{"id":34039,"date":"2026-02-22T20:27:38","date_gmt":"2026-02-22T23:27:38","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34039"},"modified":"2026-06-07T09:35:09","modified_gmt":"2026-06-07T12:35:09","slug":"80-anos-de-ausencia-4-mil-individuos-de-volta-o-guara-reconquista-a-baia-de-guaratuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/80-anos-de-ausencia-4-mil-individuos-de-volta-o-guara-reconquista-a-baia-de-guaratuba\/","title":{"rendered":"80 anos de aus\u00eancia, 4 mil indiv\u00edduos de volta: o guar\u00e1 reconquista a Ba\u00eda de Guaratuba"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem passa pelo fim de tarde na Ba\u00eda de Guaratuba, no litoral do Paran\u00e1, sabe reconhecer o momento. O c\u00e9u come\u00e7a a ganhar manchas vermelhas que n\u00e3o v\u00eam do sol. S\u00e3o os guar\u00e1s \u2014 centenas deles \u2014 retornando ao dormit\u00f3rio antes do escuro. O espet\u00e1culo dura minutos. O impacto, uma vida inteira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A esp\u00e9cie que deu nome ao munic\u00edpio ficou ausente da regi\u00e3o por cerca de 80 anos. Voltou em 2008, quase em sil\u00eancio. Desde ent\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o cresceu, o monitoramento se organizou e o ecoturismo come\u00e7ou a enxergar nessa ave vermelha uma oportunidade real de neg\u00f3cio \u2014 e de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Indicador vivo da sa\u00fade dos manguezais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O guar\u00e1 (<em>Eudocimus ruber<\/em>) n\u00e3o \u00e9 apenas bonito. \u00c9 exigente. A esp\u00e9cie pertence \u00e0 fam\u00edlia Threskiornithidae, parente do colhereiro (<em>Platalea ajaja<\/em>) e da curicaca (<em>Theristicus caudatus<\/em>), e depende diretamente de manguezais e estu\u00e1rios bem preservados para se alimentar, descansar e se abrigar. Onde o guar\u00e1 aparece, o ambiente est\u00e1 funcionando. Onde ele some, alguma coisa quebrou.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"738\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-23-edgar-fernandez-instituto-guaju.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-34041\" srcset=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-23-edgar-fernandez-instituto-guaju.avif 984w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-23-edgar-fernandez-instituto-guaju-300x225.avif 300w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-23-edgar-fernandez-instituto-guaju-768x576.avif 768w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-23-edgar-fernandez-instituto-guaju-150x113.avif 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;O retorno do guar\u00e1 \u00e0 Ba\u00eda de Guaratuba representa um indicativo positivo da qualidade ambiental dos manguezais e \u00e1reas estuarinas. A presen\u00e7a dos guar\u00e1s \u00e9 um importante indicador ecol\u00f3gico&#8221;<\/em>, afirma Edgar Fernandez, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Ecologia e Conserva\u00e7\u00e3o (LEC).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O censo mais recente do Projeto Guar\u00e1 registrou mais de 4 mil indiv\u00edduos na ba\u00eda. O n\u00famero coloca Guaratuba entre os principais s\u00edtios da esp\u00e9cie no litoral Sul do Brasil. Desde 2017 e 2018, quando o monitoramento sistem\u00e1tico da ilha dormit\u00f3rio ganhou regularidade, o Instituto Guaju passou a coordenar a\u00e7\u00f5es integradas de pesquisa e educa\u00e7\u00e3o ambiental, adotando o guar\u00e1 como esp\u00e9cie guarda-chuva para a conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A revoada que virou produto tur\u00edstico<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ilha onde os guar\u00e1s se concentram ao entardecer se tornou o epicentro do turismo de observa\u00e7\u00e3o na ba\u00eda. O passeio funciona de forma simples: um barco, um guia habilitado e a paci\u00eancia de esperar a luz certa. O que acontece depois dispensa descri\u00e7\u00e3o longa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para estruturar esse mercado, o Instituto Guaju, junto a outros \u00f3rg\u00e3os, realizou um curso de forma\u00e7\u00e3o de condutores locais, qualificando guias para o ecoturismo, a pesca esportiva e a observa\u00e7\u00e3o de aves. A ideia vai al\u00e9m do treinamento t\u00e9cnico \u2014 \u00e9 construir uma cadeia local que entenda que a prote\u00e7\u00e3o do manguezal \u00e9, tamb\u00e9m, prote\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sustento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fot\u00f3grafo de natureza Bruno Carlesse participou da forma\u00e7\u00e3o. Para ele, o roteiro deixou de ser uma atra\u00e7\u00e3o e passou a ser ferramenta. <em>&#8220;A experi\u00eancia da revoada no fim de tarde emociona e, ao mesmo tempo, permite contextualizar a import\u00e2ncia dos manguezais e da preserva\u00e7\u00e3o da Ba\u00eda de Guaratuba&#8221;<\/em>, observa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, Edgar Fernandez refor\u00e7a a dimens\u00e3o econ\u00f4mica da iniciativa: <em>&#8220;Valorizar a cultura cai\u00e7ara, o turismo de base comunit\u00e1ria e promover o turismo sustent\u00e1vel \u00e9 uma maneira de gerar renda e fortalecer as atividades que incentivam a prote\u00e7\u00e3o dos guar\u00e1s e dos manguezais, que s\u00e3o ecossistemas fundamentais para o equil\u00edbrio ambiental da Ba\u00eda de Guaratuba.