{"id":34690,"date":"2026-03-31T15:53:54","date_gmt":"2026-03-31T18:53:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34690"},"modified":"2026-06-07T18:24:40","modified_gmt":"2026-06-07T21:24:40","slug":"triangulo-mineiro-lanca-cinturao-sanitario-contra-o-greening-antes-que-a-doenca-destrua-o-segundo-maior-polo-citricola-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/triangulo-mineiro-lanca-cinturao-sanitario-contra-o-greening-antes-que-a-doenca-destrua-o-segundo-maior-polo-citricola-do-pais\/","title":{"rendered":"Tri\u00e2ngulo Mineiro lan\u00e7a cintur\u00e3o sanit\u00e1rio contra o greening antes que a doen\u00e7a destrua o segundo maior polo citr\u00edcola do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minas Gerais deu um passo estrat\u00e9gico para conter o greening antes que ele chegue com for\u00e7a aos seus pomares. Produtores do Tri\u00e2ngulo Mineiro, Alto Parana\u00edba e noroeste do estado lan\u00e7aram o projeto Cintur\u00e3o Antigreening, iniciativa coordenada pelo Sistema Faemg Senar em parceria com sindicatos rurais da regi\u00e3o, com o objetivo de proteger uma \u00e1rea superior a 150 mil km\u00b2 \u2014 territ\u00f3rio que concentra cerca de 50% de toda a produ\u00e7\u00e3o citr\u00edcola mineira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha do momento n\u00e3o \u00e9 casual. Minas Gerais ocupa hoje a segunda posi\u00e7\u00e3o nacional na produ\u00e7\u00e3o de laranja, lim\u00e3o e tangerina, de acordo com o IBGE, e a \u00e1rea cultivada cresceu cerca de 6% nos \u00faltimos cinco anos. Quanto maior a produ\u00e7\u00e3o, maior a exposi\u00e7\u00e3o ao risco. O estado cresce, investe e planta \u2014 e \u00e9 exatamente por isso que a prote\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria se tornou urgente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O inimigo que n\u00e3o tem cura<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O greening, tamb\u00e9m chamado de huanglongbing (HLB), \u00e9 causado por uma bact\u00e9ria transmitida pelo psil\u00eddeo (<em>Diaphorina citri<\/em>), inseto altamente m\u00f3vel e capaz de percorrer longas dist\u00e2ncias com facilidade. O que torna a doen\u00e7a ainda mais cr\u00edtica \u00e9 a aus\u00eancia de tratamento: plantas infectadas n\u00e3o se recuperam. Consequentemente, o \u00fanico caminho vi\u00e1vel \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o, e o cintur\u00e3o mineiro foi estruturado exatamente com essa premissa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia \u00e9 direta. O projeto envolve elimina\u00e7\u00e3o de plantas hospedeiras do psil\u00eddeo transmissor, monitoramento cont\u00ednuo das lavouras e resposta r\u00e1pida a eventuais focos identificados. N\u00e3o se trata de uma campanha isolada, mas de um sistema coordenado de vigil\u00e2ncia que conecta produtores, sindicatos rurais e o aparato t\u00e9cnico do Sistema Faemg Senar em torno de um objetivo comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Osny Zago, presidente do N\u00facleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Tri\u00e2ngulo Mineiro e Alto Parana\u00edba, a l\u00f3gica \u00e9 simples e direta: <em>&#8220;Esse cintur\u00e3o vai proteger uma grande \u00e1rea produtiva e trazer mais seguran\u00e7a para os investimentos&#8221;<\/em>, afirma. A barreira sanit\u00e1ria, na vis\u00e3o do representante, n\u00e3o serve apenas ao agricultor individual \u2014 ela protege toda a cadeia econ\u00f4mica da citricultura regional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Legisla\u00e7\u00e3o municipal como primeira linha de defesa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns munic\u00edpios n\u00e3o esperaram o avan\u00e7o da iniciativa estadual e j\u00e1 sa\u00edram na frente com medidas legislativas. Arax\u00e1, Sacramento e Ibi\u00e1 aprovaram leis que pro\u00edbem o plantio da murta, planta ornamental que funciona como hospedeira do psil\u00eddeo e facilita sua prolifera\u00e7\u00e3o nas proximidades dos pomares. A medida parece simples, mas seu impacto sanit\u00e1rio \u00e9 relevante: reduz a presen\u00e7a do inseto em \u00e1reas urbanas e periurbanas, diminuindo o risco de contamina\u00e7\u00e3o nas propriedades rurais adjacentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expectativa agora \u00e9 ampliar essa legisla\u00e7\u00e3o para outros munic\u00edpios da regi\u00e3o, consolidando um