{"id":32618,"date":"2025-12-03T08:38:08","date_gmt":"2025-12-03T11:38:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=32618"},"modified":"2026-06-08T08:19:21","modified_gmt":"2026-06-08T11:19:21","slug":"estudantes-baianos-criam-fertilizante-sustentavel-a-partir-de-caranguejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/estudantes-baianos-criam-fertilizante-sustentavel-a-partir-de-caranguejo\/","title":{"rendered":"Estudantes baianos criam fertilizante sustent\u00e1vel a partir de caranguejo"},"content":{"rendered":"<div class=\"lightweight-accordion bordered\"><details><summary class=\"lightweight-accordion-title\"><span>Resumo<\/span><\/summary><div class=\"lightweight-accordion-body\"><ul>\n<li>Jovens do SESI Bahia transformam restos de caranguejo em um fertilizante sustent\u00e1vel que j\u00e1 conquista pr\u00eamios cient\u00edficos e chama aten\u00e7\u00e3o nacional.<\/li>\n<li>O projeto BioH+ nasceu da observa\u00e7\u00e3o de um problema ambiental em Ilh\u00e9us e evoluiu gra\u00e7as ao incentivo da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica escolar.<\/li>\n<li>Nicolas Yudi e Ana Cec\u00edlia Assis desenvolveram a solu\u00e7\u00e3o com apoio do professor Glauber Guimar\u00e3es, ampliando o impacto do trabalho em feiras e eventos.<\/li>\n<li>A metodologia cient\u00edfica do SESI tamb\u00e9m inspirou outras trajet\u00f3rias, como a de Luiza Gabriella, hoje premiada em hackathons e \u00e1rea tecnol\u00f3gica.<\/li>\n<li>A pesquisa escolar mostra seu poder transformador ao revelar estudantes capazes de criar solu\u00e7\u00f5es reais e sonhar com neg\u00f3cios sustent\u00e1veis.\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div><\/details><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas ruas de Ilh\u00e9us, onde os manguezais sustentam a cultura local h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, o jovem Nicolas Yudi, de apenas 17 anos, come\u00e7ou a enxergar um problema que se repetia diariamente. Restos de caranguejo \u2014 cascas, patas, carapa\u00e7as \u2014 eram descartados sem qualquer tratamento, acumulando-se como res\u00edduo e gerando impactos tanto ambientais quanto sanit\u00e1rios. Foi nesse cen\u00e1rio t\u00e3o cotidiano quanto inc\u00f4modo que surgiu a inquieta\u00e7\u00e3o que mudaria sua rela\u00e7\u00e3o com a ci\u00eancia. Nicolas percebeu que ali poderia existir mais do que lixo: poderia existir solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao lado de Ana Cec\u00edlia Assis, colega na Escola SESI Adonias Filho, ele desenvolveu o <strong>BioH+<\/strong>, um fertilizante natural produzido a partir desses res\u00edduos do crust\u00e1ceo. O produto, al\u00e9m de dar destino correto ao material descartado, corrige solos agr\u00edcolas e oferece uma alternativa sustent\u00e1vel para produtores da regi\u00e3o. Assim, o que antes carregava apar\u00eancia de rejeito transformou-se em um insumo capaz de devolver vida \u00e0 terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta chamou aten\u00e7\u00e3o rapidamente. A dupla conquistou o primeiro lugar na Batalha da Semana da Inova\u00e7\u00e3o, realizada em Ilh\u00e9us, e garantiu vaga na final da Feira Internacional de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (FENIC), promovida pelo SESI Bahia em dezembro de 2024. N\u00e3o foi apenas uma conquista acad\u00eamica; foi a prova de que ideias nascidas da comunidade t\u00eam for\u00e7a para redesenhar realidades quando encontram orienta\u00e7\u00e3o e espa\u00e7o para crescer.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong>A escola nunca tratou ci\u00eancia como algo distante da gente<\/strong>\u201d, explica Nicolas, lembrando o incentivo constante dos professores. \u201c<strong>Desde cedo, fomos estimulados a olhar para os problemas ao nosso redor e entender que a pesquisa pode nascer exatamente ali<\/strong>.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando a escola se torna um laborat\u00f3rio vivo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ambiente que permitiu que o BioH+ ganhasse forma \u00e9 parte do programa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica desenvolvido nas unidades do SESI Bahia. A proposta \u00e9 simples, mas transformadora: estimular a curiosidade e guiar os estudantes para que suas d\u00favidas se tornem experimentos, projetos e solu\u00e7\u00f5es reais. Foi assim que o professor Glauber Guimar\u00e3es, orientador da unidade de Ilh\u00e9us, acompanhou cada etapa da pesquisa, ajudando a transformar inquieta\u00e7\u00f5es em perguntas cient\u00edficas e, depois, em um produto funcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong>Sempre procuro estimular essa vis\u00e3o investigativa, instigando perguntas e mostrando caminhos poss\u00edveis<\/strong>\u201d, conta Glauber, que viu o projeto amadurecer com o comprometimento da dupla. Segundo ele, o trabalho n\u00e3o surgiu pronto; nasceu de observa\u00e7\u00f5es do cotidiano, cresceu com metodologias adequadas e se fortaleceu \u00e0 medida que ganhou visibilidade nas feiras cient\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses eventos, ali\u00e1s, funcionam como portas que se abrem para jovens pesquisadores. \u201c<strong>Conhecer outros estudantes e receber feedback profissional me deu mais confian\u00e7a<\/strong>\u201d, afirma Nicolas. De repente, o que antes parecia uma solu\u00e7\u00e3o local se mostrou capaz de dialogar com desafios ambientais mais amplos e, ao mesmo tempo, de inspirar outras trajet\u00f3rias semelhantes.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Veja tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/noticias\/parana-em-numeros-o-painel-que-revela-a-forca-economica-e-agricola-do-estado\/\">Paran\u00e1 em N\u00fameros: o painel que revela a for\u00e7a econ\u00f4mica e agr\u00edcola do Estado<\/a><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao mundo da tecnologia: caminhos que se ampliam<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria de Nicolas n\u00e3o \u00e9 \u00fanica. A metodologia do SESI Bahia j\u00e1 marcou profundamente outros estudantes, como Luiza Gabriella dos Santos, que iniciou sua jornada cient\u00edfica no 9\u00ba ano e encontrou ali o ponto de virada para sua carreira. Hoje com 22 anos e cursando Engenharia de Software, Luiza soma pr\u00eamios em hackathons e destaca como a inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica moldou seu olhar para a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<strong>A inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica me provocou uma inquietude voltada para projetos com impacto social<\/strong>\u201d, afirma ela, que recentemente alcan\u00e7ou o primeiro lugar no Hackathon de Inova\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade do SESI Bahia, criando um aplicativo voltado ao agendamento de consultas. A base t\u00e9cnica e a viv\u00eancia colaborativa constru\u00eddas na escola serviram, segundo a pr\u00f3pria ex-aluna, como trampolim para sua atua\u00e7\u00e3o atual nas \u00e1reas de gest\u00e3o de projetos, an\u00e1lise de dados e desenvolvimento tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Inova\u00e7\u00e3o que transforma vidas \u2014 e futuros poss\u00edveis<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As trajet\u00f3rias de Nicolas e Luiza evidenciam como a ci\u00eancia, quando cultivada dentro da escola, ultrapassa os limites do curr\u00edculo. Ela n\u00e3o prepara apenas para vestibulares; prepara para enxergar o mundo com coragem investigativa, capacidade anal\u00edtica e consci\u00eancia social. Como resume o professor Glauber, \u201c<strong>quando um aluno encontra orienta\u00e7\u00e3o e um espa\u00e7o de valida\u00e7\u00e3o como a FENIC ou o Bahia Tech Experience, ele entende que suas ideias podem alcan\u00e7ar impacto real<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto isso, Nicolas continua aprofundando o BioH+, ajustando f\u00f3rmulas, estudando aplica\u00e7\u00f5es e sonhando com a possibilidade de transformar o fertilizante em um produto acess\u00edvel para produtores rurais da regi\u00e3o. O que come\u00e7ou como uma inquieta\u00e7\u00e3o diante do descarte inadequado agora se desenha como um futuro neg\u00f3cio \u2014 e como um exemplo inspirador do potencial da juventude quando ci\u00eancia, territ\u00f3rio e prop\u00f3sito se encontram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E pensar que tudo come\u00e7ou com restos de caranguejo que, at\u00e9 ent\u00e3o, ningu\u00e9m sabia ao certo para onde iriam. Hoje, eles abrem portas, constroem carreiras e mostram que inova\u00e7\u00e3o pode nascer justamente onde poucos imaginam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas ruas de Ilh\u00e9us, onde os manguezais sustentam a cultura local h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, o jovem Nicolas Yudi, de apenas 17 anos, come\u00e7ou a enxergar um problema que se repetia diariamente. Restos de caranguejo \u2014 cascas, patas, carapa\u00e7as \u2014 eram descartados sem qualquer tratamento, acumulando-se como res\u00edduo e gerando impactos tanto ambientais quanto sanit\u00e1rios. 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