{"id":28699,"date":"2025-07-20T18:43:42","date_gmt":"2025-07-20T21:43:42","guid":{"rendered":"https:\/\/maniadeplantas.com.br\/?p=28699"},"modified":"2026-05-08T17:52:30","modified_gmt":"2026-05-08T20:52:30","slug":"plantas-tem-sentidos-veja-como-elas-reagem-a-luz-ao-som-e-ao-toque","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/plantas-tem-sentidos-veja-como-elas-reagem-a-luz-ao-som-e-ao-toque\/","title":{"rendered":"Plantas t\u00eam sentidos? Veja como elas reagem \u00e0 luz, ao som e ao toque"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muita gente ainda imagina que as plantas vivem isoladas em um mundo mudo, alheias ao que acontece ao seu redor. Afinal, como poderiam perceber sons, luzes, toques ou at\u00e9 a presen\u00e7a de insetos se n\u00e3o t\u00eam olhos, ouvidos nem c\u00e9rebro? A resposta pode parecer surpreendente, mas a ci\u00eancia tem demonstrado que essas formas de vida verdes s\u00e3o extremamente sens\u00edveis \u2013 talvez at\u00e9 mais do que muitos animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o bi\u00f3logo Marcelo Campos, professor da UFMT e pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira, essa percep\u00e7\u00e3o refinada n\u00e3o \u00e9 exatamente novidade, mas vem ganhando espa\u00e7o \u00e0 medida que novas pesquisas se popularizam. \u201cAs plantas est\u00e3o longe de serem passivas. Elas possuem uma ampla capacidade de perceber muitos sinais do ambiente ao seu redor. E, curiosamente, \u00e9 justamente o fato de n\u00e3o se moverem que fez com que desenvolvessem mecanismos de percep\u00e7\u00e3o ainda mais sofisticados do que muitos animais\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, ao contr\u00e1rio do que se pensa, elas n\u00e3o apenas reagem, mas tamb\u00e9m <strong>tomam decis\u00f5es<\/strong>. N\u00e3o tendo a op\u00e7\u00e3o de fugir diante de uma amea\u00e7a, precisam interpretar o sinal do ambiente e reorganizar seu crescimento ou metabolismo como forma de sobreviver. \u00c9 um processo quase invis\u00edvel aos olhos humanos, mas absolutamente fundamental.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma intelig\u00eancia vegetal sem olhos nem ouvidos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de que as plantas poderiam perceber tantos est\u00edmulos pode parecer exagerada, mas estudos como os do neurobi\u00f3logo italiano Stefano Mancuso sugerem exatamente isso. Em sua obra <em>Na\u00e7\u00e3o das Plantas<\/em>, ele afirma que os vegetais s\u00e3o capazes de detectar pelo menos 20 tipos diferentes de est\u00edmulos. Luz, gravidade, temperatura, som, toque, subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e at\u00e9 campos magn\u00e9ticos est\u00e3o entre os elementos que elas sentem de maneira precisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o possu\u00edrem neur\u00f4nios, as plantas contam com uma rede impressionante de sensores bioqu\u00edmicos, que se comunicam por meio de sinais el\u00e9tricos e qu\u00edmicos. Essa rede funciona como um sistema interno de vigil\u00e2ncia e resposta, enviando alertas para outras regi\u00f5es da planta ou at\u00e9 para as vizinhas. \u201cEssa comunica\u00e7\u00e3o pode ser feita por meio do solo, pelas ra\u00edzes, ou por compostos liberados no ar, como os ferom\u00f4nios vegetais\u201d, afirma Campos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo dessa habilidade \u00e9 a capacidade de identificar a sombra de outra planta. Diante disso, algumas esp\u00e9cies alteram seu crescimento vertical para disputar melhor a luz. J\u00e1 outras, ao perceberem a chegada de um predador, liberam compostos no ar capazes de atrair os inimigos naturais daquele invasor. \u201c\u00c9 uma forma de defesa indireta. O inimigo do inimigo vira aliado\u201d, resume o bi\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Percep\u00e7\u00e3o luminosa, gravitacional e sonora<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sensibilidade \u00e0 luz talvez seja uma das formas de percep\u00e7\u00e3o mais conhecidas. Mas n\u00e3o se trata de enxergar imagens: as plantas utilizam estruturas chamadas fotorreceptores para identificar padr\u00f5es de luminosidade, o que orienta seu ciclo de crescimento, flora\u00e7\u00e3o e at\u00e9 descanso. \u201cAs plantas captam energia luminosa e a convertem em alimento. Esse processo gera oxig\u00eanio e sustenta todos os ecossistemas\u201d, destaca <strong>Marie-Anne Van Sluys<\/strong>, professora do Instituto de Bioci\u00eancias da USP e membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o da gravidade ocorre gra\u00e7as aos amiloplastos \u2013 organelas celulares que se deslocam no interior das c\u00e9lulas, sinalizando a dire\u00e7\u00e3o do campo gravitacional. Isso permite que as ra\u00edzes cres\u00e7am para baixo, em busca de nutrientes, enquanto os caules se orientam para cima, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 luz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais surpreendente, no entanto, \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o aos sons. Embora n\u00e3o tenham ouvidos, as plantas conseguem detectar <strong>vibra\u00e7\u00f5es sonoras<\/strong> e respondem a elas. Sons de \u00e1gua corrente ou o zumbido de um polinizador, por exemplo, podem estimular o crescimento ou at\u00e9 a flora\u00e7\u00e3o. \u201cChamamos isso de mecanopercep\u00e7\u00e3o sonora. As vibra\u00e7\u00f5es fazem com que algumas esp\u00e9cies cres\u00e7am em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fonte do som\u201d, explica Campos. No entanto, ele alerta que est\u00edmulos sonoros excessivos podem ser interpretados como amea\u00e7a. \u201cPor isso, al\u00e9m de evitar tocar demais nas suas plantas, talvez seja prudente tamb\u00e9m n\u00e3o cantar para elas\u201d, brinca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Toques e sinais invis\u00edveis no ar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem j\u00e1 viu uma <strong>dormideira<\/strong> (Mimosa pudica) se fechar ao menor toque sabe que as plantas sentem quando s\u00e3o tocadas. No entanto, mesmo esp\u00e9cies que n\u00e3o demonstram uma rea\u00e7\u00e3o vis\u00edvel interpretam o toque como alerta de perigo. Esse est\u00edmulo ativa mecanismos de defesa e at\u00e9 freia o crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma verdadeira rede de comunica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica subterr\u00e2nea e a\u00e9rea. Plantas atacadas por pragas podem liberar compostos no ar que alertam as vizinhas para se prepararem. Essas respostas envolvem libera\u00e7\u00e3o de seivas, modifica\u00e7\u00e3o de enzimas e altera\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias repelentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marie-Anne Van Sluys refor\u00e7a que essa comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser confundida com consci\u00eancia. \u201cAs plantas percebem o ambiente, mas n\u00e3o ouvem ou falam. Elas usam receptores e transmitem sinais internamente, sem um sistema nervoso. Por isso, o mais correto seria falarmos sobre percep\u00e7\u00f5es\u201d, explica. Em outras palavras, elas reagem ao ambiente com intelig\u00eancia, mas sem sentimentos ou sensa\u00e7\u00f5es como as nossas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Campos tamb\u00e9m recomenda cautela com antropomorfismos. \u201cFalar em sofrimento vegetal ou tristeza das plantas \u00e9 enganoso. Elas n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia como os animais, mas isso n\u00e3o significa que sejam simples. Na verdade, s\u00e3o extremamente complexas\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cada nova pesquisa, fica mais claro que o reino vegetal \u00e9 tudo menos inerte. Plantas escutam, sentem, reagem, se defendem e at\u00e9 \u201cavisam\u201d umas \u00e0s outras. E quanto mais aprendemos sobre esse mundo silencioso, mais percebemos que ele fala \u2014 basta saber escutar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muita gente ainda imagina que as plantas vivem isoladas em um mundo mudo, alheias ao que acontece ao seu redor. 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No Ellas Magazine, Suzana transforma sua viv\u00eancia em sala de aula e sua sensibilidade de tutora em textos acolhedores sobre comportamento, maternidade, moda, pets, jardinagem, natureza e dicas de beleza."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990033"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28699"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28701,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28699\/revisions\/28701"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28699"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=28699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}