{"id":29889,"date":"2025-08-19T13:23:07","date_gmt":"2025-08-19T16:23:07","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=29889"},"modified":"2026-06-07T09:39:15","modified_gmt":"2026-06-07T12:39:15","slug":"nova-sucuri-da-amazonia-pode-chegar-a-200-kg-e-muda-o-que-sabemos-sobre-predadores-gigantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/nova-sucuri-da-amazonia-pode-chegar-a-200-kg-e-muda-o-que-sabemos-sobre-predadores-gigantes\/","title":{"rendered":"Nova sucuri da Amaz\u00f4nia pode chegar a 200 kg e muda o que sabemos sobre predadores gigantes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre \u00e1guas escuras e margens alagadas da floresta amaz\u00f4nica, um dos maiores predadores do continente sul-americano acaba de ganhar um novo nome. A sucuri-verde, conhecida por seu tamanho imponente e por protagonizar o imagin\u00e1rio popular, n\u00e3o \u00e9 mais uma s\u00f3. Pesquisadores descobriram que ela \u00e9, na verdade, composta por duas esp\u00e9cies distintas \u2014 sendo a rec\u00e9m-identificada <em>Eunectes akayima<\/em> a mais nova gigante dos ecossistemas amaz\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com mais de seis metros de comprimento e podendo ultrapassar <strong>200 quilos<\/strong>, essa nova esp\u00e9cie foi descrita recentemente em uma publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que analisou geneticamente dezenas de exemplares coletados ao longo de anos em rios e igarap\u00e9s da Am\u00e9rica do Sul. Embora seja visualmente quase id\u00eantica \u00e0 j\u00e1 conhecida <em>Eunectes murinus<\/em>, a nova cobra apresenta diferen\u00e7as gen\u00e9ticas profundas que surpreenderam at\u00e9 os cientistas mais experientes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma gigante silenciosa que domina o norte da Amaz\u00f4nia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a professora <strong>Maria Cristina dos Santos Costa<\/strong>, do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA), a descoberta refor\u00e7a o papel das serpentes como <strong>predadoras de topo<\/strong>, fundamentais para o equil\u00edbrio dos biomas onde vivem. \u201cPor serem carn\u00edvoras, controlam popula\u00e7\u00f5es de herb\u00edvoros e at\u00e9 de outros carn\u00edvoros menores. A aus\u00eancia delas poderia causar desequil\u00edbrios ecol\u00f3gicos significativos\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>Eunectes akayima<\/em> habita regi\u00f5es mais ao norte do continente, como Col\u00f4mbia, Venezuela, Suriname, Guiana, Equador e tamb\u00e9m \u00e1reas da Amaz\u00f4nia brasileira. J\u00e1 a <em>Eunectes murinus<\/em> permanece nas bacias mais ao sul, incluindo territ\u00f3rios do Brasil, Peru e Bol\u00edvia. Ambas compartilham o mesmo comportamento de ca\u00e7a por emboscada e a prefer\u00eancia por ambientes \u00famidos, de \u00e1guas lentas e cobertas por vegeta\u00e7\u00e3o densa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ca\u00e7adora de emboscada e de for\u00e7a monumental<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de n\u00e3o ser pe\u00e7onhenta, a sucuri-verde-do-norte impressiona pelo porte e pela <strong>pot\u00eancia f\u00edsica com que domina suas presas<\/strong>. De acordo com o professor <strong>Guarino Colli<\/strong>, do Departamento de Zoologia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), essas cobras utilizam a t\u00e9cnica de constri\u00e7\u00e3o, ou seja, <strong>enrolam-se rapidamente em torno da presa e a sufocam at\u00e9 que cesse a respira\u00e7\u00e3o<\/strong>, antes de engoli-la por inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cElas s\u00e3o ca\u00e7adoras extremamente pacientes, que sabem usar o sil\u00eancio e a camuflagem a seu favor. Em geral, ficam quase invis\u00edveis sob a \u00e1gua, \u00e0 espera do momento exato para atacar\u201d, afirma o especialista. Entre os alimentos prediletos da esp\u00e9cie est\u00e3o aves aqu\u00e1ticas, peixes, capivaras e at\u00e9 jacar\u00e9s, o que refor\u00e7a sua posi\u00e7\u00e3o dominante na cadeia alimentar da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Raramente agressiva, mas digna de respeito<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do tamanho e da for\u00e7a impressionantes, ataques a humanos s\u00e3o <strong>extremamente raros<\/strong>, segundo os pesquisadores. \u201cO animal \u00e9 potencialmente perigoso pelo porte, mas n\u00e3o h\u00e1 hist\u00f3rico frequente de incidentes. O cuidado principal deve ser redobrado em \u00e1reas de rios e igarap\u00e9s onde a esp\u00e9cie \u00e9 comum, especialmente durante o per\u00edodo de cheia\u201d, alerta Colli.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior sucuri j\u00e1 registrada por cientistas atingiu 6,3 metros, embora haja relatos populares de exemplares ainda maiores \u2014 alguns beirando os oito metros, por\u00e9m sem medi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas confirmadas. Esses relatos, no entanto, alimentam a m\u00edstica em torno do animal, que h\u00e1 s\u00e9culos habita lendas e hist\u00f3rias contadas por ribeirinhos e exploradores da floresta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A ci\u00eancia por tr\u00e1s do mito<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para diferenciar as duas esp\u00e9cies, os pesquisadores analisaram amostras de sangue e tecidos de cobras em diferentes pontos da Am\u00e9rica do Sul. O que encontraram foi uma diverg\u00eancia gen\u00e9tica de at\u00e9 <strong>5,5% entre as popula\u00e7\u00f5es do norte e do sul<\/strong>, uma diferen\u00e7a significativa em termos de biodiversidade, equivalente \u00e0 encontrada entre esp\u00e9cies totalmente distintas em outros grupos de animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria origem do nome <em>akayima<\/em> presta homenagem a povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, refor\u00e7ando o v\u00ednculo entre conhecimento cient\u00edfico e saberes tradicionais. A expectativa agora \u00e9 que a descoberta incentive novas pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s \u00e1reas onde essa esp\u00e9cie habita, uma vez que muitas delas est\u00e3o amea\u00e7adas pelo avan\u00e7o do desmatamento e das atividades humanas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre \u00e1guas escuras e margens alagadas da floresta amaz\u00f4nica, um dos maiores predadores do continente sul-americano acaba de ganhar um novo nome. A sucuri-verde, conhecida por seu tamanho imponente e por protagonizar o imagin\u00e1rio popular, n\u00e3o \u00e9 mais uma s\u00f3. 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