{"id":34336,"date":"2026-03-09T10:49:13","date_gmt":"2026-03-09T13:49:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34336"},"modified":"2026-06-07T18:33:37","modified_gmt":"2026-06-07T21:33:37","slug":"elas-do-campo-a-mesa-conheca-a-historia-de-mulheres-que-alimentam-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/elas-do-campo-a-mesa-conheca-a-historia-de-mulheres-que-alimentam-o-brasil\/","title":{"rendered":"\u201dElas do campo \u00e0 mesa\u201d: conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de mulheres que alimentam o Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trajeto que o alimento percorre at\u00e9 chegar ao prato dos brasileiros n\u00e3o \u00e9 feito apenas de terra, rodovias e silos. Ele \u00e9 constru\u00eddo, fundamentalmente, pelas m\u00e3os de milh\u00f5es de mulheres. O peso dessa for\u00e7a de trabalho \u00e9 t\u00e3o expressivo que, segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), as mulheres rurais contribuem com 42,4% do rendimento familiar. Com o prop\u00f3sito de revelar os rostos por tr\u00e1s desse imenso esfor\u00e7o di\u00e1rio das profissionais que garantem a comida na mesa da popula\u00e7\u00e3o, a campanha &#8220;Elas do Campo \u00e0 Mesa: onde h\u00e1 alimento, h\u00e1 trabalho de mulheres&#8221; viaja pelas cinco regi\u00f5es do Brasil. Realizada no contexto do projeto de moderniza\u00e7\u00e3o e reforma das unidades armazenadoras da Conab, em parceria com a Itaipu Binacional, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Servi\u00e7os e Projetos (UNOPS) a iniciativa apresenta diferentes realidades para valorizar a atua\u00e7\u00e3o feminina em cada etapa da cadeia de abastecimento, provando que a soberania e seguran\u00e7a alimentar e nutricional tem rosto e voz de mulheres.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0A campanha tem como ponto de partida a rota do alimento atrav\u00e9s das hist\u00f3rias de sete mulheres fundamentais para o setor. A jornada come\u00e7a na origem de tudo: a terra. Em Z\u00e9 Doca, no interior do Maranh\u00e3o, Eronildes Souza da Silva e Maria Rita Souza da Silva transformam a riqueza dos coqueiros em sustento. Quebradeiras de coco baba\u00e7u que conhecem o of\u00edcio desde a inf\u00e2ncia, Eronildes come\u00e7ou a trabalhar aos 10 anos e Maria Rita, aos 12 anos.<br>O trabalho na quebra do coco baba\u00e7u se soma aos cuidados invis\u00edveis com a casa e os filhos, o que refor\u00e7a a urg\u00eancia de reconhecimento, como pontua Eronildes. O peso dessa dupla jornada \u00e9 confirmado pelo relat\u00f3rio global de 2023 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), que aponta que as mulheres dedicam, em m\u00e9dia, pelo menos tr\u00eas vezes mais tempo do que os homens ao trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado e aos afazeres dom\u00e9sticos. Apesar dessa sobrecarga, o compromisso permanece, como resume Maria Rita com a sabedoria de quem vive do solo: &#8220;Agricultura \u00e9 vida e aqui n\u00f3s estamos inseridos&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o alimento sai da lavoura, ele precisa ser preservado com excel\u00eancia, e \u00e9 a\u00ed que o cuidado feminino tamb\u00e9m est\u00e1 presente na armazenagem. Na Unidade Armazenadora da Conab em Ponta Grossa, no Paran\u00e1, quem garante esse fluxo vital \u00e9 Juliana Aparecida Schneider de Oliveira. Com 11 anos de Companhia, Juliana j\u00e1 atuou na classifica\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os e hoje opera o Sistema Aplicado \u00e0 Armazenagem de Gr\u00e3os (Saagra), sistema que controla a entrada e sa\u00edda das notas fiscais. Em um setor operacional historicamente gerido por homens, ela nota que as mulheres trazem n\u00e3o apenas uma melhoria nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, mas tamb\u00e9m uma organiza\u00e7\u00e3o \u00edmpar e agilidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua trajet\u00f3ria tamb\u00e9m evidencia a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o estrutural. Juliana lembra de quando dividia o banheiro com os colegas e da falta de estrutura para motoristas mulheres. Para transformar essa realidade, o setor de G\u00eanero, Diversidade e Inclus\u00e3o (GDI) do UNOPS realizou uma pesquisa para entender as demandas dos usu\u00e1rios das Unidades Armazenadoras (UA) da Conab. Como resultado desta escuta, a solicita\u00e7\u00e3o por espa\u00e7os adequados para o p\u00fablico feminino ser\u00e1 atendida na fase 2 do projeto de reforma e moderniza\u00e7\u00e3o da UA Ponta Grossa, um cen\u00e1rio que agora come\u00e7a a mudar com os projetos de infraestrutura inclusiva do UNOPS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a diretora-executiva Financeira, Administrativa e de Fiscaliza\u00e7\u00e3o da Conab, Rosa Neide Sandes, \u00e9 preciso colocar esse pauta em debate para que as mulheres que trabalham no abastecimento alimentar brasileiro ganhem visibilidade