{"id":33763,"date":"2026-02-06T09:07:56","date_gmt":"2026-02-06T12:07:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=33763"},"modified":"2026-06-07T09:35:09","modified_gmt":"2026-06-07T12:35:09","slug":"extincao-silenciosa-avanca-nos-recifes-corais-de-fogo-brasileiros-perdem-cobertura-viva-apos-onda-de-calor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/extincao-silenciosa-avanca-nos-recifes-corais-de-fogo-brasileiros-perdem-cobertura-viva-apos-onda-de-calor\/","title":{"rendered":"Extin\u00e7\u00e3o silenciosa avan\u00e7a nos recifes: corais-de-fogo brasileiros perdem cobertura viva ap\u00f3s onda de calor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os recifes brasileiros podem estar perdendo, quase sem alarde, parte de sua biodiversidade mais singular. Os chamados corais-de-fogo, organismos fundamentais para a estrutura dos ecossistemas marinhos, apresentam sinais preocupantes ap\u00f3s sucessivas ondas de calor que atingiram o litoral do pa\u00eds. Dados recentes indicam que algumas esp\u00e9cies end\u00eamicas sofreram n\u00edveis extremos de branqueamento, levantando o temor de uma poss\u00edvel extin\u00e7\u00e3o silenciosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alerta surge a partir de monitoramentos conduzidos pelo Instituto Coral Vivo, com apoio da Petrobras, ap\u00f3s o primeiro grande evento de branqueamento registrado no Brasil em 2019. A pesquisa, apoiada pela FAPESP e publicada na revista <em>Coral Reefs<\/em>, acompanhou os corais antes, durante e depois da onda de calor registrada no in\u00edcio de 2024, associada ao fen\u00f4meno El Ni\u00f1o-Oscila\u00e7\u00e3o Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O branqueamento ocorre quando a temperatura do mar se eleva al\u00e9m do toler\u00e1vel para os corais. Nessas condi\u00e7\u00f5es, as zooxantelas \u2014 microalgas respons\u00e1veis por fornecer energia aos organismos \u2014 passam a produzir compostos nocivos e s\u00e3o expulsas. Como consequ\u00eancia, os corais perdem sua colora\u00e7\u00e3o e, sobretudo, sua principal fonte de nutri\u00e7\u00e3o, o que pode levar \u00e0 morte das col\u00f4nias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esp\u00e9cie exclusiva do Brasil perde 100% da cobertura viva<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os resultados mais alarmantes est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie <em>Millepora braziliensis<\/em>, encontrada apenas no Brasil. No munic\u00edpio de Tamandar\u00e9, em Pernambuco, todas as col\u00f4nias monitoradas apresentaram branqueamento total, seguido da perda integral de cobertura viva. A esp\u00e9cie j\u00e1 \u00e9 classificada como criticamente amea\u00e7ada tanto pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade quanto pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra esp\u00e9cie end\u00eamica, <em>Millepora nitida<\/em>, registrou branqueamento em 40% das col\u00f4nias avaliadas, embora sem perdas estruturais significativas. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que a recorr\u00eancia de eventos extremos pode comprometer a resili\u00eancia desses organismos ao longo dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cOs resultados refor\u00e7am a necessidade de medidas de conserva\u00e7\u00e3o para proteger os corais, principalmente as popula\u00e7\u00f5es de M. braziliensis, que enfrentam risco elevado de extin\u00e7\u00e3o por conta de ondas de calor provocadas por fen\u00f4menos como a fase quente do El Ni\u00f1o-Oscila\u00e7\u00e3o Sul, em converg\u00eancia com o aquecimento global ocasionado pela emiss\u00e3o de gases de efeito estufa\u201d<\/em>, explica Miguel Mies, professor do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (IO-USP) e um dos coordenadores do estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de coordenar o levantamento atual, Mies tamb\u00e9m lidera um projeto que investiga o hist\u00f3rico global dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre recifes, analisando a import\u00e2ncia de poss\u00edveis ref\u00fagios naturais e atributos oceanogr\u00e1ficos capazes de mitigar danos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ecossistema amea\u00e7ado al\u00e9m do \u00f3bvio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora frequentemente menos monitorados do que os chamados corais verdadeiros, os corais-de-fogo exercem papel ecol\u00f3gico semelhante na constru\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da complexidade dos recifes. Eles oferecem abrigo, \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o e esconderijo para in\u00fameras esp\u00e9cies