias mais escuras no interior, podem chegar a 7,5 cent\u00edmetros de largura e se formam em cachos nas pontas dos ramos. Elas aparecem principalmente na primavera e no ver\u00e3o, mas em regi\u00f5es de clima mais ameno seguem brotando quase o ano inteiro. Depois da flora\u00e7\u00e3o, a planta ainda produz frutos em formato de c\u00e1psula que podem alcan\u00e7ar 40 cent\u00edmetros de comprimento, liberando sementes aladas quando amadurecem. \u00c9 um detalhe pouco comentado, mas que mostra por que essa trepadeira se espalha com tanta facilidade em \u00e1reas abertas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O cuidado que poucos mencionam: ela pode virar um problema<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aqui vai um ponto que costumo refor\u00e7ar para quem me pergunta sobre a sete-l\u00e9guas: o mesmo vigor que a torna atraente para cobrir cercas e pergolados rapidamente tamb\u00e9m \u00e9 motivo de aten\u00e7\u00e3o. Em algumas regi\u00f5es, a esp\u00e9cie j\u00e1 \u00e9 apontada como potencialmente invasora, justamente por crescer depressa e se propagar com facilidade por estaquia, mergulhia e sementes. Isso n\u00e3o significa evitar a planta, significa cultiv\u00e1-la com um plano de poda desde o primeiro ano, controlando o avan\u00e7o dos ramos antes que eles tomem espa\u00e7os vizinhos ou \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como cultivar sem sustos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A planta pede sol pleno ou meia-sombra, com pelo menos quatro horas di\u00e1rias de luz direta para florescer bem. O substrato ideal \u00e9 bem drenado e rico em mat\u00e9ria org\u00e2nica: uma mistura de terra vegetal, areia e composto org\u00e2nico na propor\u00e7\u00e3o 2:1:1 costuma funcionar, com um pouco de calc\u00e1rio dolom\u00edtico para corrigir a acidez do solo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um detalhe que faz diferen\u00e7a e que poucos textos sobre o tema mencionam \u00e9 a escolha do adubo. F\u00f3rmulas muito ricas em nitrog\u00eanio estimulam o crescimento excessivo de folhagem em detrimento das flores. Prefira adubos NPK com teores mais baixos de nitrog\u00eanio e mais altos de f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio, aplicados a cada dois meses durante o per\u00edodo vegetativo. O resultado \u00e9 uma planta mais florida e menos avassaladora em volume de ramos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sete-leguas-2.jpg\" alt=\"sete-leguas\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: rulo_fotografia<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As regas devem manter o substrato levemente \u00famido, sem encharcamento, e \u00e9 melhor evitar molhar diretamente as flores e folhas para n\u00e3o favorecer fungos. Quanto \u00e0 resist\u00eancia ao frio, a sete-l\u00e9guas tolera geadas leves: perde parte da folhagem, mas costuma rebrotar sem problemas quando o clima esquenta novamente. Essa resili\u00eancia \u00e9 um dos motivos pelos quais ela se adaptou t\u00e3o bem a diferentes regi\u00f5es do Brasil, mesmo fora das \u00e1reas tropicais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Multiplica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, poda disciplinada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A propaga\u00e7\u00e3o mais eficiente \u00e9 por estaquia. Um ramo de 15 a 20 cent\u00edmetros, sem folhas na base, enra\u00edza em vaso com substrato \u00famido em quatro a seis semanas, processo que pode ser acelerado com horm\u00f4nio enraizador. J\u00e1 a poda deve acontecer no fim do inverno ou in\u00edcio da primavera, removendo ramos secos, doentes ou mal formados e, principalmente, limitando o avan\u00e7o da planta sobre estruturas ou vegeta\u00e7\u00e3o ao redor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pulg\u00f5es, cochonilhas, lagartas e \u00e1caros s\u00e3o as pragas mais comuns, atacando folhas e brotos e provocando manchas ou deforma\u00e7\u00f5es. O controle costuma ser simples com inseticidas naturais, mas o monitoramento regular evita que o problema se espalhe pela trepadeira toda, j\u00e1 que os ramos ficam entrela\u00e7ados e favorecem a propaga\u00e7\u00e3o de pragas entre partes da planta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que essa planta ensina sobre escolhas no jardim<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cultivar a sete-l\u00e9guas \u00e9 um exerc\u00edcio de equil\u00edbrio. De um lado, uma trepadeira generosa, que cobre estruturas rapidamente e atrai beija-flores e abelhas em quantidade real. De outro, uma esp\u00e9cie que pede planejamento desde o plantio, com espa\u00e7o definido e poda constante. Quem entende essa din\u00e2mica logo no in\u00edcio colhe uma das trepadeiras mais floridas e resistentes que existem, sem correr o risco de v\u00ea-la avan\u00e7ar al\u00e9m do que o jardim comporta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nativa da \u00c1frica do Sul, a esp\u00e9cie floresce quase o ano inteiro e pede poucos cuidados, mas exige podas regulares para n\u00e3o sair do controle.<\/p>\n","protected":false},"author":990012,"featured_media":54501,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false,"_ppma_block_editor_authors":""},"categories":[698],"tags":[],"ppma_author":[395],"class_list":["post-12051","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-jardinagem","author-mel-maria"],"authors":[{"term_id":395,"user_id":990012,"is_guest":0,"slug":"mel-maria","display_name":"Mel Maria","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/50961e0508195fe342670c9ee218e6ab1b2463b7a360c03c14a381ba6a4ca049?s=96&d=mm&r=g","author_category":"2","first_name":"","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":"<b>Mel Maria<\/b> \u00e9 uma <b>jardineira e empreendedora<\/b> com mais de <b>10 anos de experi\u00eancia<\/b> no cultivo e com\u00e9rcio de plantas em <b>Curitiba<\/b>. Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/sete-leguas.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12051"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12051\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54502,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12051\/revisions\/54502"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12051"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=12051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}