{"id":33525,"date":"2026-01-27T15:43:03","date_gmt":"2026-01-27T18:43:03","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=33525"},"modified":"2026-06-07T18:41:24","modified_gmt":"2026-06-07T21:41:24","slug":"megapragas-hibridas-no-brasil-acendem-alerta-global-para-a-soja-e-o-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/megapragas-hibridas-no-brasil-acendem-alerta-global-para-a-soja-e-o-milho\/","title":{"rendered":"Megapragas h\u00edbridas no Brasil acendem alerta global para a soja e o milho"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A agricultura brasileira, reconhecida por sua alta produtividade e protagonismo na exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, volta ao centro das discuss\u00f5es cient\u00edficas internacionais. Uma reportagem recente destacou a evolu\u00e7\u00e3o de linhagens h\u00edbridas de duas das principais pragas agr\u00edcolas do mundo \u2014 um fen\u00f4meno que, al\u00e9m de impactar o campo nacional, pode ter repercuss\u00f5es diretas na seguran\u00e7a alimentar global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As esp\u00e9cies envolvidas, a lagarta-da-espiga-do-milho (<em>Helicoverpa zea<\/em>) e a lagarta-da-ma\u00e7\u00e3-do-algodoeiro (<em>Helicoverpa armigera<\/em>), j\u00e1 s\u00e3o conhecidas pelo potencial destrutivo e pela ampla gama de culturas que atacam. Entretanto, an\u00e1lises gen\u00e9ticas mais recentes revelaram que essas duas mariposas n\u00e3o apenas coexistem em territ\u00f3rio brasileiro, como tamb\u00e9m passaram a trocar material gen\u00e9tico \u2014 inclusive genes associados \u00e0 resist\u00eancia a pesticidas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O avan\u00e7o silencioso da resist\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A soja cultivada no Brasil \u00e9 majoritariamente transg\u00eanica e carrega prote\u00ednas derivadas da bact\u00e9ria <em>Bacillus thuringiensis<\/em> (Bt), desenvolvidas justamente para controlar insetos-praga. Essa tecnologia foi decisiva para reduzir perdas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Contudo, a press\u00e3o seletiva constante favoreceu a emerg\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es resistentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) analisaram quase mil mariposas coletadas ao longo de dez anos no Brasil. Os resultados indicam que parte significativa da <em>H. armigera<\/em> j\u00e1 carrega genes de resist\u00eancia \u00e0 toxina Bt originalmente associados \u00e0 <em>H. zea<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cAs cepas h\u00edbridas que est\u00e3o evoluindo a partir desse cruzamento podem devastar a soja e outras culturas no Brasil e em todo o mundo se n\u00e3o forem controladas, amea\u00e7ando a seguran\u00e7a alimentar global,\u201d<\/em> aponta a reportagem internacional ao comentar os dados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a transfer\u00eancia gen\u00e9tica n\u00e3o ocorreu apenas em uma dire\u00e7\u00e3o. Quase todos os exemplares brasileiros de <em>H. zea<\/em> apresentam hoje um gene ligado \u00e0 resist\u00eancia a inseticidas piretroides \u2014 caracter\u00edstica associada \u00e0 <em>H. armigera<\/em>. Essa troca bidirecional acelera a adapta\u00e7\u00e3o das pragas aos sistemas de controle dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cEstamos impressionados com a rapidez com que isso aconteceu,\u201d<\/em> afirmou o professor Chris Jiggins, da Universidade de Cambridge, destacando a velocidade com que os genes de resist\u00eancia se disseminaram entre as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hibridiza\u00e7\u00e3o e seus desdobramentos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante anos, acreditava-se que as duas esp\u00e9cies n\u00e3o se cruzavam naturalmente. Entretanto, evid\u00eancias gen\u00f4micas publicadas recentemente confirmaram a exist\u00eancia de h\u00edbridos vi\u00e1veis no Brasil. Essa descoberta amplia o debate sobre a capacidade adaptativa das chamadas \u201cmegapragas\u201d, classificadas assim pelo alcance geogr\u00e1fico, diversidade alimentar e dificuldade de controle.