{"id":31810,"date":"2025-10-29T08:53:21","date_gmt":"2025-10-29T11:53:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=31810"},"modified":"2026-06-08T11:54:41","modified_gmt":"2026-06-08T14:54:41","slug":"por-que-a-comida-do-brasileiro-custa-tao-caro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/por-que-a-comida-do-brasileiro-custa-tao-caro\/","title":{"rendered":"Por que a comida do brasileiro custa t\u00e3o caro?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comprar alimentos b\u00e1sicos no Brasil continua sendo uma tarefa que exige planejamento e, muitas vezes, ren\u00fancia. Embora exista a percep\u00e7\u00e3o de que parte da cesta b\u00e1sica est\u00e1 livre de impostos federais, o carrinho no supermercado revela que o pre\u00e7o final dos produtos essenciais segue em patamares elevados. A raz\u00e3o \u00e9 menos vis\u00edvel do que os n\u00fameros estampados na etiqueta: h\u00e1 uma carga tribut\u00e1ria oculta que pode ultrapassar <strong>20% do valor<\/strong> dos itens, dependendo do estado onde o consumidor vive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa realidade, mapeada por estudos recentes do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) em parceria com o IBPT, exp\u00f5e a estrutura tribut\u00e1ria brasileira como um labirinto que onera silenciosamente as fam\u00edlias \u2014 principalmente as de menor renda, que destinam uma parcela muito maior do or\u00e7amento \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A ilus\u00e3o do imposto zero: o peso que continua na conta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo federal isentou tributos como PIS\/COFINS sobre parte dos alimentos b\u00e1sicos, o que deveria ajudar no bolso do trabalhador. Entretanto, essa medida funciona apenas na superf\u00edcie. O custo tribut\u00e1rio segue se acumulando <strong>antes<\/strong> de o alimento chegar \u00e0s prateleiras, mascarado em cada etapa do processo produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IPEA apontou que esse tipo de pol\u00edtica de desonera\u00e7\u00e3o ampla <strong>n\u00e3o corrige desigualdades sociais<\/strong>. Na pr\u00e1tica, fam\u00edlias que consomem mais \u2014 e geralmente t\u00eam maior renda \u2014 acabam concentrando o benef\u00edcio fiscal. Com isso, quem ganha menos segue arcando proporcionalmente com uma parte maior do peso dos impostos embutidos no pre\u00e7o da comida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">ICMS: um mapa tribut\u00e1rio desigual que encarece a comida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal elemento respons\u00e1vel por transformar a cesta b\u00e1sica em um produto de luxo \u00e9 o ICMS, imposto administrado pelos estados. Cada um define sua pr\u00f3pria lista de produtos beneficiados e as al\u00edquotas aplicadas. O resultado \u00e9 um cen\u00e1rio ca\u00f3tico, onde o mesmo alimento pode custar muito mais dependendo de onde o consumidor vive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de padroniza\u00e7\u00e3o cria distor\u00e7\u00f5es e incentiva decis\u00f5es equivocadas. Em alguns estados, produtos ultraprocessados entram na lista de essenciais, enquanto alimentos frescos deixam de ter benef\u00edcios. Al\u00e9m disso, a adapta\u00e7\u00e3o a 27 regras fiscais diferentes gera custos extras para a ind\u00fastria e o varejo, que repassam esse impacto diretamente ao pre\u00e7o final.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A carga invis\u00edvel: o imposto que nasce no campo e morre no caixa do supermercado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O brasileiro n\u00e3o paga apenas imposto sobre o alimento. Paga <strong>imposto sobre o combust\u00edvel<\/strong> que transporta a produ\u00e7\u00e3o, <strong>imposto sobre a energia el\u00e9trica<\/strong> que alimenta m\u00e1quinas, <strong>imposto sobre os insumos agr\u00edcolas<\/strong>, <strong>imposto sobre embalagens<\/strong> e tantas outras cobran\u00e7as que se acumulam como camadas invis\u00edveis no pre\u00e7o dos produtos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pior efeito \u00e9 o chamado <strong>imposto sobre imposto<\/strong>: toda etapa tributada encarece a seguinte. O impacto cresce como uma bola de neve e se revela apenas no valor final colocado na g\u00f4ndola. \u00c9 um sistema que cobra muito e devolve pouco, comprimindo a renda do consumidor que s\u00f3 quer garantir o b\u00e1sico da sua alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reforma Tribut\u00e1ria: uma promessa de al\u00edvio, com desafios pelo caminho<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Reforma Tribut\u00e1ria aprovada em 2024 surge como uma tentativa de reorganizar esse cen\u00e1rio complexo. Ao substituir o atual emaranhado por um modelo de IVA dual, ela pretende criar <strong>uma Cesta B\u00e1sica Nacional com al\u00edquota zero em todo o pa\u00eds<\/strong>, priorizando alimentos saud\u00e1veis e com valor nutricional real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, para que o benef\u00edcio chegue ao bolso do consumidor, ser\u00e1 essencial fiscalizar a cadeia produtiva. Sem mecanismos eficientes, h\u00e1 risco de que a redu\u00e7\u00e3o de impostos seja absorvida ao longo do processo, mantendo os pre\u00e7os altos \u2014 e preservando a desigualdade no acesso ao alimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comprar alimentos b\u00e1sicos no Brasil continua sendo uma tarefa que exige planejamento e, muitas vezes, ren\u00fancia. Embora exista a percep\u00e7\u00e3o de que parte da cesta b\u00e1sica est\u00e1 livre de impostos federais, o carrinho no supermercado revela que o pre\u00e7o final dos produtos essenciais segue em patamares elevados. 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