{"id":34143,"date":"2026-02-26T15:29:46","date_gmt":"2026-02-26T18:29:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34143"},"modified":"2026-06-07T09:35:09","modified_gmt":"2026-06-07T12:35:09","slug":"mais-de-16-mil-animais-morrem-atropelados-por-ano-em-unica-rodovia-de-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/mais-de-16-mil-animais-morrem-atropelados-por-ano-em-unica-rodovia-de-curitiba\/","title":{"rendered":"Mais de 1,6 mil animais morrem atropelados por ano em \u00fanica rodovia de Curitiba"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O asfalto cobra um pre\u00e7o silencioso. Entre mar\u00e7o de 2023 e fevereiro de 2025, pesquisadores da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) recolheram 235 carca\u00e7as de animais silvestres em apenas 5,1 quil\u00f4metros de rodovia no entorno do Parque Tingui, regi\u00e3o de Santa Felicidade. A conta \u00e9 brutal: estimativas indicam que mais de 1,6 mil animais podem estar morrendo atropelados anualmente nesse \u00fanico trecho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento faz parte do projeto de extens\u00e3o Olha o Bicho, vinculado ao Laborat\u00f3rio de Biodiversidade, Conserva\u00e7\u00e3o e Ecologia de Animais Silvestres (Labceas). Durante 44 expedi\u00e7\u00f5es de campo, equipes de dois a quatro observadores percorreram ambos os lados da via, vasculhando pista, cal\u00e7adas e margens. Cada carca\u00e7a encontrada virou dado: coordenadas geogr\u00e1ficas, hor\u00e1rio, identifica\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica e registro fotogr\u00e1fico entraram em um formul\u00e1rio online padronizado. Quando a esp\u00e9cie n\u00e3o podia ser confirmada em campo, as imagens seguiam para especialistas parceiros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sapos-cururu lideram as estat\u00edsticas de morte<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anf\u00edbios responderam por 38% das carca\u00e7as coletadas. Na sequ\u00eancia vieram mam\u00edferos (29%), aves (22%) e r\u00e9pteis (11%). Os sapos do g\u00eanero Rhinella, conhecidos como sapos-cururu, foram os mais atingidos. O porte reduzido dificulta a visualiza\u00e7\u00e3o pelos motoristas, mas o problema principal est\u00e1 nos deslocamentos sazonais para reprodu\u00e7\u00e3o. Eles precisam cruzar a pista. E pagam caro por isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as v\u00edtimas tamb\u00e9m apareceram gamb\u00e1-de-orelha-preta (Didelphis aurita), tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), coruja-buraqueira (Athene cunicularia), tei\u00fa (Salvator merianae) e jararaca (Bothrops jararaca). A diversidade de esp\u00e9cies mostra que o problema n\u00e3o escolhe grupo taxon\u00f4mico. Atinge quem transita entre fragmentos verdes e precisa atravessar o asfalto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Software identifica onde o risco dispara<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Henrique Gelinski, bacharel em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela UFPR e integrante da equipe de campo, sistematizou parte dos resultados em sua monografia. Por meio do software Siriema, que analisa padr\u00f5es espaciais de atropelamento, ele confirmou que as colis\u00f5es n\u00e3o acontecem ao acaso. Existem pontos cr\u00edticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As \u00e1reas de maior risco concentram-se pr\u00f3ximas a corpos d&#8217;\u00e1gua, fundamentais para a reprodu\u00e7\u00e3o de anf\u00edbios. Trechos que margeiam condom\u00ednios residenciais, onde o tr\u00e1fego local intensifica o fluxo de ve\u00edculos, tamb\u00e9m aparecem no mapa vermelho. Al\u00e9m disso, segmentos com inclina\u00e7\u00e3o acentuada dificultam a frenagem e reduzem a visibilidade dos animais na pista. O motorista v\u00ea tarde demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo ainda calculou que o tempo m\u00e9dio de perman\u00eancia das carca\u00e7as na pista \u00e9 de 9,05 dias. Esse dado ajuda a estimar as taxas reais de mortalidade e compreender a din\u00e2mica dos atropelamentos no local. Afinal, nem toda carca\u00e7a fica vis\u00edvel tempo suficiente para ser contabilizada.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O problema extrapola o trecho monitorado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;O atropelamento pode ser uma das principais causas de mortalidade de fauna silvestre em \u00e1reas urbanas com presen\u00e7a de fragmentos verdes&#8221;<\/em>, explica o docente Fernando de Camargo Passos, coordenador do Olha o Bicho. Em Curitiba, a proximidade entre vias de tr\u00e1fego intenso e \u00e1reas naturais amplia o alcance do problema. O trecho estudado representa apenas uma fra\u00e7\u00e3o da malha urbana. A cidade inteira convive com esse impasse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passos refor\u00e7a que o diagn\u00f3stico cont\u00ednuo e o engajamento da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para enfrentar a quest\u00e3o. Por isso, al\u00e9m de monitorar estradas, o projeto atua na mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Postagens nas redes sociais, rodas de conversa, distribui\u00e7\u00e3o de folders e canais abertos via Instagram e WhatsApp conectam moradores aos dados cient\u00edficos. Quem encontra uma carca\u00e7a ou identifica \u00e1rea de risco pode notificar a equipe pelo WhatsApp (41) 98883-1876.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Solu\u00e7\u00f5es existem, falta vontade pol\u00edtica<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com os dados em m\u00e3os, \u00e9 poss\u00edvel pensar interven\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas. Passarelas a\u00e9reas ou subterr\u00e2neas para animais, cercamentos direcionadores, redutores de velocidade e sinaliza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica funcionam. A Ecologia de Estradas, campo estruturado desde os anos 1970 no hemisf\u00e9rio Norte, j\u00e1 testou essas medidas em larga escala. O conhecimento est\u00e1 dispon\u00edvel. Falta aplic\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, o Olha o Bicho expandiu o monitoramento para um trajeto de 5,9 quil\u00f4metros na estrada de acesso ao Zool\u00f3gico Municipal de Curitiba, no bairro Alto Boqueir\u00e3o. A expectativa \u00e9 mapear novos pontos cr\u00edticos e pressionar por mudan\u00e7as estruturais. Porque fragmentar habitats tem consequ\u00eancias. E o asfalto n\u00e3o deveria ser senten\u00e7a de morte para quem s\u00f3 precisa atravessar a rua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte: ciencia.ufpr.br<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monitoramento da UFPR identificou pontos cr\u00edticos de atropelamento e revelou que anf\u00edbios representam 38% das v\u00edtimas no entorno do Parque Tingui<\/p>\n","protected":false},"author":990012,"featured_media":32277,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[708],"tags":[],"ppma_author":[395],"class_list":["post-34143","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-eco-clima-sustentabilidade","author-mel-maria"],"authors":[{"term_id":395,"user_id":990012,"is_guest":0,"slug":"mel-maria","display_name":"Mel Maria","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/50961e0508195fe342670c9ee218e6ab1b2463b7a360c03c14a381ba6a4ca049?s=96&d=mm&r=g","author_category":"2","first_name":"","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":"<b>Mel Maria<\/b> \u00e9 uma <b>jardineira e empreendedora<\/b> com mais de <b>10 anos de experi\u00eancia<\/b> no cultivo e com\u00e9rcio de plantas em <b>Curitiba<\/b>. 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