{"id":33488,"date":"2026-01-24T10:06:51","date_gmt":"2026-01-24T13:06:51","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=33488"},"modified":"2026-06-07T18:37:38","modified_gmt":"2026-06-07T21:37:38","slug":"mais-de-200-anos-depois-araras-caninde-reaparecem-no-ceu-do-rio-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/mais-de-200-anos-depois-araras-caninde-reaparecem-no-ceu-do-rio-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Mais de 200 anos depois, araras-canind\u00e9 reaparecem no c\u00e9u do Rio de Janeiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o \u00faltimo dia 7, o c\u00e9u do Rio de Janeiro ganhou novamente tons de azul e amarelo que n\u00e3o eram vistos em liberdade h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos. Tr\u00eas araras-canind\u00e9 voltaram a voar na capital fluminense, marcando um acontecimento in\u00e9dito desde 1818, \u00faltimo registro da esp\u00e9cie em vida livre no munic\u00edpio, ainda no per\u00edodo colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O retorno dessas aves n\u00e3o representa apenas um espet\u00e1culo visual. Ele simboliza, sobretudo, um avan\u00e7o concreto na restaura\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da Mata Atl\u00e2ntica urbana, em uma das cidades mais pressionadas pela expans\u00e3o urbana no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernanda, F\u00e1tima e Sueli \u2014 nomes inspirados em figuras conhecidas da cultura brasileira \u2014 passaram sete meses em aclimata\u00e7\u00e3o no Parque Nacional da Tijuca antes de ganharem liberdade. O macho Selton, que tamb\u00e9m integra o grupo, dever\u00e1 ser solto ap\u00f3s concluir o processo natural de troca de penas, etapa essencial para garantir seu pleno desempenho em voo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A prepara\u00e7\u00e3o para a vida em liberdade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A soltura foi precedida por um per\u00edodo rigoroso de adapta\u00e7\u00e3o. As aves ficaram em um viveiro especialmente constru\u00eddo para essa fase, onde passaram por treinamento comportamental e transi\u00e7\u00e3o alimentar. Durante esse per\u00edodo, aprenderam a reconhecer frutos nativos da floresta e a reduzir qualquer associa\u00e7\u00e3o positiva com a presen\u00e7a humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Lara Renzeti, bi\u00f3loga do Refauna e coordenadora do projeto de reintrodu\u00e7\u00e3o, o processo exige acompanhamento constante.<em> \u201cS\u00e3o muitas habilidades novas que elas ainda precisam aprender para sobreviver, que n\u00e3o s\u00e3o totalmente replic\u00e1veis dentro do recinto de aclimata\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, explica.<em> \u201cElas s\u00f3 v\u00e3o conhecer a floresta estando nela. Por isso, n\u00f3s precisamos acompanh\u00e1-las para identificar em que pontos est\u00e3o se saindo bem e onde precisam de mais apoio.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos primeiros dias ap\u00f3s a soltura, uma plataforma de suplementa\u00e7\u00e3o alimentar foi instalada em \u00e1rvores do parque. Contudo, essa fase j\u00e1 foi encerrada, permitindo que as araras passem a depender exclusivamente dos recursos naturais dispon\u00edveis na floresta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada indiv\u00edduo est\u00e1 identificado com colar, anilha e microchip, o que permite monitoramento detalhado. Al\u00e9m disso, o projeto incentiva a popula\u00e7\u00e3o a enviar fotos e v\u00eddeos para auxiliar no acompanhamento dos deslocamentos, embora os pesquisadores reforcem que n\u00e3o deve haver qualquer tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o ou intera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma reconstru\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica em curso<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de chegarem ao Rio de Janeiro, as araras viviam em Aparecida, interior de S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s terem sido resgatadas de situa\u00e7\u00f5es de posse ilegal. Elas passaram por uma bateria de exames sanit\u00e1rios e avalia\u00e7\u00f5es comportamentais at\u00e9 serem consideradas aptas para a reintrodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O plano do Refauna \u00e9 ambicioso. A expectativa \u00e9 que 50 araras-canind\u00e9 sejam reintroduzidas ao longo de cinco anos. Novos grupos j\u00e1 est\u00e3o em avalia\u00e7\u00e3o e poder\u00e3o chegar ao Parque da Tijuca em 2026, fortalecendo a base populacional da esp\u00e9cie na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da beleza c\u00eanica, a presen\u00e7a das araras tem impacto direto na din\u00e2mica da floresta. Essas aves desempenham papel essencial na dispers\u00e3o de sementes de \u00e1rvores nativas, contribuindo para a regenera\u00e7\u00e3o do bioma. Em alguns casos, s\u00e3o as \u00fanicas capazes de romper sementes mais duras, o que amplia sua import\u00e2ncia ecol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mata Atl\u00e2ntica urbana e o papel da sociedade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A volta das araras tamb\u00e9m provoca uma reflex\u00e3o mais ampla sobre a rela\u00e7\u00e3o entre cidade e natureza. O Parque Nacional da Tijuca, considerado uma das maiores florestas urbanas replantadas do mundo, torna-se novamente cen\u00e1rio de um processo de restaura\u00e7\u00e3o que une ci\u00eancia, gest\u00e3o p\u00fablica e participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Viviane Lasmar, chefe do Parque Nacional da Tijuca, destaca o significado simb\u00f3lico e ambiental da iniciativa. <em>\u201cO mesmo ser humano que, ao longo do tempo, n\u00e3o soube conviver com os animais que habitavam as florestas e que tamb\u00e9m os ca\u00e7ou, \u00e9 capaz de mudar esse comportamento e trabalhar pela recupera\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o desses bichos\u201d<\/em>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela ressalta ainda que o parque demonstra capacidade de oferecer os recursos necess\u00e1rios para a esp\u00e9cie prosperar. <em>\u201cMesmo com toda a press\u00e3o urbana que nos cerca, a floresta se mant\u00e9m preservada e capaz de fornecer frutos, \u00e1rvores para nidifica\u00e7\u00e3o, abrigo e \u00e1gua pot\u00e1vel. H\u00e1 condi\u00e7\u00f5es reais para que uma popula\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel se estabele\u00e7a.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que isso aconte\u00e7a, entretanto, a colabora\u00e7\u00e3o da sociedade \u00e9 fundamental. Campanhas educativas v\u00eam sendo realizadas para orientar moradores sobre como agir ao avistar as aves, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia do respeito e da n\u00e3o interfer\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o \u00faltimo dia 7, o c\u00e9u do Rio de Janeiro ganhou novamente tons de azul e amarelo que n\u00e3o eram vistos em liberdade h\u00e1 mais de dois s\u00e9culos. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33488"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33490,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33488\/revisions\/33490"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33489"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33488"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=33488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}