{"id":30952,"date":"2025-09-29T19:46:16","date_gmt":"2025-09-29T22:46:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=30952"},"modified":"2026-05-22T21:58:13","modified_gmt":"2026-05-23T00:58:13","slug":"prefeitura-de-londrina-inicia-remocao-de-alface-dagua-no-lago-igapo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/prefeitura-de-londrina-inicia-remocao-de-alface-dagua-no-lago-igapo\/","title":{"rendered":"Prefeitura de Londrina inicia remo\u00e7\u00e3o de alface\u2011d\u2019\u00e1gua no lago Igap\u00f3"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espelho d\u2019\u00e1gua que por d\u00e9cadas foi s\u00edmbolo de lazer e contempla\u00e7\u00e3o em Londrina amanheceu, nesta semana, com um cen\u00e1rio diferente: coberto por uma camada verde e espessa de <strong>alfaces-d\u2019\u00e1gua<\/strong> (Pistia stratiotes), plantas flutuantes que, embora pare\u00e7am inofensivas, podem esconder uma s\u00e9rie de alertas sobre o estado de sa\u00fade do ecossistema. A r\u00e1pida prolifera\u00e7\u00e3o das macr\u00f3fitas, t\u00edpica de ambientes aqu\u00e1ticos sobrecarregados de nutrientes, acendeu o sinal de aten\u00e7\u00e3o entre pesquisadores e autoridades ambientais do munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 novo, mas desta vez chamou a aten\u00e7\u00e3o pelo volume e pela velocidade com que as plantas se espalharam pelo <strong>Igap\u00f3 2<\/strong>, atingindo tamb\u00e9m os lagos vizinhos. O quadro \u00e9 reflexo direto de um conjunto de fatores: estiagem prolongada desde julho, aumento da luminosidade incidente sobre o lago e, principalmente, o ac\u00famulo de mat\u00e9ria org\u00e2nica e dejetos urbanos que favorecem a <strong>eutrofiza\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 processo que acelera o crescimento de algas e macr\u00f3fitas, comprometendo o oxig\u00eanio dissolvido na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A for\u00e7a das chuvas e o efeito cascata nos lagos urbanos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora as alfaces-d\u2019\u00e1gua tenham aparecido no Igap\u00f3 2 nos \u00faltimos dias, a origem de sua presen\u00e7a est\u00e1 ligada a epis\u00f3dios anteriores. Segundo o bot\u00e2nico <strong>Weliton da Silva<\/strong>, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), as fortes chuvas ocorridas no in\u00edcio de setembro podem ter arrastado essas plantas a partir dos lagos mais a montante, como o Igap\u00f3 3 e o Parque Arthur Thomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs macr\u00f3fitas estavam restritas aos lagos superiores, mas com o fluxo h\u00eddrico elevado, houve transporte natural at\u00e9 o Igap\u00f3 2 e, potencialmente, tamb\u00e9m para o Igap\u00f3 1. O problema maior \u00e9 que, se os n\u00edveis de nutrientes se mantiverem altos, elas n\u00e3o apenas permanecer\u00e3o, como v\u00e3o se expandir\u201d, observa o professor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Silva ressalta que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada pela presen\u00e7a de <strong>cianobact\u00e9rias<\/strong> filamentosas no lago, algas microsc\u00f3picas conhecidas por sua toxicidade. Elas afetam diretamente a<a href=\"https:\/\/jardinagem.maniadeplantas.com.br\/plantas-aquaticas\/\" data-type=\"post\" data-id=\"14173\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> fauna aqu\u00e1tica<\/a> e oferecem riscos inclusive \u00e0 sa\u00fade humana. \u201cEstamos diante de um est\u00e1gio de <strong>hiper-eutrofiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. A \u00e1gua est\u00e1 turva, esverdeada, e esse excesso de mat\u00e9ria org\u00e2nica cria um ambiente prop\u00edcio tanto para a prolifera\u00e7\u00e3o das plantas flutuantes quanto para o colapso do sistema aqu\u00e1tico\u201d, alerta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Interven\u00e7\u00f5es da prefeitura podem ter acelerado o problema<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dado relevante no contexto da prolifera\u00e7\u00e3o das alfaces-d\u2019\u00e1gua est\u00e1 relacionado \u00e0s a\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria prefeitura. No in\u00edcio de setembro, a <strong>Secretaria Municipal de Obras<\/strong> realizou uma opera\u00e7\u00e3o de limpeza e desassoreamento em c\u00f3rregos da regi\u00e3o do Igap\u00f3 2, com o objetivo de conter alagamentos. No entanto, o revolvimento do fundo dos canais pode ter gerado um efeito colateral indesejado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"367\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-1024x367.