{"id":32702,"date":"2025-12-06T10:24:38","date_gmt":"2025-12-06T13:24:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=32702"},"modified":"2026-06-08T08:19:20","modified_gmt":"2026-06-08T11:19:20","slug":"farinha-de-castanha-do-brasil-supera-o-trigo-em-proteina-e-impulsiona-novos-alimentos-vegetais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/farinha-de-castanha-do-brasil-supera-o-trigo-em-proteina-e-impulsiona-novos-alimentos-vegetais\/","title":{"rendered":"Farinha de castanha-do-brasil supera o trigo em prote\u00edna e impulsiona novos alimentos vegetais"},"content":{"rendered":"<div class=\"lightweight-accordion bordered\"><details><summary class=\"lightweight-accordion-title\"><span>Resumo<\/span><\/summary><div class=\"lightweight-accordion-body\"><p>\n\u2013 A farinha de castanha-do-brasil apresenta teor proteico cerca de 60% maior que o da farinha de trigo, destacando-se como ingrediente nacional promissor para alimentos vegetais.<br \/>\n\u2013 Pesquisas da Embrapa mostram que hamb\u00fargueres, quibes e prote\u00edna texturizada feitos com a farinha e o concentrado proteico tiveram excelente aceita\u00e7\u00e3o em sabor, textura e apar\u00eancia.<br \/>\n\u2013 A castanha-do-brasil oferece composi\u00e7\u00e3o nutricional rica, com prote\u00ednas, fibras e boas gorduras, permitindo o desenvolvimento de ingredientes de alto valor agregado para uso industrial.<br \/>\n\u2013 As formula\u00e7\u00f5es desenvolvidas, como quibe e hamb\u00farguer vegetal, atendem \u00e0s normas da Anvisa e podem ser classificadas como produtos com alto teor ou fonte de fibras.<br \/>\n\u2013 A tecnologia est\u00e1 pronta para aplica\u00e7\u00e3o comercial e refor\u00e7a o potencial da castanha-do-brasil como alternativa sustent\u00e1vel e nutritiva para a ind\u00fastria de prote\u00ednas vegetais.<\/p>\n<\/div><\/details><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expans\u00e3o do mercado de alimentos \u00e0 base de plantas tem impulsionado a busca por ingredientes nacionais capazes de unir valor nutricional, sustentabilidade e boa aceita\u00e7\u00e3o sensorial. Nesse cen\u00e1rio, a castanha-do-brasil reaparece como protagonista, n\u00e3o apenas pelo destaque econ\u00f4mico na Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m pelo seu potencial tecnol\u00f3gico. Pesquisas recentes da Embrapa revelam que a farinha parcialmente desengordurada obtida a partir do fruto apresenta um teor de prote\u00edna surpreendentemente alto, chegando a ser cerca de <strong>60% superior ao encontrado na farinha de trigo<\/strong>, o que a posiciona como uma alternativa promissora para formula\u00e7\u00f5es vegetais mais ricas e funcionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m desse diferencial nutricional, o desempenho da farinha e de seu concentrado proteico em produtos aliment\u00edcios tem mostrado resultados animadores. Hamb\u00fargueres, quibes e prote\u00edna texturizada formulados a partir desses ingredientes passaram por avalia\u00e7\u00f5es sensoriais e foram aprovados em sabor, textura e apar\u00eancia, demonstrando que o ingrediente amaz\u00f4nico entrega mais do que benef\u00edcios nutricionais. Nesse sentido, a tecnologia desenvolvida pela Embrapa j\u00e1 se encontra pronta para testes em escala comercial, abrindo espa\u00e7o para novas aplica\u00e7\u00f5es industriais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da biodiversidade amaz\u00f4nica ao laborat\u00f3rio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os processos de produ\u00e7\u00e3o da farinha parcialmente desengordurada, do concentrado proteico e da prote\u00edna texturizada foram desenvolvidos no Laborat\u00f3rio de Agroind\u00fastria da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental (PA). A primeira etapa do trabalho consistiu em aprofundar o conhecimento sobre a mat\u00e9ria-prima. Com aproximadamente <strong>15% de prote\u00edna bruta, 67% de gorduras, 7% de carboidratos e valor energ\u00e9tico de 751 kcal por 100 