{"id":32355,"date":"2025-11-23T20:24:15","date_gmt":"2025-11-23T23:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=32355"},"modified":"2026-06-08T11:38:29","modified_gmt":"2026-06-08T14:38:29","slug":"incrivel-porem-real-abelhas-sabem-medir-o-tempo-e-agora-a-ciencia-explica-como","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/incrivel-porem-real-abelhas-sabem-medir-o-tempo-e-agora-a-ciencia-explica-como\/","title":{"rendered":"Incr\u00edvel, por\u00e9m real: abelhas sabem medir o tempo \u2014 e agora a ci\u00eancia explica como"},"content":{"rendered":"<div class=\"lightweight-accordion bordered\"><details><summary class=\"lightweight-accordion-title\"><span>Resumo<\/span><\/summary><div class=\"lightweight-accordion-body\"><p>\n\u2022 O estudo mostra que mamangavas conseguem diferenciar intervalos curtos de tempo, revelando uma percep\u00e7\u00e3o temporal mais sofisticada do que se imaginava.<br \/>\n\u2022 O experimento utilizou flashes de luz com dura\u00e7\u00f5es distintas, ligados a recompensas ou puni\u00e7\u00f5es, comprovando que os insetos aprendem e memorizam esses padr\u00f5es.<br \/>\n\u2022 Mesmo sem est\u00edmulos visuais semelhantes na natureza, as abelhas interpretaram com precis\u00e3o a dura\u00e7\u00e3o dos flashes, indicando que essa habilidade pode ter outras fun\u00e7\u00f5es evolutivas.<br \/>\n\u2022 A pesquisa sugere uma poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o entre a percep\u00e7\u00e3o de tempo e a interpreta\u00e7\u00e3o espacial, j\u00e1 que abelhas usam fluxo visual para estimar dist\u00e2ncias.<br \/>\n\u2022 A descoberta refor\u00e7a que insetos possuem capacidades cognitivas complexas, ampliando o entendimento sobre intelig\u00eancia e comportamento no reino animal.<\/p>\n<\/div><\/details><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muito tempo, sabemos que abelhas s\u00e3o capazes de feitos impressionantes: reconhecem padr\u00f5es, memorizam rotas, comunicam dist\u00e2ncias e at\u00e9 diferenciam rostos humanos. Entretanto, uma nova pesquisa conduzida pela <strong>Universidade Queen Mary de Londres<\/strong> em parceria com a <strong>Universidade Tecnol\u00f3gica de Nanyang, em Cingapura<\/strong>, acaba de adicionar mais uma habilidade a essa lista extraordin\u00e1ria. Segundo o estudo publicado na <em>Biology Letters<\/em>, mamangavas conseguem identificar a passagem do tempo em intervalos curt\u00edssimos \u2014 algo considerado sofisticado at\u00e9 mesmo entre animais maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa revela\u00e7\u00e3o amplia significativamente o que se entendia sobre cogni\u00e7\u00e3o em insetos. Ali\u00e1s, embora os ritmos circadianos dessas esp\u00e9cies sejam amplamente conhecidos, ainda havia uma lacuna importante sobre como elas processam segundos e fra\u00e7\u00f5es deles. Agora, gra\u00e7as a uma metodologia engenhosa, pesquisadores oferecem respostas que surpreendem pela precis\u00e3o do comportamento observado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como o experimento testou a no\u00e7\u00e3o de tempo das mamangavas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para investigar essa habilidade, os cientistas criaram um ambiente controlado onde <strong>41 mamangavas<\/strong> podiam circular livremente e aprender associa\u00e7\u00f5es entre est\u00edmulos luminosos e consequ\u00eancias. Al\u00e9m disso, todo o protocolo foi desenhado de modo a evitar pistas externas, garantindo que apenas a dura\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo servisse como refer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas luzes amarelas piscavam por tempos distintos: uma brevemente e outra por um intervalo mais prolongado. Quando as mamangavas escolhiam a luz correspondente ao tempo certo, eram recompensadas com uma solu\u00e7\u00e3o a\u00e7ucarada; quando erravam, recebiam quinino \u2014 subst\u00e2ncia amarga que desencorajava decis\u00f5es incorretas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, para eliminar a possibilidade de que a intensidade luminosa interferisse na percep\u00e7\u00e3o, os pesquisadores controlaram o n\u00famero total de flashes, mantendo todos os demais par\u00e2metros id\u00eanticos. Assim, apenas o intervalo temporal