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30955\" srcset=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-1024x367.png 1024w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-300x108.png 300w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-768x275.png 768w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-1536x551.png 1536w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-150x54.png 150w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-750x269.png 750w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM-1140x409.png 1140w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Generated-Image-September-29-2025-7_38PM.png 1696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/RPC<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMexer no leito dos c\u00f3rregos nesse per\u00edodo, com o lago j\u00e1 sobrecarregado de nutrientes, tende a agravar o problema. Quando os sedimentos s\u00e3o remexidos, ocorre a libera\u00e7\u00e3o de mais nutrientes, alimentando ainda mais o ciclo da eutrofiza\u00e7\u00e3o\u201d, explica Silva. Ele defende que interven\u00e7\u00f5es desse tipo devem ocorrer em \u00e9pocas espec\u00edficas, preferencialmente durante a estiagem e com baixo \u00edndice de nutrientes na \u00e1gua, para evitar que a a\u00e7\u00e3o traga mais desequil\u00edbrio ao sistema.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alfaces-d\u2019\u00e1gua: aliadas tempor\u00e1rias ou vil\u00e3s a longo prazo?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que estejam sendo tratadas com cautela, as alfaces-d\u2019\u00e1gua n\u00e3o representam uma amea\u00e7a imediata. Pelo contr\u00e1rio, segundo o professor <strong>Orlando Carvalho<\/strong>, da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (UTFPR), elas podem at\u00e9 contribuir para reduzir os impactos do excesso de nutrientes no lago.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs macr\u00f3fitas atuam como biofiltradoras naturais. At\u00e9 certo ponto, elas conseguem reter parte dos nutrientes que provocam a prolifera\u00e7\u00e3o das algas. O problema \u00e9 quando essa cobertura vegetal ultrapassa 30% da superf\u00edcie, pois a\u00ed come\u00e7a a bloquear a luz solar e comprometer o equil\u00edbrio do ecossistema\u201d, explica o pesquisador, que acompanha os desdobramentos junto \u00e0 Secretaria Municipal do Ambiente (Sema).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Carvalho, a prefeitura deve manter um <strong>monitoramento cont\u00ednuo da cobertura vegetal<\/strong> e, se necess\u00e1rio, intervir com remo\u00e7\u00e3o seletiva por embarca\u00e7\u00f5es. \u201c\u00c9 uma corrida contra o tempo. Se houver prolongamento do per\u00edodo seco, com o lago saturado de nutrientes e luz intensa, essas plantas v\u00e3o se multiplicar rapidamente, podendo sufocar a vida aqu\u00e1tica ao reduzir o oxig\u00eanio dispon\u00edvel na \u00e1gua\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Solu\u00e7\u00f5es em an\u00e1lise e o risco da mortandade de peixes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 considerada delicada. Um dos riscos mais iminentes \u00e9 a <strong>queda abrupta do oxig\u00eanio dissolvido<\/strong> na \u00e1gua, seja pela morte e decomposi\u00e7\u00e3o das cianobact\u00e9rias, seja pela sobreposi\u00e7\u00e3o das alfaces-d\u2019\u00e1gua sobre a l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua. Ambas as situa\u00e7\u00f5es podem levar \u00e0 morte de peixes e invertebrados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mitigar os danos, a Sema estuda a instala\u00e7\u00e3o de <strong>sistemas de aera\u00e7\u00e3o<\/strong> para reoxigenar o lago, embora esbarre na falta de equipamentos e recursos para viabilizar a solu\u00e7\u00e3o em curto prazo. \u201cEstamos de sobreaviso. Se os n\u00edveis de oxig\u00eanio ca\u00edrem demais, teremos que agir r\u00e1pido para evitar um colapso ecol\u00f3gico\u201d, refor\u00e7a Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto isso, a natureza segue seu curso, com o lago carregando silenciosamente os sinais de um ecossistema em desequil\u00edbrio. A invas\u00e3o das alfaces-d\u2019\u00e1gua, embora sutil, \u00e9 um alerta visual de que os lagos urbanos de Londrina precisam de <strong>mais do que limpeza superficial: exigem planejamento ecol\u00f3gico e a\u00e7\u00f5es estruturais de recupera\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O espelho d\u2019\u00e1gua que por d\u00e9cadas foi s\u00edmbolo de lazer e contempla\u00e7\u00e3o em Londrina amanheceu, nesta semana, com um cen\u00e1rio diferente: coberto por uma camada verde e espessa de alfaces-d\u2019\u00e1gua (Pistia stratiotes), plantas flutuantes que, embora pare\u00e7am inofensivas, podem esconder uma s\u00e9rie de alertas sobre o estado de sa\u00fade do ecossistema. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30952","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30952"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30952\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30956,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30952\/revisions\/30956"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30952"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30952"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30952"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=30952"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}