&#8221;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O mist\u00e9rio que a ci\u00eancia ainda n\u00e3o resolveu<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com toda a movimenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em torno da esp\u00e9cie, uma pergunta permanece sem resposta: onde os guar\u00e1s de Guaratuba se reproduzem? At\u00e9 hoje, nenhuma col\u00f4nia reprodutiva consolidada foi registrada no litoral do Paran\u00e1. Os indiv\u00edduos aparecem, dormem na ilha, alimentam-se nos manguezais \u2014 e somem quando chega a hora de criar os filhotes.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"712\" src=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-38-edgar-fernandez-instituto-guaju.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-34042\" srcset=\"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-38-edgar-fernandez-instituto-guaju.avif 984w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-38-edgar-fernandez-instituto-guaju-300x217.avif 300w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-38-edgar-fernandez-instituto-guaju-768x556.avif 768w, https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/guaras-38-edgar-fernandez-instituto-guaju-150x109.avif 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A aus\u00eancia de reprodu\u00e7\u00e3o local constitui uma das principais lacunas ecol\u00f3gicas relacionadas \u00e0 din\u00e2mica populacional da ave na regi\u00e3o&#8221;<\/em>, explica Fernandez. As \u00e1reas reprodutivas mais pr\u00f3ximas identificadas pela ci\u00eancia ficam na Ba\u00eda da Babitonga, em Santa Catarina, e em estu\u00e1rios do litoral paulista. Parte da popula\u00e7\u00e3o deixa Guaratuba entre novembro e fevereiro justamente para isso. O bando reduz. O mist\u00e9rio permanece.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando ir e como observar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O per\u00edodo de maior concentra\u00e7\u00e3o dos guar\u00e1s em Guaratuba vai de abril a outubro. \u00c9 a janela ideal para quem quer ver o espet\u00e1culo completo, com o bando em seu tamanho m\u00e1ximo. Nos meses de ver\u00e3o, parte dos indiv\u00edduos migra para se reproduzir em outras regi\u00f5es, mas a observa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para fazer o passeio com responsabilidade, \u00e9 necess\u00e1rio buscar guias e institui\u00e7\u00f5es especializadas em turismo de observa\u00e7\u00e3o. O manejo adequado protege a ave \u2014 e garante que a experi\u00eancia continue existindo para quem vier depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte: G1\/globo | Fotos: Edgar Fernandez<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ave s\u00edmbolo do munic\u00edpio paranaense virou term\u00f4metro ambiental e atrai turistas dispostos a pagar para ver a revoada ao entardecer<\/p>\n","protected":false},"author":990012,"featured_media":34040,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[708],"tags":[],"ppma_author":[395],"class_list":["post-34039","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eco-clima-sustentabilidade","author-mel-maria"],"authors":[{"term_id":395,"user_id":990012,"is_guest":0,"slug":"mel-maria","display_name":"Mel Maria","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/50961e0508195fe342670c9ee218e6ab1b2463b7a360c03c14a381ba6a4ca049?s=96&d=mm&r=g","author_category":"2","first_name":"","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":"<b>Mel Maria<\/b> \u00e9 uma <b>jardineira e empreendedora<\/b> com mais de <b>10 anos de experi\u00eancia<\/b> no cultivo e com\u00e9rcio de plantas em <b>Curitiba<\/b>. Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34039","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34039"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34039\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34043,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34039\/revisions\/34043"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34039"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34039"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34039"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=34039"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}