{"id":31815,"date":"2025-10-29T09:02:05","date_gmt":"2025-10-29T12:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=31815"},"modified":"2026-06-08T11:53:48","modified_gmt":"2026-06-08T14:53:48","slug":"uem-lidera-projeto-global-para-estudar-e-conter-plantas-invasoras-nos-rios-e-lagos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/uem-lidera-projeto-global-para-estudar-e-conter-plantas-invasoras-nos-rios-e-lagos\/","title":{"rendered":"UEM lidera projeto global para estudar e conter plantas invasoras nos rios e lagos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio aos desafios crescentes da conserva\u00e7\u00e3o ambiental, um dos problemas que avan\u00e7a de forma silenciosa \u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o de <strong>plantas aqu\u00e1ticas invasoras<\/strong>. Disfar\u00e7adas por uma apar\u00eancia delicada, essas esp\u00e9cies escondem um potencial destrutivo para os ecossistemas de \u00e1gua doce. Ao cobrir rios, lagos e represas com densos tapetes vegetais, elas bloqueiam a luz solar, diminuem os n\u00edveis de oxig\u00eanio e sufocam a biodiversidade nativa \u2014 afetando, diretamente, atividades humanas como o abastecimento de \u00e1gua, a pesca artesanal e o turismo ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 nesse cen\u00e1rio que a <strong>Universidade Estadual de Maring\u00e1 (UEM)<\/strong> ganha destaque ao integrar duas iniciativas internacionais voltadas ao controle dessas esp\u00e9cies. Ambas as pesquisas s\u00e3o financiadas por programas cient\u00edficos da <strong>Comiss\u00e3o Europeia<\/strong> e promovem uma rara articula\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es de pa\u00edses como <strong>It\u00e1lia, Canad\u00e1, Portugal, \u00c1ustria, B\u00e9lgica, Cro\u00e1cia e Rom\u00eania<\/strong>, al\u00e9m do Brasil. O foco comum? Compreender profundamente o comportamento das plantas invasoras e desenvolver solu\u00e7\u00f5es eficazes para frear sua expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pesquisas colaborativas para entender a dispers\u00e3o das esp\u00e9cies<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das frentes de atua\u00e7\u00e3o se concentra no projeto <strong>\u201cPrevendo a diversidade funcional de plantas aqu\u00e1ticas ex\u00f3ticas invasoras\u201d<\/strong>, que tem como objetivo mapear a capacidade adaptativa dessas esp\u00e9cies em diferentes ambientes. A proposta \u00e9 liderada pelo professor <strong>Rossano Bolpagni<\/strong>, da Universit\u00e0 degli Studi di Parma (It\u00e1lia), e conta com a participa\u00e7\u00e3o de <strong>Lars Iversen<\/strong>, da McGill University (Canad\u00e1), al\u00e9m dos brasileiros <strong>Sidinei Magela Thomaz<\/strong> e <strong>Roger Paulo Mormul<\/strong>, ambos do Departamento de Biologia da UEM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e1lises s\u00e3o desenvolvidas por meio de coletas de campo e experimentos laboratoriais conduzidos pela doutoranda <strong>Alice Dalla Vecchia<\/strong>, que circula entre tr\u00eas pa\u00edses \u2014 It\u00e1lia, Canad\u00e1 e Brasil. Em sua \u00faltima passagem por aqui, foi acompanhada por tr\u00eas colegas da Universidade de Parma para realizar a etapa brasileira da pesquisa, com atividades coordenadas pelo <strong>Nup\u00e9lia (N\u00facleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura)<\/strong> e pelo <strong>Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia de Ambientes Aqu\u00e1ticos Continentais (PEA)<\/strong> da UEM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o professor <strong>Roger Paulo Mormul<\/strong>, o problema \u00e9 mais grave do que aparenta. \u201cEssas plantas entopem os cursos d\u2019\u00e1gua, expulsam esp\u00e9cies nativas e comprometem a integridade desses ecossistemas. Isso afeta diretamente os servi\u00e7os que a \u00e1gua doce nos oferece, como o lazer, a pesca e o consumo humano\u201d, explica o pesquisador. Al\u00e9m disso, parte dos experimentos ocorre em locais estrat\u00e9gicos como os reservat\u00f3rios de hidrel\u00e9tricas e a base do Nup\u00e9lia em <strong>Porto Rico (PR)<\/strong>, com apoio da bi\u00f3loga <strong>Aline Rosado<\/strong> e do t\u00e9cnico <strong>Valmir Alves Teixeira<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto tem dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos e inclui uma abordagem inovadora: a <strong>Ci\u00eancia Cidad\u00e3<\/strong>. A ideia \u00e9 envolver a popula\u00e7\u00e3o no monitoramento das esp\u00e9cies invasoras, criando uma rede de observadores que ajude a identificar rapidamente novos focos. \u201cAs descobertas n\u00e3o ficar\u00e3o restritas aos laborat\u00f3rios. Pretendemos desenvolver ferramentas de alerta precoce que auxiliem na tomada de decis\u00f5es e na implementa\u00e7\u00e3o de medidas preventivas eficazes\u201d, refor\u00e7a Mormul.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">BUILDERS: ci\u00eancia cidad\u00e3 e comportamento animal no centro das a\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m desse projeto, a UEM tamb\u00e9m \u00e9 a <strong>\u00fanica institui\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong> presente no cons\u00f3rcio internacional <strong>BUILDERS<\/strong> \u2013 sigla para <em>Building Resilience Through Citizen Science-Driven Approaches to Invasive Species<\/em>. Coordenada pela professora <strong>Cristina Castracani<\/strong>, da Universidade de Parma, a iniciativa busca transformar a forma como o mundo lida com esp\u00e9cies invasoras ao unir <strong>Ci\u00eancia Cidad\u00e3<\/strong>, <strong>Comportamento Animal<\/strong> e <strong>Monitoramento Biol\u00f3gico<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com in\u00edcio previsto para 1\u00ba de novembro e vig\u00eancia at\u00e9 2029, o BUILDERS re\u00fane onze institui\u00e7\u00f5es \u2014 entre acad\u00eamicas e n\u00e3o acad\u00eamicas \u2014 de sete pa\u00edses e conta com investimento superior a <strong>4,5 milh\u00f5es de reais<\/strong> pelo programa europeu <strong>Marie Sk\u0142odowska-Curie Actions<\/strong>, dentro do Horizon Europe. Embora a UEM n\u00e3o receba verbas diretas, o projeto prev\u00ea <strong>interc\u00e2mbio cient\u00edfico intenso<\/strong>, com a vinda de aproximadamente 20 pesquisadores europeus ao Paran\u00e1 ao longo dos pr\u00f3ximos quatro anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Mormul, que coordena a iniciativa no Brasil, essa articula\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para pensar solu\u00e7\u00f5es em escala. \u201cO projeto tem a ambi\u00e7\u00e3o de transformar a maneira como lidamos com as esp\u00e9cies invasoras, superando barreiras de conhecimento que dificultam seu controle\u201d, observa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tecnologia, ci\u00eancia e engajamento: as bases para uma resposta global<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com atua\u00e7\u00e3o integrada entre institui\u00e7\u00f5es de ponta e envolvimento direto da sociedade, os dois projetos em andamento na UEM s\u00e3o exemplos concretos de como o conhecimento cient\u00edfico pode gerar impacto real na gest\u00e3o ambiental. As pesquisas n\u00e3o apenas fortalecem o protagonismo da ci\u00eancia brasileira no cen\u00e1rio global, como tamb\u00e9m oferecem insumos para a cria\u00e7\u00e3o de <strong>pol\u00edticas p\u00fablicas, planos de manejo e estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o<\/strong> contra uma das maiores amea\u00e7as aos nossos ecossistemas h\u00eddricos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afinal, diante do avan\u00e7o das esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, a melhor defesa \u00e9 a informa\u00e7\u00e3o \u2014 bem fundamentada, compartilhada e constru\u00edda com a participa\u00e7\u00e3o ativa da sociedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio aos desafios crescentes da conserva\u00e7\u00e3o ambiental, um dos problemas que avan\u00e7a de forma silenciosa \u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o de plantas aqu\u00e1ticas invasoras. Disfar\u00e7adas por uma apar\u00eancia delicada, essas esp\u00e9cies escondem um potencial destrutivo para os ecossistemas de \u00e1gua doce. 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