{"id":30559,"date":"2025-09-13T10:32:54","date_gmt":"2025-09-13T13:32:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=30559"},"modified":"2026-06-08T13:23:53","modified_gmt":"2026-06-08T16:23:53","slug":"parana-pode-perder-suas-araucarias-ate-o-fim-do-seculo-alerta-estudo-da-ufpr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/parana-pode-perder-suas-araucarias-ate-o-fim-do-seculo-alerta-estudo-da-ufpr\/","title":{"rendered":"Paran\u00e1 pode perder suas arauc\u00e1rias at\u00e9 o fim do s\u00e9culo, alerta estudo da UFPR"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00cdcone da paisagem paranaense e s\u00edmbolo da identidade local, a <strong>Araucaria angustifolia<\/strong>, mais conhecida como <strong>arauc\u00e1ria<\/strong> ou <strong>pinheiro-do-paran\u00e1<\/strong>, enfrenta uma amea\u00e7a silenciosa e persistente: o <strong>avan\u00e7o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong>. Um levantamento conduzido pelo NAPI Biodiversidade \u2013 Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos, em parceria com o Centro de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Software Livre (C3SL) da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), projeta um futuro dram\u00e1tico. Em cen\u00e1rios pessimistas de aquecimento global, a arauc\u00e1ria poder\u00e1 simplesmente <strong>desaparecer do territ\u00f3rio paranaense at\u00e9 o final deste s\u00e9culo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, as temperaturas mais altas devem reduzir drasticamente a \u00e1rea clim\u00e1tica adequada \u00e0 sobreviv\u00eancia de diversas esp\u00e9cies nativas do estado. Entre elas, <strong>a pr\u00f3pria arauc\u00e1ria<\/strong> e tamb\u00e9m a <strong>erva-mate<\/strong>, ambas centrais \u00e0 cultura, \u00e0 economia e \u00e0 biodiversidade do sul do Brasil. De acordo com <strong>Victor Zwiener<\/strong>, pesquisador do Departamento de Biodiversidade da UFPR em Palotina, \u201c\u00e0 medida que a temperatura sobe, os impactos sobre a biodiversidade se intensificam de forma acelerada, n\u00e3o linear. Pequenas diferen\u00e7as, como entre 2,9\u00b0C e 3,5\u00b0C, podem determinar se uma esp\u00e9cie sobrevive ou desaparece localmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Perda de habitat, cultura e equil\u00edbrio ecol\u00f3gico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A extin\u00e7\u00e3o da arauc\u00e1ria n\u00e3o representaria apenas o fim de uma \u00e1rvore. A perda da esp\u00e9cie comprometeria <strong>rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas complexas<\/strong>, como a dispers\u00e3o de sementes feita pela gralha-azul, ave tamb\u00e9m simb\u00f3lica da regi\u00e3o. Com menos \u00e1rvores, h\u00e1 menos alimento, menos abrigo, menos biodiversidade. Zwiener ressalta que anf\u00edbios, plantas e r\u00e9pteis est\u00e3o entre os grupos mais vulner\u00e1veis ao aquecimento: \u201cAt\u00e9 metade das esp\u00e9cies pode perder mais de 50% de seu habitat. Em cen\u00e1rios mais severos, at\u00e9 15% delas podem desaparecer localmente. Seria uma perda irrevers\u00edvel para os ecossistemas do Paran\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"532\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cenario-aquecimento-parana.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-30560\" srcset=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cenario-aquecimento-parana.webp 800w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cenario-aquecimento-parana-300x200.webp 300w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cenario-aquecimento-parana-768x511.webp 768w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cenario-aquecimento-parana-150x100.webp 150w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/cenario-aquecimento-parana-750x499.webp 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As regi\u00f5es mais cr\u00edticas nesse processo s\u00e3o os <strong>Campos Gerais<\/strong> e a <strong>floresta estacional<\/strong>, principalmente nas bacias dos rios Paran\u00e1 e Paranapanema, que podem enfrentar aumento de temperatura de at\u00e9 <strong>5,3\u00b0C<\/strong> nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. O estudo frisa que esses dados consideram apenas o impacto clim\u00e1tico \u2014 <strong>sem incluir o desmatamento<\/strong>, que agrava ainda mais a vulnerabilidade das esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Erva-mate, polinizadores e colapso ambiental<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o da <strong>erva-mate (Ilex paraguariensis)<\/strong>, planta central na economia e tradi\u00e7\u00e3o local, tamb\u00e9m \u00e9 alarmante. O estudo mostra que ela pode perder <strong>at\u00e9 68% das \u00e1reas aptas para cultivo<\/strong> em cen\u00e1rios extremos. Como explica <strong>Weverton Trindade<\/strong>, pesquisador do Departamento de Bot\u00e2nica da UFPR, os efeitos v\u00e3o al\u00e9m da perda de lavouras: \u201cA redu\u00e7\u00e3o de polinizadores e anf\u00edbios pode desequilibrar ecossistemas inteiros, aumentar o uso de agrot\u00f3xicos e impactar diretamente a sa\u00fade ambiental e humana\u201d. Em outras palavras, o desaparecimento dessas esp\u00e9cies pode desencadear uma cadeia de efeitos nocivos que alteram o modo de vida em comunidades rurais, florestas e centros urbanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do preju\u00edzo cultural e econ\u00f4mico, h\u00e1 um alerta importante: essas esp\u00e9cies s\u00e3o adaptadas a climas espec\u00edficos, e <strong>n\u00e3o h\u00e1 garantia de que resistir\u00e3o ao calor<\/strong> ou conseguir\u00e3o se estabelecer em novas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tecnologia a servi\u00e7o da conserva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grandiosidade da pesquisa se explica tamb\u00e9m pela complexidade dos dados. Para avaliar os impactos clim\u00e1ticos sobre a biodiversidade, os cientistas modelaram a distribui\u00e7\u00e3o de <strong>quase 10 mil esp\u00e9cies nativas do Paran\u00e1<\/strong>, entre plantas, aves, mam\u00edferos, r\u00e9pteis, anf\u00edbios e peixes. Esse trabalho, in\u00e9dito em escala estadual, s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao uso do <strong>supercomputador do C3SL<\/strong>, que processou mais de 60 milh\u00f5es de registros e 200 GB de informa\u00e7\u00f5es para gerar proje\u00e7\u00f5es detalhadas por esp\u00e9cie e por regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO computador de alto desempenho do C3SL est\u00e1 dispon\u00edvel para demandas da comunidade acad\u00eamica. Nossa miss\u00e3o \u00e9 democratizar o acesso a essa infraestrutura para acelerar pesquisas em diferentes \u00e1reas\u201d, afirma o professor <strong>Marco Zanata<\/strong>, pesquisador do C3SL. J\u00e1 Zwiener complementa: \u201cEssa capacidade computacional nos permitiu testar m\u00faltiplos cen\u00e1rios, aprimorar os m\u00e9todos e entregar resultados robustos, essenciais para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O alerta \u00e9 real, mas o destino ainda est\u00e1 em nossas m\u00e3os<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o panorama pare\u00e7a sombrio, os pesquisadores ressaltam que os dados representam <strong>tend\u00eancias<\/strong>, e n\u00e3o condena\u00e7\u00f5es definitivas. Ainda h\u00e1 registros de <strong>arauc\u00e1rias crescendo em estados como Esp\u00edrito Santo e Bahia<\/strong>, o que demonstra alguma resili\u00eancia da esp\u00e9cie. No entanto, como pontua Weverton Trindade, \u201cn\u00e3o sabemos se essas \u00e1rvores isoladas s\u00e3o capazes de se reproduzir e manter popula\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis. As proje\u00e7\u00f5es n\u00e3o significam que todas as esp\u00e9cies v\u00e3o desaparecer, mas apontam caminhos que podem e devem ser evitados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade exige a\u00e7\u00e3o imediata: restaurar \u00e1reas degradadas, ampliar e fortalecer as <strong>Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o<\/strong>, <strong>criar corredores ecol\u00f3gicos<\/strong> e promover <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas robustas<\/strong> que integrem meio ambiente e desenvolvimento. Sem isso, o futuro da floresta com arauc\u00e1rias pode permanecer apenas nas lembran\u00e7as \u2014 ou nos livros de hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdcone da paisagem paranaense e s\u00edmbolo da identidade local, a Araucaria angustifolia, mais conhecida como arauc\u00e1ria ou pinheiro-do-paran\u00e1, enfrenta uma amea\u00e7a silenciosa e persistente: o avan\u00e7o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. 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