{"id":1458,"date":"2026-06-16T10:50:55","date_gmt":"2026-06-16T13:50:55","guid":{"rendered":"https:\/\/petalaseflores.com.br\/?p=1458"},"modified":"2026-06-16T10:50:56","modified_gmt":"2026-06-16T13:50:56","slug":"suculenta-orelha-de-elefante-kalanchoe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/suculenta-orelha-de-elefante-kalanchoe\/","title":{"rendered":"A suculenta que floresce uma \u00fanica vez na vida e ainda assim vale cada cent\u00edmetro do jardim"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem plantas que entram no jardim e ficam. N\u00e3o porque s\u00e3o f\u00e1ceis de esquecer, mas porque criam uma presen\u00e7a t\u00e3o forte que voc\u00ea passa a organizar o espa\u00e7o ao redor delas. A Orelha de Elefante suculenta foi exatamente assim para mim. Quando trouxe o primeiro exemplar para a Mel Garden, aqui em Curitiba, sabia que estava diante de algo diferente. Aquelas folhas largas, aveludadas, com bordas serrilhadas e uma textura que parece escova de veludo, chamam aten\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa que passa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde ent\u00e3o, j\u00e1 cultivei dezenas de exemplares, respondi centenas de perguntas sobre ela e aprendi, na pr\u00e1tica, o que essa planta precisa para se desenvolver bem, inclusive nos invernos mais rigorosos que Curitiba costuma oferecer. E \u00e9 tudo isso que quero compartilhar aqui.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que \u00e9 a Orelha de Elefante suculenta e por que o nome faz todo sentido<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A suculenta orelha de Elefante \u00e9 na verdade, a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Kalanchoe_beharensis\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kalanchoe beharensis<\/a>, uma esp\u00e9cie origin\u00e1ria de Madagascar que pertence \u00e0 fam\u00edlia Crassulaceae. O nome popular \u00e9 um retrato fiel: as folhas chegam a medir mais de 30 cent\u00edmetros em exemplares maduros, t\u00eam formato triangular alongado, superf\u00edcie coberta por uma pelagem fina e acinzentada e bordas com ondula\u00e7\u00f5es que lembram, de fato, a orelha de um elefante africano. \u00c9 uma planta que carrega escala e presen\u00e7a, o tipo de esp\u00e9cie que transforma qualquer canto num ponto focal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/suculenta-orelha-de-elefante-1-1024x1024.jpg\" alt=\"Suculenta orelha de elefante\" class=\"wp-image-1474\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio de muitas suculentas que se multiplicam em touceiras ou se espalham horizontalmente, a Kalanchoe beharensis cresce em porte arbustivo, desenvolvendo um caule lenhoso ao longo dos anos. Em condi\u00e7\u00f5es ideais de cultivo a pleno sol e solo bem drenado, pode alcan\u00e7ar entre 1 e 3 metros de altura. Aqui em Curitiba, onde o inverno pune com geadas eventuais, os exemplares cultivados ao ar livre costumam ser mais contidos \u2014 o que n\u00e3o diminui em nada o impacto visual que provocam.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A flora\u00e7\u00e3o \u00fanica: o segredo que pouca gente conta<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das curiosidades mais fascinantes sobre a Orelha de Elefante \u00e9 que ela \u00e9 uma planta monoc\u00e1rpica, ou seja, floresce uma \u00fanica vez ao longo de toda a sua vida. Isso mesmo: anos de crescimento, folhas acumuladas, caule que vai ganhando robustez, e ent\u00e3o, num determinado momento, a planta decide que chegou a hora. Lan\u00e7a uma haste floral longa, produz suas flores tubulares pequenas e amareladas e, depois disso, entra em decl\u00ednio natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para alguns jardineiros, esse ciclo causa estranhamento. Para mim, sempre pareceu algo po\u00e9tico. H\u00e1 uma certa grandiosidade num ser que reserva tudo para um \u00fanico gesto e o faz com tanta precis\u00e3o. Vale saber disso antes de se preocupar com uma Orelha de Elefante que come\u00e7ou a mudar de comportamento ap\u00f3s anos de cultivo: ela pode simplesmente estar se preparando para o seu \u00fanico e \u00faltimo espet\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Como cultivar bem: luz, solo e rega sem mist\u00e9rio<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Kalanchoe beharensis aprecia sol. Quanto mais horas de luz direta ela recebe, mais compacta e colorida fica a folhagem, e mais firme se mant\u00e9m o caule. Em Curitiba, onde os dias nublados de inverno se acumulam, costumo posicionar os exemplares nos pontos mais ensolarados do jardim ou da varanda \u2014 sempre em locais protegidos de ventos frios e, se poss\u00edvel, abrigados de geadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O substrato precisa ter drenagem eficiente. Trabalho com uma mistura de substrato para suculentas, areia grossa e perlita, numa propor\u00e7\u00e3o que garante escoamento r\u00e1pido da \u00e1gua. Vaso com furo de drenagem \u00e9 obrigat\u00f3rio. A Orelha de