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <em>H. armigera<\/em>, detectada no pa\u00eds em 2013, possui hist\u00f3rico de danos severos na Europa e na \u00c1sia, especialmente em lavouras de soja e algod\u00e3o. J\u00e1 a <em>H. zea<\/em>, tradicionalmente associada ao milho na Am\u00e9rica do Norte, passou a dividir o territ\u00f3rio brasileiro com a esp\u00e9cie aparentada. A conviv\u00eancia em ambientes agr\u00edcolas extensivos, marcada pelo uso cont\u00ednuo de tecnologias Bt, criou condi\u00e7\u00f5es ideais para a troca gen\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, especialistas refor\u00e7am que a hibridiza\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas parte do problema. A evolu\u00e7\u00e3o independente dentro de cada esp\u00e9cie tamb\u00e9m contribui para o surgimento de linhagens resistentes, mesmo sem cruzamentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O desafio do manejo sustent\u00e1vel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, empresas de biotecnologia trabalham no desenvolvimento de novas variedades transg\u00eanicas capazes de produzir m\u00faltiplas prote\u00ednas Bt, ampliando o espectro de controle. Contudo, esse processo \u00e9 lento e envolve altos custos regulat\u00f3rios e de pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cMas levar esses novos produtos ao mercado \u00e9 caro e lento, ent\u00e3o \u00e9 melhor manter a efic\u00e1cia das prote\u00ednas Bt atuais com t\u00e1ticas de manejo da resist\u00eancia, incluindo \u00e1reas de ref\u00fagio contra a exposi\u00e7\u00e3o a culturas Bt,\u201d<\/em> defende Bruce Tabashnik, da Universidade do Arizona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conceito de ref\u00fagio \u2014 que prev\u00ea o plantio de \u00e1reas com cultivares n\u00e3o transg\u00eanicas ao lado das transg\u00eanicas \u2014 busca preservar popula\u00e7\u00f5es suscet\u00edveis e reduzir a press\u00e3o seletiva. Entretanto, a ades\u00e3o a essa pr\u00e1tica ainda \u00e9 irregular em diversas regi\u00f5es produtoras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto al\u00e9m das fronteiras<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A agricultura brasileira responde por parcela significativa do com\u00e9rcio global de soja e milho. Por isso, altera\u00e7\u00f5es no equil\u00edbrio fitossanit\u00e1rio interno t\u00eam reflexos diretos no abastecimento internacional. Al\u00e9m das perdas produtivas, o aumento do uso de defensivos para conter linhagens resistentes pode elevar custos e pressionar cadeias de exporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, pesquisadores destacam que o monitoramento gen\u00e9tico cont\u00ednuo \u00e9 uma ferramenta essencial para antecipar cen\u00e1rios e ajustar estrat\u00e9gias de manejo. A r\u00e1pida identifica\u00e7\u00e3o de h\u00edbridos demonstra avan\u00e7o cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m evidencia a complexidade do sistema agr\u00edcola contempor\u00e2neo, no qual tecnologia, biologia evolutiva e pr\u00e1ticas de campo caminham interligadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o surgimento dessas linhagens h\u00edbridas n\u00e3o representa apenas um desafio pontual, mas um sinal de que a din\u00e2mica evolutiva das pragas acompanha \u2014 e por vezes supera \u2014 a velocidade das inova\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas. O debate, portanto, vai al\u00e9m do controle imediato e envolve planejamento estrat\u00e9gico de longo prazo para garantir produtividade, sustentabilidade e seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte: <a href=\"https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2512265-hybrid-megapests-evolving-in-brazil-are-a-threat-to-crops-worldwide\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.newscientist.com\/article\/2512265-hybrid-megapests-evolving-in-brazil-are-a-threat-to-crops-worldwide\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agricultura brasileira, reconhecida por sua alta produtividade e protagonismo na exporta\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, volta ao centro das discuss\u00f5es cient\u00edficas internacionais. 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