g<\/strong>, a castanha-do-brasil demonstrou ser uma base extremamente nutritiva para o desenvolvimento de ingredientes de maior valor agregado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo as pesquisas, compreender esse perfil foi essencial para ajustar os par\u00e2metros de processamento e garantir que o produto final mantivesse boa estabilidade, sabor neutro e desempenho funcional adequado para aplica\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias variadas. A partir desse entendimento, os pesquisadores avan\u00e7aram para as formula\u00e7\u00f5es aliment\u00edcias, explorando o uso dos ingredientes em prepara\u00e7\u00f5es tradicionalmente feitas com prote\u00edna animal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quibe e hamb\u00farguer: adapta\u00e7\u00f5es vegetais de alta qualidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Embrapa Agroind\u00fastria de Alimentos (RJ), foram desenvolvidos dois produtos que sintetizam bem o potencial da castanha-do-brasil na ind\u00fastria plant-based. Tanto o quibe quanto o hamb\u00farguer seguem propostas vegetais com textura, sabor e apar\u00eancia semelhantes \u00e0s vers\u00f5es tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o quibe, a formula\u00e7\u00e3o utilizou a farinha parcialmente desengordurada, composta por cerca de <strong>6% de \u00f3leo, 32% de prote\u00edna e 10% de fibras totais<\/strong>. Trata-se de um ingrediente com excelente contribui\u00e7\u00e3o nutricional, capaz de oferecer estrutura e firmeza ao preparo. Em produ\u00e7\u00f5es caseiras, o consumo deve ocorrer logo ap\u00f3s o preparo, enquanto a comercializa\u00e7\u00e3o envolve etapas de embalagem e congelamento, permitindo oferecer o produto cru ou pr\u00e9-assado, de acordo com a proposta da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o hamb\u00farguer vegetal desenvolvido pela equipe utiliza o <strong>concentrado proteico de castanha-do-brasil<\/strong>, que apresenta cerca de <strong>7% de \u00f3leo, 56% de prote\u00ednas e 13% de fibras totais<\/strong>. A formula\u00e7\u00e3o se mostrou vers\u00e1til e com boa moldagem, e os produtos devem ser embalados individualmente antes do congelamento, etapa que garante conserva\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses resultados refor\u00e7am o potencial da castanha como fonte nacional de prote\u00edna alternativa e coproduto sustent\u00e1vel da cadeia extrativista, ampliando oportunidades para p\u00fablicos vegetarianos, veganos e flexitarianos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Composi\u00e7\u00e3o nutricional e regulamenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a Instru\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 75, de 8 de outubro de 2020, da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que regulamenta alega\u00e7\u00f5es nutricionais, o quibe vegetal \u00e0 base da farinha pode ser classificado como <strong>produto de alto teor de fibras<\/strong>, oferecendo <strong>6,8 g de fibras em 80 g<\/strong>. J\u00e1 o hamb\u00farguer feito com concentrado proteico pode ser considerado <strong>fonte de fibras<\/strong>, com <strong>4,5 g por 80 g<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, os pesquisadores destacam que os ingredientes derivados da castanha-do-brasil representam uma forma estrat\u00e9gica de agregar valor a um recurso natural j\u00e1 consolidado na economia Amaz\u00f4nica, promovendo novas cadeias produtivas e incentivando o uso integral do fruto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A expans\u00e3o do mercado de alimentos \u00e0 base de plantas tem impulsionado a busca por ingredientes nacionais capazes de unir valor nutricional, sustentabilidade e boa aceita\u00e7\u00e3o sensorial. Nesse cen\u00e1rio, a castanha-do-brasil reaparece como protagonista, n\u00e3o apenas pelo destaque econ\u00f4mico na Amaz\u00f4nia, mas tamb\u00e9m pelo seu potencial tecnol\u00f3gico. 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