Elefante suporta per\u00edodos de seca com desenvoltura, mas n\u00e3o perdoa encharcamento prolongado. O apodrecimento das ra\u00edzes come\u00e7a de forma silenciosa e costuma ser percebido tarde demais quando o substrato ret\u00e9m umidade em excesso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/suculenta-orelha-de-elefante-2-1024x1024.jpg\" alt=\"Suculenta orelha de elefante\" class=\"wp-image-1476\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: greitergarten<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rega segue a l\u00f3gica cl\u00e1ssica das suculentas: esperar o solo secar completamente antes de molhar novamente. No ver\u00e3o curitibano, isso significa regar a cada oito a doze dias, dependendo do calor e da exposi\u00e7\u00e3o. No inverno, reduzo ainda mais a frequ\u00eancia \u2014 \u00e0s vezes uma vez por m\u00eas \u00e9 suficiente para exemplares que ficam protegidos da chuva.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Curitiba e o desafio do frio: o que aprendi na pr\u00e1tica<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem mora no Sul do Brasil e quer cultivar a suculenta orelha de Elefante  ao ar livre precisa estar atento \u00e0s geadas. A Kalanchoe beharensis tolera temperaturas baixas por curtos per\u00edodos, mas a geada forte danifica as folhas e pode comprometer o caule de exemplares jovens. Minha solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica: manter plantas menores em vasos que possam ser recolhidos para a varanda coberta ou para dentro de casa quando a previs\u00e3o de geada chegar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exemplares j\u00e1 estabelecidos, com caule lenhoso e porte maior, costumam ser mais resilientes. Mesmo assim, protejo a base com uma camada de casca de pinus ou substrato seco que funciona como isolante t\u00e9rmico durante as noites mais frias. Nunca perdi um exemplar adulto assim, mesmo nos invernos mais severos que Curitiba apresentou nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pragas e cuidados preventivos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Orelha de Elefante n\u00e3o \u00e9 uma planta problem\u00e1tica, mas merece aten\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica. Cochonilhas s\u00e3o as visitantes mais comuns, especialmente nas axilas das folhas e nas partes mais velhas do caule. Fa\u00e7o inspe\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas toda semana durante as vistorias gerais na Mel Garden, e quando identifico algum foco, aplico solu\u00e7\u00e3o de \u00f3leo de neem dilu\u00eddo em \u00e1gua com algumas gotas de sab\u00e3o neutro. O segredo \u00e9 nunca aplicar com sol forte: tanto de manh\u00e3 cedo quanto no fim da tarde s\u00e3o os melhores hor\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Lindissima e facil de cuidar.Kalanchoe Beharensis \u2018Fang\u2019\" width=\"740\" height=\"416\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vttw8drFMzw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pulg\u00f5es aparecem eventualmente nas folhas mais jovens, especialmente no per\u00edodo de brotamento intenso. A mesma solu\u00e7\u00e3o de neem resolve bem. O que n\u00e3o recomendo \u00e9 esperar a infesta\u00e7\u00e3o crescer \u2014 o controle preventivo e frequente \u00e9 sempre mais eficiente do que o curativo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Por que ela merece um lugar no seu jardim ou varanda<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de alguns anos convivendo com a suculenta orelha de Elefante, posso dizer com seguran\u00e7a que ela \u00e9 uma das plantas mais gratificantes que cultivo. Exige pouco, entrega muito, e tem uma presen\u00e7a que nenhuma planta pequena consegue substituir. Em vasos grandes de cer\u00e2mica ou cimento queimado, ela ganha ainda mais personalidade. Em jardins pedregosos ou composi\u00e7\u00f5es tropicais, se torna o elemento \u00e2ncora que organiza o olhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se voc\u00ea ainda n\u00e3o tem uma, vale come\u00e7ar com um exemplar jovem e deixar o tempo trabalhar. Essa planta n\u00e3o tem pressa e, justamente por isso, torna qualquer espa\u00e7o mais calmo, mais denso e mais bonito.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Mel Maria \u00e9 jardineira e fundadora da Mel Garden, floricultura especializada em plantas ornamentais, em Curitiba (PR).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A suculenta orelha de elefante se destaca pela sua apar\u00eancia r\u00fastica e ex\u00f3tica. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1458","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1458"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1458\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36172,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1458\/revisions\/36172"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1458"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=1458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}