{"id":31480,"date":"2025-10-17T09:05:40","date_gmt":"2025-10-17T12:05:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=31480"},"modified":"2026-06-08T12:16:12","modified_gmt":"2026-06-08T15:16:12","slug":"ia-e-drones-ajudam-a-mapear-pinheiro-invasor-que-ameaca-cerrado-e-mata-atlantica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/ia-e-drones-ajudam-a-mapear-pinheiro-invasor-que-ameaca-cerrado-e-mata-atlantica\/","title":{"rendered":"IA e drones ajudam a mapear pinheiro invasor que amea\u00e7a Cerrado e Mata Atl\u00e2ntica"},"content":{"rendered":"<div class=\"lightweight-accordion bordered\"><details><summary class=\"lightweight-accordion-title\"><span>Resumo<\/span><\/summary><div class=\"lightweight-accordion-body\"><p> Pesquisadores da UFSCar desenvolveram um m\u00e9todo que usa drones e intelig\u00eancia artificial para identificar o pinheiro invasor Pinus elliottii em \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o entre Cerrado e Mata Atl\u00e2ntica.<br \/>\nO sistema permite mapear rapidamente a presen\u00e7a da esp\u00e9cie ex\u00f3tica, que altera o solo, favorece inc\u00eandios e amea\u00e7a a biodiversidade brasileira.<br \/>\nA tecnologia foi aplicada na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Itapeva (SP), onde identificou que 25% da \u00e1rea est\u00e1 ocupada pelo pinheiro invasor.<br \/>\nA solu\u00e7\u00e3o \u00e9 escalon\u00e1vel, de baixo custo e pode apoiar pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais, al\u00e9m de contribuir com metas globais de restaura\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO estudo tamb\u00e9m busca detectar outras esp\u00e9cies invasoras e identificar plantas nativas valiosas, como pau-brasil, arauc\u00e1ria e a\u00e7a\u00ed. <\/p>\n<\/div><\/details><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As transforma\u00e7\u00f5es silenciosas que ocorrem nos ecossistemas nem sempre s\u00e3o percept\u00edveis a olho nu, mas seus impactos podem ser profundos e duradouros. \u00c9 o caso das esp\u00e9cies invasoras, que se instalam fora de sua \u00e1rea original, competem com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e desestabilizam os ciclos ecol\u00f3gicos. Entre elas, o <strong>Pinus elliottii<\/strong>, origin\u00e1rio do sul dos Estados Unidos, vem sendo motivo de preocupa\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es brasileiras de alta sensibilidade ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi diante dessa realidade que um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), no campus Lagoa do Sino, desenvolveu um sistema capaz de <strong>detectar a presen\u00e7a desse pinheiro ex\u00f3tico em \u00e1reas naturais<\/strong>, utilizando drones e intelig\u00eancia artificial. O trabalho, que acaba de ser <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1617138125002432?dgcid=coauthor\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado no <em>Journal for Nature Conservation<\/em><\/a>, analisou uma \u00e1rea de 92 hectares em Buri (SP), na zona de transi\u00e7\u00e3o entre o Cerrado e a Mata Atl\u00e2ntica \u2014 duas das forma\u00e7\u00f5es vegetais mais amea\u00e7adas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta alia <strong>sensoriamento remoto de alta resolu\u00e7\u00e3o<\/strong> a algoritmos de aprendizado profundo, permitindo identificar a esp\u00e9cie invasora com precis\u00e3o a partir das imagens captadas por drones. A metodologia mostrou-se especialmente eficaz no reconhecimento do Pinus elliottii, que se destaca pela capacidade de alterar o solo, favorecer a propaga\u00e7\u00e3o de inc\u00eandios e <strong>reduzir drasticamente a biodiversidade local<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de contribuir para a produ\u00e7\u00e3o de madeira e celulose, essa \u00e1rvore ex\u00f3tica, quando n\u00e3o manejada adequadamente, pode se espalhar por \u00e1reas naturais e criar verdadeiros desertos ecol\u00f3gicos, onde a vegeta\u00e7\u00e3o nativa encontra dificuldades para se regenerar. Por isso, m\u00e9todos como o desenvolvido pela UFSCar se tornam essenciais para prevenir e <strong>frear o avan\u00e7o silencioso dessas esp\u00e9cies fora de controle<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sucesso do projeto despertou o interesse de institui\u00e7\u00f5es ambientais e empresas do setor florestal. A tecnologia j\u00e1 come\u00e7ou a ser aplicada na <strong>Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Itapeva (SP)<\/strong>, uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o da Mata Atl\u00e2ntica afetada pela expans\u00e3o do Pinus elliottii. O diagn\u00f3stico feito pela equipe apontou uma cobertura de aproximadamente 25% da \u00e1rea invadida por essa \u00fanica esp\u00e9cie \u2014 um n\u00famero preocupante para a sa\u00fade ecol\u00f3gica da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A metodologia tem sido usada em parceria com organiza\u00e7\u00f5es como a Funda\u00e7\u00e3o Florestal do Estado de S\u00e3o Paulo e empresas como a Bracell, al\u00e9m de contar com o apoio t\u00e9cnico da Bioflore e do Centro de Pesquisa e Extens\u00e3o em Geotecnologias (CePE-Geo). A solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m integra iniciativas maiores, como a <strong>competi\u00e7\u00e3o internacional XPrize Rainforest<\/strong> e a <strong>Jornada pelo Clima<\/strong>, voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de biomas estrat\u00e9gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto relevante \u00e9 o car\u00e1ter escal\u00e1vel da ferramenta. Por ser uma solu\u00e7\u00e3o de <strong>baixo custo, r\u00e1pida execu\u00e7\u00e3o e replic\u00e1vel em diferentes ecossistemas<\/strong>, ela pode se transformar em um importante aliado para pol\u00edticas p\u00fablicas de conserva\u00e7\u00e3o e atender a metas globais, como a D\u00e9cada da Restaura\u00e7\u00e3o proposta pela ONU e as pautas em debate na COP30, marcada para Bel\u00e9m (PA).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto avan\u00e7a no monitoramento do Pinus elliottii, o grupo da UFSCar tamb\u00e9m trabalha no desenvolvimento de algoritmos para outras esp\u00e9cies ex\u00f3ticas de alto impacto ecol\u00f3gico. Est\u00e3o na mira nomes como braqui\u00e1ria, leucena e ac\u00e1cia, todas amplamente disseminadas em \u00e1reas abertas. Ao mesmo tempo, o sistema pode ser adaptado para localizar <strong>esp\u00e9cies nativas de alto valor ecol\u00f3gico<\/strong>, como a castanheira, o pau-brasil, a arauc\u00e1ria e o a\u00e7a\u00ed \u2014 o que amplia ainda mais sua aplica\u00e7\u00e3o para a\u00e7\u00f5es de reflorestamento e gest\u00e3o ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As transforma\u00e7\u00f5es silenciosas que ocorrem nos ecossistemas nem sempre s\u00e3o percept\u00edveis a olho nu, mas seus impactos podem ser profundos e duradouros. \u00c9 o caso das esp\u00e9cies invasoras, que se instalam fora de sua \u00e1rea original, competem com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e desestabilizam os ciclos ecol\u00f3gicos. 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