{"id":32271,"date":"2025-11-17T12:03:46","date_gmt":"2025-11-17T15:03:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=32271"},"modified":"2026-06-08T11:37:51","modified_gmt":"2026-06-08T14:37:51","slug":"dinossauros-na-amazonia-novos-vestigios-revelam-um-capitulo-inesperado-da-pre-historia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/dinossauros-na-amazonia-novos-vestigios-revelam-um-capitulo-inesperado-da-pre-historia-brasileira\/","title":{"rendered":"Dinossauros na Amaz\u00f4nia: novos vest\u00edgios revelam um cap\u00edtulo inesperado da pr\u00e9-hist\u00f3ria brasileira"},"content":{"rendered":"<div class=\"lightweight-accordion bordered\"><details><summary class=\"lightweight-accordion-title\"><span>Resumo<\/span><\/summary><div class=\"lightweight-accordion-body\"><p>\n\u2022 Pesquisadores identificaram mais de dez pegadas de dinossauros na Bacia do Tacutu, em Roraima, revelando a presen\u00e7a in\u00e9dita desses animais na Amaz\u00f4nia.<br \/>\n\u2022 As marcas t\u00eam mais de 103 milh\u00f5es de anos e indicam a passagem de diferentes grupos, incluindo tipos \u00e1geis, herb\u00edvoros b\u00edpedes e esp\u00e9cies com armaduras dorsais.<br \/>\n\u2022 A regi\u00e3o preservou as pegadas gra\u00e7as a antigos vales \u00famidos, onde a lama endurecia rapidamente e resistia ao soterramento ao longo de mil\u00eanios.<br \/>\n\u2022 As primeiras descobertas ocorreram em 2014, mas s\u00f3 ganharam an\u00e1lise detalhada anos depois, com o uso de t\u00e9cnicas como a fotogrametria 3D.<br \/>\n\u2022 Estimativas atuais sugerem centenas de pegadas na Bacia do Tacutu, redesenhando o mapa da pr\u00e9-hist\u00f3ria brasileira e ampliando o entendimento sobre a presen\u00e7a de dinossauros no pa\u00eds.<\/p>\n<\/div><\/details><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de dinossauros deixando rastros na Amaz\u00f4nia sempre pareceu improv\u00e1vel. Entretanto, a regi\u00e3o guarda hist\u00f3rias que o tempo insistiu em esconder. Ali\u00e1s, apesar de o Brasil j\u00e1 ter fornecido diversas pistas sobre a presen\u00e7a desses animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos, faltava justamente a confirma\u00e7\u00e3o de que eles haviam habitado ou atravessado o extremo norte do pa\u00eds. Agora, essa lacuna finalmente come\u00e7a a ser preenchida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima acabam de revelar um achado sem precedentes: mais de dez pegadas fossilizadas foram identificadas na Bacia do Tacutu, no munic\u00edpio de Bonfim, a poucos quil\u00f4metros da fronteira com a Guiana. Segundo os estudos iniciais, essas marcas t\u00eam mais de <strong>103 milh\u00f5es de anos<\/strong>, atravessando o per\u00edodo entre o Jur\u00e1ssico e o Cret\u00e1ceo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As pistas deixadas pelos gigantes<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora ainda n\u00e3o seja poss\u00edvel determinar precisamente quais esp\u00e9cies deixaram as marcas, as caracter\u00edsticas dos rastros apontam para grupos distintos. Entre eles, aparecem poss\u00edveis registros de dinossauros com garras afiadas e postura \u00e1gil, outros com h\u00e1bitos herb\u00edvoros que caminhavam apoiados sobre dois membros, al\u00e9m de tipos protegidos por uma estrutura semelhante a uma armadura dorsal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses vest\u00edgios refor\u00e7am que diferentes dinossauros conviveram e atravessaram a regi\u00e3o \u2014 um cen\u00e1rio muito distinto da floresta densa que conhecemos hoje. Al\u00e9m disso, as pegadas ajudam a reconstruir paisagens perdidas no tempo, oferecendo pistas de como aqueles animais se moviam, onde se alimentavam e de quais ambientes dependiam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O desafio de encontrar f\u00f3sseis na Amaz\u00f4nia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A raridade de registros fossil\u00edferos na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia. O