marinhas, funcionando como pilares estruturais do ambiente costeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cNo entanto, os corais-de-fogo possuem import\u00e2ncia ecol\u00f3gica compar\u00e1vel aos corais verdadeiros, uma vez que contribuem para a complexidade do ecossistema, oferecendo abrigo e esconderijo para outras esp\u00e9cies animais\u201d<\/em>, ressalta Mies, que tamb\u00e9m atua como diretor cient\u00edfico do Instituto Coral Vivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema \u00e9 que parte dessas esp\u00e9cies ocorre em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso ou apresenta baixa abund\u00e2ncia, o que historicamente reduziu o volume de dados dispon\u00edveis sobre seu estado de conserva\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso de <em>Millepora laboreli<\/em>, restrita ao Parcel do Manuel Lu\u00eds, no Maranh\u00e3o. As informa\u00e7\u00f5es mais recentes, de 2022, indicavam poucas col\u00f4nias vivas na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cAs \u00faltimas not\u00edcias que tivemos, de um grupo que esteve ali em 2022, \u00e9 que havia poucas col\u00f4nias vivas. A situa\u00e7\u00e3o pode ter piorado ap\u00f3s a onda de calor de 2023-2024. Por\u00e9m, n\u00e3o temos dados suficientes para afirmar com precis\u00e3o\u201d<\/em>, relata o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O impacto das ondas de calor nos recifes brasileiros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O evento global de branqueamento registrado entre 2023 e 2024 foi o quarto da hist\u00f3ria moderna e atingiu 84% dos recifes do planeta. No Brasil, os efeitos tamb\u00e9m foram severos. Em Maragogi, Alagoas, o branqueamento chegou a 96%, enquanto em Porto de Galinhas, Pernambuco, alcan\u00e7ou 84%, conforme apontado por outro estudo do mesmo grupo publicado em 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, os cientistas avaliam que novos epis\u00f3dios s\u00e3o praticamente inevit\u00e1veis caso n\u00e3o haja redu\u00e7\u00e3o significativa das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa. Iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o, como o cultivo de corais em laborat\u00f3rio para posterior reintrodu\u00e7\u00e3o na natureza, ainda apresentam limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e financeiras, al\u00e9m de vulnerabilidade a novos ciclos de branqueamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, h\u00e1 ind\u00edcios de que \u00e1reas oficialmente protegidas oferecem maior resist\u00eancia aos impactos t\u00e9rmicos, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de ampliar e fortalecer unidades de conserva\u00e7\u00e3o marinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cDiferentemente do branqueamento de 2019, em que n\u00e3o est\u00e1vamos preparados, o que est\u00e1 ocorrendo agora est\u00e1 sendo bem documentado, a fim de subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas. Precisamos fortalecer as a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de conter as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d<\/em>, conclui Miguel Mies.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre ondas de calor cada vez mais frequentes e lacunas hist\u00f3ricas de monitoramento, os corais-de-fogo brasileiros tornam-se s\u00edmbolo de um processo silencioso, por\u00e9m acelerado. A perda dessas esp\u00e9cies n\u00e3o representa apenas um impacto ecol\u00f3gico, mas tamb\u00e9m um alerta sobre a fragilidade dos ecossistemas marinhos diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte: Andr\u00e9 Juli\u00e3o | Ag\u00eancia FAPESP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores indicam que esp\u00e9cies end\u00eamicas podem desaparecer nos pr\u00f3ximos anos sem redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":990012,"featured_media":33764,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[708],"tags":[],"ppma_author":[395],"class_list":["post-33763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eco-clima-sustentabilidade","author-mel-maria"],"authors":[{"term_id":395,"user_id":990012,"is_guest":0,"slug":"mel-maria","display_name":"Mel Maria","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/50961e0508195fe342670c9ee218e6ab1b2463b7a360c03c14a381ba6a4ca049?s=96&d=mm&r=g","author_category":"2","first_name":"","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":"<b>Mel Maria<\/b> \u00e9 uma <b>jardineira e empreendedora<\/b> com mais de <b>10 anos de experi\u00eancia<\/b> no cultivo e com\u00e9rcio de plantas em <b>Curitiba<\/b>. 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