e, com isso, possam obter mais conquistas rumo \u00e0 igualdade entre homens e mulheres. <em>\u201cQuando falamos de alimento chegando \u00e0 mesa dos brasileiros, estamos falando tamb\u00e9m da for\u00e7a, da organiza\u00e7\u00e3o e da persist\u00eancia de milh\u00f5es de mulheres que sustentam essa cadeia todos os dias. Tornar esse trabalho vis\u00edvel \u00e9 um passo fundamental para avan\u00e7armos \u00a0no sentido da equidade. Mas \u00e9 igualmente fundamental que essas mulheres tamb\u00e9m ocupem espa\u00e7os de decis\u00e3o e gest\u00e3o nas institui\u00e7\u00f5es e nas empresas do setor. Ampliar essa presen\u00e7a significa trazer mais diversidade de olhares, fortalecer pol\u00edticas p\u00fablicas e reconhecer, na pr\u00e1tica, o protagonismo feminino em toda a cadeia produtiva de alimentos\u201d<\/em>, declarou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que o alimento saia dos silos e atravesse o pa\u00eds, o trajeto exige asfalto e resist\u00eancia. \u00c9 nessa etapa que a estrada se torna o escrit\u00f3rio de mulheres como Elisiane de Barros, de Mallet (PR), e Regiane Oliveira, de Sarandi (PR). Com o p\u00e9 no acelerador de seus caminh\u00f5es graneleiros, elas s\u00e3o apenas uma parcela das mais de 32 mil mulheres na profiss\u00e3o, n\u00famero que cresceu 58% na \u00faltima d\u00e9cada, segundo dados do Minist\u00e9rio dos Transportes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com 26 anos e h\u00e1 sete meses vivendo nas rodovias, Elisiane descreve a profiss\u00e3o como um misto de &#8220;liberdade com responsabilidade&#8221;. No entanto, ela e suas colegas superam obst\u00e1culos di\u00e1rios. Al\u00e9m da inseguran\u00e7a, Elisiane aponta a falta de infraestrutura b\u00e1sica, como banheiros limpos e seguros, como um dos piores desafios enfrentados pelas mulheres na estrada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Regiane o preconceito \u00e9 outro desafio enfrentado diariamente por ela e outras mulheres na profiss\u00e3o. Ap\u00f3s realizar o sonho da juventude de casar e ser m\u00e3e, ela foi incentivada pelo pai caminhoneiro a assumir o volante. Trabalhando h\u00e1 sete meses na \u00e1rea, Regiane relata epis\u00f3dios de invisibilidade no setor log\u00edstico. Ao chegar para descarregar em terminais, \u00e9 comum ser olhada com estranheza ou ser confundida com a esposa de algum motorista, j\u00e1 que as estruturas e as equipes muitas vezes n\u00e3o est\u00e3o preparadas para a presen\u00e7a de uma profissional feminina. &#8220;J\u00e1 passou da hora de quebrar esse tabu&#8221;, alerta Regiane.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fim de toda essa longa jornada \u00e9 quando, finalmente, o alimento chega no prato. Em Santa Rosa do Piau\u00ed (PI), a hist\u00f3ria de Francisca Idelvane Muniz comprova como o apoio \u00e0 agricultura familiar muda realidades. Moradora da zona rural, ela \u00e9 benefici\u00e1ria do Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos (PAA) da Conab desde 2013. Francisca representa apenas uma das 490 mil fam\u00edlias que o programa apoiou somente entre 2023 e 2024. Semanalmente, ela recebe hortali\u00e7as, legumes e prote\u00ednas animais livres de agrot\u00f3xicos para alimentar o marido e as duas filhas. Na casa de Francisca, com a refei\u00e7\u00e3o preparada, encerra um ciclo de supera\u00e7\u00e3o e solidariedade que combate a fome e move o pa\u00eds. Para ela, o grande diferencial est\u00e1 na origem de seu sustento. &#8220;Posso garantir a seguran\u00e7a alimentar e nutricional da minha fam\u00edlia pelo fato de ser produto de qualidade, principalmente porque \u00e9 produzido pela mulher&#8221;, ressalta. Seu relato \u00e9 a prova final de que, do campo \u00e0 mesa, a seguran\u00e7a alimentar e nutricional do Brasil \u00e9, essencialmente, constru\u00edda por mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fonte: CONAB<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Campanha da Conab e UNOPS\/ONU busca visibilizar o trabalho feminino em todos os setores da cadeia de abastecimento alimentar\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":990012,"featured_media":32624,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[707],"tags":[],"ppma_author":[395],"class_list":["post-34336","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro-do-futuro-inovacao","author-mel-maria"],"authors":[{"term_id":395,"user_id":990012,"is_guest":0,"slug":"mel-maria","display_name":"Mel Maria","avatar_url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/50961e0508195fe342670c9ee218e6ab1b2463b7a360c03c14a381ba6a4ca049?s=96&d=mm&r=g","author_category":"2","first_name":"","last_name":"","user_url":"","job_title":"","description":"<b>Mel Maria<\/b> \u00e9 uma <b>jardineira e empreendedora<\/b> com mais de <b>10 anos de experi\u00eancia<\/b> no cultivo e com\u00e9rcio de plantas em <b>Curitiba<\/b>. 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