clima \u00famido, os solos \u00e1cidos e os processos naturais de intemperiza\u00e7\u00e3o costumam degradar rapidamente qualquer material org\u00e2nico. Entretanto, a Bacia do Tacutu ofereceu uma combina\u00e7\u00e3o rara: um vale antigo, repleto de canais fluviais, onde a lama \u00famida endurecia pouco depois de receber as marcas deixadas pelos animais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como explicou o pesquisador respons\u00e1vel pela descoberta, <strong>\u201cO Tacutu seria um vale com diversos canais de rios que flu\u00edam juntos. Era um local com muita \u00e1gua e muita vegeta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa lama endurecida se transformou, ao longo de mil\u00eanios, em rochas resistentes o bastante para sobreviver \u00e0 eros\u00e3o. Assim, pegadas que desapareceriam em poucos dias em outras regi\u00f5es acabaram preservadas por milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, uma pequena faixa de vegeta\u00e7\u00e3o tipo savana no local possibilitou que as rochas ficassem expostas para an\u00e1lise, revelando pegadas, troncos fossilizados e at\u00e9 impress\u00f5es de folhas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma descoberta que quase se perdeu no tempo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras pegadas haviam sido encontradas ainda em 2014, durante uma atividade de campo da UFRR. Por\u00e9m, sem especialistas na universidade e sem o equipamento necess\u00e1rio, o material permaneceu sem an\u00e1lise por anos. O professor respons\u00e1vel pelo grupo relatou que evitar a divulga\u00e7\u00e3o precoce era quest\u00e3o de proteger a pesquisa:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cSe na \u00e9poca a gente divulgasse isso, viriam outras pessoas e tomariam a pesquisa para eles\u201d,<\/strong> contou.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somente em 2021 o estudo foi retomado, j\u00e1 com novas tecnologias \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Entre elas, a fotogrametria, t\u00e9cnica que permite reconstruir digitalmente modelos tridimensionais extremamente fi\u00e9is das pegadas. A metodologia viabilizou descri\u00e7\u00f5es mais precisas e a identifica\u00e7\u00e3o de novos afloramentos fossil\u00edferos na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que esses vest\u00edgios significam para a ci\u00eancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estimativas mais recentes indicam que podem existir <strong>centenas de pegadas<\/strong> distribu\u00eddas pela Bacia do Tacutu. Parte delas est\u00e1 localizada em \u00e1reas privadas, o que traz desafios adicionais para a continuidade dos estudos. Al\u00e9m disso, h\u00e1 registros em terras ind\u00edgenas, onde as pesquisas avan\u00e7am com monitoramento cuidadoso e autoriza\u00e7\u00e3o das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o fato ineg\u00e1vel \u00e9 que a descoberta j\u00e1 redesenha o mapa da presen\u00e7a dos dinossauros no Brasil. A Amaz\u00f4nia, antes considerada improv\u00e1vel para registros desse tipo, agora revela que sua hist\u00f3ria \u00e9 muito mais antiga e complexa do que imagin\u00e1vamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, assim, cada nova pegada encontrada se transforma numa pe\u00e7a vital para remontar um passado que parecia perdido \u2014 um tempo em que gigantes caminhavam por um territ\u00f3rio que, milh\u00f5es de anos depois, se tornaria a maior floresta tropical do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de dinossauros deixando rastros na Amaz\u00f4nia sempre pareceu improv\u00e1vel. Entretanto, a regi\u00e3o guarda hist\u00f3rias que o tempo insistiu em esconder. Ali\u00e1s, apesar de o Brasil j\u00e1 ter fornecido diversas pistas sobre a presen\u00e7a desses animais pr\u00e9-hist\u00f3ricos, faltava justamente a confirma\u00e7\u00e3o de que eles haviam habitado ou atravessado o extremo norte do pa\u00eds. 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