modelo replic\u00e1vel que coloca Minas Gerais como refer\u00eancia nacional em preven\u00e7\u00e3o ao greening. <em>&#8220;\u00c9 uma legisla\u00e7\u00e3o simples, mas com grande impacto para o setor&#8221;<\/em>, destaca Osmar Gon\u00e7alves, presidente do Sindicato Rural de Arax\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que aconteceu onde a preven\u00e7\u00e3o falhou<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros de outros estados e pa\u00edses funcionam como um alerta direto para o que Minas Gerais tenta evitar. Na Fl\u00f3rida, considerada refer\u00eancia mundial na produ\u00e7\u00e3o de suco de laranja, o greening gera preju\u00edzos estimados em US$ 1 bilh\u00e3o por ano e reduziu a produtividade local em at\u00e9 30%, obrigando o estado americano a importar mat\u00e9ria-prima para manter sua ind\u00fastria funcionando. No Brasil, S\u00e3o Paulo, Bahia e Sergipe j\u00e1 enfrentam perdas severas decorrentes do avan\u00e7o da doen\u00e7a \u2014 e os dados mais recentes do Fundecitrus mostram que, em 2025, houve aumento de 7,4% na incid\u00eancia do HLB na regi\u00e3o que inclui S\u00e3o Paulo e parte do territ\u00f3rio mineiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tri\u00e2ngulo Mineiro ainda apresenta n\u00edveis de incid\u00eancia mais baixos que essas regi\u00f5es. Por\u00e9m, essa janela de controle n\u00e3o ficar\u00e1 aberta indefinidamente, e o setor mineiro sabe disso. <em>&#8220;Tr\u00eas de cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo s\u00e3o produzidos no Brasil. O desafio sanit\u00e1rio \u00e9 enorme&#8221;<\/em>, destaca Mariana Marotta, analista do Sistema Faemg Senar, refor\u00e7ando a dimens\u00e3o do que est\u00e1 em jogo al\u00e9m das fronteiras estaduais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Produtor investe e aposta no cintur\u00e3o como prote\u00e7\u00e3o do capital<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O avan\u00e7o da doen\u00e7a n\u00e3o freou os investimentos no setor. O produtor Franco Cruz Carvalho implantou 250 hectares de laranja em Ibi\u00e1 e projeta alcan\u00e7ar produtividade de at\u00e9 1.200 caixas por hectare a partir do pr\u00f3ximo ciclo. Para ele, o Cintur\u00e3o Antigreening n\u00e3o \u00e9 apenas uma pol\u00edtica p\u00fablica \u2014 \u00e9 parte do c\u00e1lculo econ\u00f4mico da propriedade. <em>&#8220;A iniciativa \u00e9 fundamental para levar informa\u00e7\u00e3o e evitar que enfrentemos os mesmos problemas de outras regi\u00f5es&#8221;<\/em>, afirma o produtor, que enxerga na barreira sanit\u00e1ria uma prote\u00e7\u00e3o direta sobre o capital investido nos novos pomares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse comportamento reflete uma tend\u00eancia crescente no setor: produtores que investem em escala precisam, necessariamente, de um ambiente sanit\u00e1rio est\u00e1vel. Sem controle do greening, o retorno financeiro de novos plantios fica comprometido desde o in\u00edcio. O cintur\u00e3o, nesse sentido, funciona tanto como ferramenta agron\u00f4mica quanto como instrumento de viabilidade econ\u00f4mica para a citricultura mineira nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minas Gerais deu um passo estrat\u00e9gico para conter o greening antes que ele chegue com for\u00e7a aos seus pomares. 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Como propriet\u00e1ria da renomada <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/floriculturamelgarden\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b>Mel Garden<\/b><\/a>, ela transformou sua paix\u00e3o em uma autoridade local, especializando-se em <b>flores, suculentas e projetos de paisagismo<\/b>, \u00e1rea na qual atua diariamente.\r\nSua escrita compartilha o conhecimento adquirido em campo, oferecendo orienta\u00e7\u00f5es detalhadas e <b>altamente confi\u00e1veis<\/b> para o cultivo e o paisagismo."}],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/990012"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34690"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34690\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34692,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34690\/revisions\/34692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34690"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/wp-json\/wp\/v2\/ppma_author?post=34690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}