{"id":33948,"date":"2026-02-17T10:28:40","date_gmt":"2026-02-17T13:28:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=33948"},"modified":"2026-06-07T18:33:37","modified_gmt":"2026-06-07T21:33:37","slug":"papel-reciclado-mais-resistente-canhamo-surge-como-solucao-tecnica-e-economica-para-a-industria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/papel-reciclado-mais-resistente-canhamo-surge-como-solucao-tecnica-e-economica-para-a-industria\/","title":{"rendered":"Papel reciclado mais resistente? C\u00e2nhamo surge como solu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica para a ind\u00fastria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O limite t\u00e9cnico da reciclagem do papel sempre foi conhecido pela ind\u00fastria. A cada ciclo, a fibra encurta. A resist\u00eancia cai. E chega um ponto em que o material simplesmente n\u00e3o sustenta mais o uso industrial. Agora, uma pesquisa conduzida pela Unidade Embrapii do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), em parceria com a startup Buds INC, indica um caminho diferente: refor\u00e7ar a polpa reciclada com fibras de c\u00e2nhamo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A l\u00f3gica \u00e9 simples, mas o impacto pode ser grande porteira para dentro da cadeia produtiva. O papel convencional depende de fibras de celulose que se degradam progressivamente durante o reaproveitamento. Quanto mais reciclagem, menor a integridade estrutural. O resultado aparece no produto final \u2014 pap\u00e9is menos resistentes, menor durabilidade e necessidade constante de inserir mat\u00e9ria-prima virgem no processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u00c9 justamente nesse gargalo que entra o c\u00e2nhamo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa avalia a adi\u00e7\u00e3o controlada das fibras da cannabis \u00e0 polpa reciclada como forma de recuperar a resist\u00eancia mec\u00e2nica perdida ao longo dos ciclos industriais. Os primeiros resultados indicam que o refor\u00e7o n\u00e3o apenas recomp\u00f5e as propriedades originais do papel, como, em determinados testes, supera o desempenho do material inicial. O mercado sentiu o potencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador e coordenador do projeto, Marcelo Novo, o diferencial est\u00e1 na pr\u00f3pria anatomia da planta. <em>\u201cA planta tem fibras de dupla aptid\u00e3o: fibra longa na casca e fibra curta no lenho da planta. Essas caracter\u00edsticas resultam em um papel reciclado de qualidade superior ao convencional, que usa somente fibras de celulose\u201d<\/em>, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, as fibras longas funcionam como uma esp\u00e9cie de \u201carma\u00e7\u00e3o natural\u201d, aumentando a coes\u00e3o estrutural da folha de papel. J\u00e1 as fibras curtas contribuem para o acabamento e uniformidade da superf\u00edcie. O equil\u00edbrio entre esses dois componentes cria uma matriz mais resistente \u2014 algo que a celulose reciclada isoladamente j\u00e1 n\u00e3o consegue entregar ap\u00f3s m\u00faltiplos reaproveitamentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o estudo avan\u00e7a sobre um ponto estrat\u00e9gico para a ind\u00fastria brasileira. O pa\u00eds est\u00e1 entre os maiores produtores mundiais de papel e papel\u00e3o reciclado, setor altamente dependente de efici\u00eancia log\u00edstica e redu\u00e7\u00e3o de custos operacionais. Se o papel reciclado durar mais ciclos produtivos, o ganho econ\u00f4mico aparece rapidamente na conta final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Menos fibra virgem. Menos press\u00e3o sobre florestas plantadas. Mais rendimento industrial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marcelo Novo destaca que o projeto j\u00e1 se encontra na fase final de consolida\u00e7\u00e3o dos testes mec\u00e2nicos, avaliando diferentes propor\u00e7\u00f5es de c\u00e2nhamo na composi\u00e7\u00e3o da polpa. <em>\u201cAl\u00e9m de ganhos t\u00e9cnicos e econ\u00f4micos, o uso de fibras de c\u00e2nhamo como refor\u00e7o representa um avan\u00e7o importante do ponto de vista da sustentabilidade, ao aumentar a efici\u00eancia da reciclagem e reduzir a press\u00e3o sobre mat\u00e9rias-primas florestais tradicionais\u201d<\/em>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento tamb\u00e9m dialoga com uma mudan\u00e7a maior no uso da cannabis industrial no Brasil. Recentemente, novas regras anunciadas pela Anvisa estabeleceram par\u00e2metros mais claros para cultivo e processamento da cannabis medicinal, criando um ambiente regulat\u00f3rio mais previs\u00edvel para iniciativas produtivas associadas \u00e0 planta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E existe um detalhe econ\u00f4mico relevante. A cadeia medicinal utiliza basicamente as flores, enquanto grande parte da biomassa restante costuma ser descartada. Isso representa custo e desperd\u00edcio. A proposta do projeto \u00e9 inverter essa l\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o empres\u00e1rio Baesso, parceiro da iniciativa, a ideia \u00e9 transformar res\u00edduo em ativo industrial. <em>\u201cA regulamenta\u00e7\u00e3o abrange a ind\u00fastria, a produ\u00e7\u00e3o comercial e a produ\u00e7\u00e3o de associa\u00e7\u00f5es. Praticamente tudo que eles determinaram a gente j\u00e1 faz: barreira f\u00edsica, controle de acesso, c\u00e2meras, rastreabilidade e destina\u00e7\u00e3o do produto final\u201d<\/em>, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele acrescenta que o aproveitamento integral da planta pode mudar a equa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do setor. <em>\u201cO projeto garante que, ap\u00f3s a colheita da flor, 100% do que sobra da planta, e que antes seria descartado, vire inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e riqueza para o pa\u00eds.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os resultados em escala industrial confirmarem os testes laboratoriais, o c\u00e2nhamo pode deixar de ser apenas pauta regulat\u00f3ria e passar a ocupar espa\u00e7o concreto na bioeconomia brasileira. Para a ind\u00fastria de papel, a pergunta deixa de ser se a reciclagem tem limite \u2014 e passa a ser at\u00e9 quantas vezes o material poder\u00e1 voltar para a linha de produ\u00e7\u00e3o sem perder desempenho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto conduzido pela UFV avalia como fibras longas da planta podem prolongar a vida \u00fatil do papel e aumentar a efici\u00eancia da reciclagem.<\/p>\n","protected":false},"author":990012,"featured_media":33949,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[707],"tags":[],"ppma_author":[395],"class_list":["post-33948","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro-do-futuro-inovacao","author-mel-maria"],"authors":[{"term_id":395,"user_id":990012,"is_guest":0,"slug":"mel-maria","display_name":"Mel Maria","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/50961e0508195fe342670c9ee218e6ab1b2463b7a360c03c14a381ba6a4ca049?s=96&d=mm&r=g","author_category":"2","first_name":"","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":"<b>Mel Maria<\/b> \u00e9 uma <b>jardineira e empreendedora<\/b> com mais de <b>10 anos de experi\u00eancia<\/b> no cultivo e com\u00e9rcio de plantas em <b>Curitiba<\/b>. Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33948","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33948"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33948\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33950,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33948\/revisions\/33950"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33949"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33948"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=33948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}