{"id":34701,"date":"2026-04-01T09:28:32","date_gmt":"2026-04-01T12:28:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agronamidia.com.br\/?p=34701"},"modified":"2026-06-07T18:24:06","modified_gmt":"2026-06-07T21:24:06","slug":"temporada-do-pinhao-abre-com-safra-reduzida-no-rs-e-familias-extrativistas-sentem-o-impacto-direto-na-renda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ellasmagazine.com.br\/natureza-eco\/temporada-do-pinhao-abre-com-safra-reduzida-no-rs-e-familias-extrativistas-sentem-o-impacto-direto-na-renda\/","title":{"rendered":"Temporada do pinh\u00e3o abre com safra reduzida no RS e fam\u00edlias extrativistas sentem o impacto direto na renda"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A temporada do pinh\u00e3o come\u00e7a oficialmente nesta quarta-feira (1\u00ba\/04) no Rio Grande do Sul, conforme determina a Lei Estadual n\u00ba 15.915\/2022, que regula a colheita, o transporte, a comercializa\u00e7\u00e3o e o armazenamento da semente. Na Serra Ga\u00facha, principal polo produtor do Estado, a Emater\/RS-Ascar projeta uma safra menor do que a registrada no ano passado \u2014 e os pre\u00e7os ao consumidor j\u00e1 refletem essa escassez, chegando a R$ 15,00 o quilo nos pontos de venda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uniforme. Os percentuais variam entre 12,5% e 60% dependendo do munic\u00edpio, e o principal fator por tr\u00e1s desse desempenho est\u00e1 fora do controle do extrativista: o clima. Secas recorrentes nos \u00faltimos anos combinadas com chuvas concentradas no final do inverno e in\u00edcio da primavera comprometeram o per\u00edodo de reprodu\u00e7\u00e3o e desenvolvimento do pinh\u00e3o. Soma-se a isso a altern\u00e2ncia produtiva natural da esp\u00e9cie, que apresenta oscila\u00e7\u00f5es c\u00edclicas de produtividade a cada tr\u00eas anos aproximadamente.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;A redu\u00e7\u00e3o na safra se deve principalmente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas durante o per\u00edodo de reprodu\u00e7\u00e3o e crescimento do pinh\u00e3o. As oscila\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o da Arauc\u00e1ria angustif\u00f3lia s\u00e3o c\u00edclicas. Como planta nativa, a esp\u00e9cie apresenta varia\u00e7\u00f5es de produtividade, em m\u00e9dia, a cada tr\u00eas anos&#8221;<\/em>, explica Adelaide Juvena Kegler Ramos, engenheira florestal da Emater\/RS-Ascar Regional de Caxias do Sul.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Lei protege esp\u00e9cie amea\u00e7ada e organiza a cadeia produtiva<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A legisla\u00e7\u00e3o que regula o calend\u00e1rio do pinh\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma formalidade burocr\u00e1tica. A Arauc\u00e1ria angustif\u00f3lia \u00e9 uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, e o marco legal foi constru\u00eddo justamente para conciliar dois objetivos: garantir a prote\u00e7\u00e3o da \u00e1rvore e da fauna associada a ela, e assegurar a gera\u00e7\u00e3o de renda para as fam\u00edlias que dependem do extrativismo. Durante os meses de abril, maio e junho, o corte da arauc\u00e1ria nativa tamb\u00e9m \u00e9 vedado por lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adelaide refor\u00e7a que a coleta controlada \u00e9 o caminho para manter esse equil\u00edbrio ao longo do tempo. <em>&#8220;As estimativas, baseadas nos estudos realizados pelos extensionistas em campo, com os extrativistas e entidades relacionadas \u00e0 atividade, apresentam varia\u00e7\u00f5es significativas entre os munic\u00edpios. Por isso, \u00e9 essencial aferir a informa\u00e7\u00e3o com o avan\u00e7o na colheita&#8221;<\/em>, orienta a engenheira florestal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Campos de Cima da Serra: queda expressiva nos maiores produtores<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o Francisco de Paula \u00e9, em safras normais, um dos maiores produtores do Estado, com produ\u00e7\u00e3o anual estimada em 120 toneladas. Neste ano, a previs\u00e3o caiu para cerca de 40 toneladas \u2014 uma redu\u00e7\u00e3o superior a 60%. As aproximadamente 160 fam\u00edlias da agricultura familiar envolvidas na atividade no munic\u00edpio sentem diretamente esse impacto na composi\u00e7\u00e3o da renda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos Cap\u00f5es e Jaquirana, munic\u00edpios com 70 e 160 fam\u00edlias envolvidas respectivamente, estimam produ\u00e7\u00e3o de 120 toneladas cada, o que representa queda de 20% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra anterior. Cambar\u00e1 do