{"id":33441,"date":"2026-01-21T14:55:49","date_gmt":"2026-01-21T17:55:49","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=33441"},"modified":"2026-06-07T18:49:38","modified_gmt":"2026-06-07T21:49:38","slug":"com-menos-floresta-amazonia-aquece-e-perde-chuva-na-estacao-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/com-menos-floresta-amazonia-aquece-e-perde-chuva-na-estacao-seca\/","title":{"rendered":"Com menos floresta, Amaz\u00f4nia aquece e perde chuva na esta\u00e7\u00e3o seca"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Amaz\u00f4nia sempre exerceu um papel central na regula\u00e7\u00e3o do clima regional, funcionando como um gigantesco sistema natural de resfriamento e reciclagem de umidade. Entretanto, \u00e0 medida que a cobertura florestal \u00e9 substitu\u00edda por pastagens, lavouras e \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, esse equil\u00edbrio come\u00e7a a se romper. O resultado \u00e9 um ambiente mais quente, mais seco e progressivamente menos resiliente, sobretudo durante a esta\u00e7\u00e3o seca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas recentes baseadas em dados de sat\u00e9lite indicam que \u00e1reas da Amaz\u00f4nia com menos de 60% de cobertura florestal apresentam mudan\u00e7as clim\u00e1ticas significativas quando comparadas a regi\u00f5es preservadas, onde a vegeta\u00e7\u00e3o nativa ultrapassa 80%. Nessas zonas degradadas, a temperatura da superf\u00edcie pode ser, em m\u00e9dia, at\u00e9 3 \u00b0C mais alta no per\u00edodo seco, ao mesmo tempo em que se observa queda expressiva na evapotranspira\u00e7\u00e3o e na quantidade de chuvas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse comportamento aproxima essas regi\u00f5es de um clima t\u00edpico de \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o entre floresta \u00famida e savana, o que acende um alerta sobre o avan\u00e7o silencioso de processos de degrada\u00e7\u00e3o ambiental no cora\u00e7\u00e3o do bioma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Menos \u00e1rvores, menos chuva e mais calor<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A redu\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal interfere diretamente no funcionamento do ciclo da \u00e1gua. Com menos \u00e1rvores, h\u00e1 menor libera\u00e7\u00e3o de vapor d\u2019\u00e1gua para a atmosfera, processo conhecido como evapotranspira\u00e7\u00e3o, essencial para a forma\u00e7\u00e3o de nuvens e precipita\u00e7\u00f5es. Assim, regi\u00f5es mais desmatadas passam a registrar n\u00e3o apenas menos chuva ao longo do ano, mas tamb\u00e9m uma distribui\u00e7\u00e3o irregular das precipita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados analisados mostram que \u00e1reas com cobertura florestal inferior a 60% apresentam, em m\u00e9dia, 12% menos evapotranspira\u00e7\u00e3o e at\u00e9 25% menos chuvas durante a esta\u00e7\u00e3o seca, al\u00e9m de cerca de 11 dias a menos de ocorr\u00eancia de precipita\u00e7\u00e3o ao longo do ano. Esse encurtamento do per\u00edodo chuvoso intensifica o estresse h\u00eddrico da vegeta\u00e7\u00e3o remanescente, tornando a floresta mais vulner\u00e1vel a inc\u00eandios e mortalidade de \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como consequ\u00eancia, esp\u00e9cies mais sens\u00edveis ao calor e \u00e0 seca tendem a desaparecer, abrindo espa\u00e7o para plantas oportunistas e gram\u00edneas ex\u00f3ticas, o que compromete a biodiversidade e altera profundamente a estrutura da floresta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impactos que ultrapassam o limite ambiental<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas locais provocadas pelo desmatamento n\u00e3o afetam apenas a floresta em si. Elas tamb\u00e9m impactam diretamente atividades econ\u00f4micas dependentes do clima, como a agricultura. Ambientes mais quentes e secos reduzem a produtividade agr\u00edcola, aumentam a necessidade de irriga\u00e7\u00e3o e elevam o risco de perdas em per\u00edodos de estiagem prolongada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudos conduzidos no Brasil refor\u00e7am que manter altos n\u00edveis de cobertura florestal n\u00e3o \u00e9 apenas uma estrat\u00e9gia ambiental, mas tamb\u00e9m econ\u00f4mica. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira, por meio do C\u00f3digo Florestal, estabelece a preserva\u00e7\u00e3o de pelo menos 80% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa em propriedades localizadas na floresta amaz\u00f4nica, justamente para garantir a estabilidade clim\u00e1tica e h\u00eddrica da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, pesquisas desenvolvidas no \u00e2mbito do <strong>Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais<\/strong> indicam que \u00e1reas que respeitam esse limite m\u00ednimo de preserva\u00e7\u00e3o apresentam condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas mais est\u00e1veis e menos suscet\u00edveis a extremos de temperatura e seca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mudan\u00e7as no uso do solo e avan\u00e7o da degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Amaz\u00f4nia brasileira j\u00e1 perdeu cerca de 13% de sua vegeta\u00e7\u00e3o nativa entre 1985 e 2024, o equivalente a aproximadamente 520 mil quil\u00f4metros quadrados \u2014 uma \u00e1rea maior que pa\u00edses inteiros. Dados do <strong>MapBiomas<\/strong> mostram que, nesse per\u00edodo, as pastagens avan\u00e7aram de forma acelerada, assim como as \u00e1reas agr\u00edcolas e, mais recentemente, a minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com a desacelera\u00e7\u00e3o do desmatamento nos \u00faltimos anos, a remo\u00e7\u00e3o de mais de 6 mil quil\u00f4metros quadrados de floresta apenas em 2024 demonstra que o problema segue longe de ser resolvido. Esse ritmo mant\u00e9m a press\u00e3o sobre o clima regional e amplia o risco de a Amaz\u00f4nia atingir pontos de n\u00e3o retorno ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Restaurar para resfriar: o papel da recomposi\u00e7\u00e3o florestal<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e1lises indicam que regi\u00f5es com menos de 40% de cobertura florestal remanescente enfrentam os impactos mais severos. Nesses locais, a temperatura da superf\u00edcie pode chegar a ser at\u00e9 4 \u00b0C mais alta durante a esta\u00e7\u00e3o seca, enquanto a evapotranspira\u00e7\u00e3o cai drasticamente. Ainda assim, os estudos apontam que a restaura\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa pode reverter parte desses efeitos ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recomposi\u00e7\u00e3o da floresta favorece a recupera\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos fundamentais, como a regula\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica, o aumento da umidade atmosf\u00e9rica e o armazenamento de carbono. Al\u00e9m disso, contribui para maior seguran\u00e7a h\u00eddrica, alimentar e econ\u00f4mica, n\u00e3o apenas na Amaz\u00f4nia, mas em outras regi\u00f5es do pa\u00eds que dependem das chuvas geradas pelo bioma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas apoiadas por institui\u00e7\u00f5es como a <strong>Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo<\/strong> refor\u00e7am que conter o desmatamento e investir na restaura\u00e7\u00e3o florestal s\u00e3o medidas essenciais para preservar a resili\u00eancia clim\u00e1tica da Amaz\u00f4nia em um cen\u00e1rio global de aquecimento acelerado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte: Luciana Constantino | Ag\u00eancia FAPESP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Amaz\u00f4nia sempre exerceu um papel central na regula\u00e7\u00e3o do clima regional, funcionando como um gigantesco sistema natural de resfriamento e reciclagem de umidade. 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