poderia guiar a escolha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desempenho exigia precis\u00e3o: era necess\u00e1rio acertar <strong>15 das 20 tentativas<\/strong> para avan\u00e7ar no processo. E, surpreendentemente, mesmo quando as recompensas foram retiradas, muitas mamangavas continuaram selecionando a alternativa correta, o que demonstrou que o aprendizado havia sido consolidado de forma robusta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Decis\u00f5es baseadas no tempo: uma habilidade al\u00e9m da natureza imediata<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aspecto particularmente intrigante do estudo \u00e9 que <strong>insetos n\u00e3o encontram flashes intermitentes na natureza<\/strong>. Mesmo assim, conseguiram monitorar com exatid\u00e3o a dura\u00e7\u00e3o dos est\u00edmulos e tomar decis\u00f5es coerentes com esse padr\u00e3o. Esse comportamento sugere que a capacidade de medir intervalos curtos pode ter surgido evolutivamente para outras fun\u00e7\u00f5es essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre essas fun\u00e7\u00f5es, os pesquisadores destacam a interpreta\u00e7\u00e3o de movimentos r\u00e1pidos e a orienta\u00e7\u00e3o dentro da colmeia. Movimentos de asas, vibra\u00e7\u00f5es e varia\u00e7\u00f5es internas do ambiente s\u00e3o marcadores complexos, e acompanhar seu ritmo pode ser vital para intera\u00e7\u00f5es sociais, defesa e efici\u00eancia na busca por alimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o experimento n\u00e3o revela apenas uma habilidade adaptada; ele exp\u00f5e como mecanismos cognitivos aparentemente simples podem sustentar tarefas altamente elaboradas na vida desses insetos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tempo e espa\u00e7o: uma rela\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m existe para as abelhas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto de destaque na pesquisa \u00e9 a hip\u00f3tese de que a percep\u00e7\u00e3o do tempo possa estar relacionada \u00e0 forma como abelhas processam <strong>informa\u00e7\u00f5es espaciais<\/strong>. Elas utilizam o fluxo visual \u2014 a velocidade do movimento do ambiente em rela\u00e7\u00e3o ao corpo \u2014 para estimar dist\u00e2ncias durante o voo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o estudo, \u00e9 poss\u00edvel que mecanismos semelhantes sejam empregados para medir intervalos temporais. Essa poss\u00edvel converg\u00eancia entre tempo e espa\u00e7o j\u00e1 foi observada em vertebrados, e agora, pela primeira vez, encontra ind\u00edcios convincentes tamb\u00e9m entre insetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora mais investiga\u00e7\u00f5es sejam necess\u00e1rias, essa descoberta abre portas para entender como estruturas cerebrais t\u00e3o pequenas conseguem apoiar comportamentos complexos, refor\u00e7ando a ideia de que o tamanho do c\u00e9rebro n\u00e3o determina a sofistica\u00e7\u00e3o cognitiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um novo cap\u00edtulo no estudo da intelig\u00eancia dos insetos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho das universidades brit\u00e2nica e singapurense demonstra que a cogni\u00e7\u00e3o das abelhas \u00e9 mais refinada do que se imaginava. Al\u00e9m disso, refor\u00e7a que habilidades como mem\u00f3ria temporal e interpreta\u00e7\u00e3o espacial podem atuar de forma integrada, permitindo que esses insetos executem tarefas essenciais para sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, o estudo se junta a uma s\u00e9rie de descobertas recentes que reposicionam insetos \u2014 especialmente abelhas \u2014 no centro de debates sobre consci\u00eancia, aprendizagem e percep\u00e7\u00e3o no reino animal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito tempo, sabemos que abelhas s\u00e3o capazes de feitos impressionantes: reconhecem padr\u00f5es, memorizam rotas, comunicam dist\u00e2ncias e at\u00e9 diferenciam rostos humanos. Entretanto, uma nova pesquisa conduzida pela Universidade Queen Mary de Londres em parceria com a Universidade Tecnol\u00f3gica de Nanyang, em Cingapura, acaba de adicionar mais uma habilidade a essa lista extraordin\u00e1ria. 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