Sul projeta 36 toneladas \u2014 40% abaixo do registrado no ano passado \u2014, enquanto Bom Jesus prev\u00ea 35 toneladas com redu\u00e7\u00e3o de 30%, envolvendo 120 fam\u00edlias. S\u00e3o Jos\u00e9 dos Ausentes estima 30 toneladas e queda de 50% na produ\u00e7\u00e3o, com 90 fam\u00edlias na atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, nem todos os munic\u00edpios registram retra\u00e7\u00e3o. Caxias do Sul deve manter os \u00edndices da safra anterior, e Canela projeta crescimento de at\u00e9 100% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. Monte Alegre dos Campos, Pinhal da Serra, Esmeralda e Vacaria tamb\u00e9m se mant\u00eam como \u00e1reas relevantes de produ\u00e7\u00e3o. Em Gramado, Canela e Nova Petr\u00f3polis, o pinh\u00e3o integra a cadeia do turismo e movimenta a economia local durante o per\u00edodo da colheita \u2014 ainda que o volume produzido nessas localidades seja de dif\u00edcil mensura\u00e7\u00e3o, dado o car\u00e1ter predominantemente informal da atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que diz respeito ao estado fitossanit\u00e1rio, as variedades mais precoces da Serra j\u00e1 est\u00e3o em fase de matura\u00e7\u00e3o e debulha, ao passo que as mais tardias ainda se encontram em desenvolvimento. As pinhas e pinh\u00f5es apresentam boa sanidade, mas tamanho reduzido em rela\u00e7\u00e3o ao padr\u00e3o normal, consequ\u00eancia direta das estiagens prolongadas que afetaram a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Passo Fundo e Soledade iniciam safra com estabilidade<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o nas demais regi\u00f5es produtoras do Estado \u00e9 mais favor\u00e1vel. Na regi\u00e3o de Passo Fundo, a safra come\u00e7a com normalidade, pinhas e pinh\u00f5es bem formados, e produ\u00e7\u00e3o estimada em 130 toneladas. Barrac\u00e3o, Caseiros, Cap\u00e3o Bonito do Sul, Mato Castelhano, \u00c1gua Santa e Lagoa Vermelha lideram a produ\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea. Em maio, Barrac\u00e3o realiza a 12\u00aa Festa do Pinh\u00e3o e 13\u00aa Expofeira entre os dias 29 e 31, integrando as comemora\u00e7\u00f5es dos 62 anos de emancipa\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na regi\u00e3o de Soledade, cerca de 140 fam\u00edlias produtoras projetam colher 100 toneladas nesta safra, com produto j\u00e1 maduro dispon\u00edvel para a semana da P\u00e1scoa. Fontoura Xavier lidera a produ\u00e7\u00e3o regional, com previs\u00e3o de 50 toneladas colhidas por 70 fam\u00edlias. Al\u00e9m da comercializa\u00e7\u00e3o in natura, o munic\u00edpio mant\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o das tendas \u00e0 margem da BR-386, onde o pinh\u00e3o \u00e9 vendido cozido, agregando valor ao produto ainda no ponto de origem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8220;Esse tipo de comercializa\u00e7\u00e3o tem grande import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica para o munic\u00edpio&#8221;<\/em>, avalia Vivairo Zago, extensionista e engenheiro agr\u00f4nomo da Emater\/RS-Ascar em Soledade. Para ele, a safra regional deste ano deve seguir um ritmo equilibrado: <em>&#8220;Dever\u00e1 ser como a do ano passado, nem com excesso de produ\u00e7\u00e3o, nem com alta ou baixa produtividade, mas uma safra normal&#8221;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passa Sete, segundo maior produtor da regi\u00e3o, projeta 12 toneladas por 20 fam\u00edlias. Os munic\u00edpios de Boqueir\u00e3o do Le\u00e3o, Gramado Xavier, S\u00e3o Jos\u00e9 do Herval, Santa Cruz do Sul, Vale do Sol, Herveiras e Barros Cassal somam outros 45 produtores com previs\u00e3o de 35 toneladas adicionais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pre\u00e7o sobe e cadeia segue informal<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a oferta menor na Serra, os pre\u00e7os j\u00e1 pressionam para cima. O quilo do pinh\u00e3o ao produtor parte de R$ 5,00 quando entregue a intermedi\u00e1rios e pode chegar a R$ 16,00 em supermercados e feiras. O beneficiamento do produto \u2014 na forma de pinh\u00e3o mo\u00eddo ou pa\u00e7oca \u2014 eleva a cota\u00e7\u00e3o para R$ 20,00 ou R$ 30,00 o quilo, abrindo uma alternativa real de valoriza\u00e7\u00e3o para quem consegue agregar processamento \u00e0 cadeia. Na regi\u00e3o de Soledade, o pre\u00e7o ao produtor oscila entre R$ 6,00 e R$ 8,00 o quilo, enquanto o consumidor paga entre R$ 12,00 e R$ 15,00.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O piso m\u00ednimo pago ao extrativista neste ano est\u00e1 fixado em R$ 4,63\/kg, conforme a Portaria MAPA n\u00ba 868, de 1\u00ba\/12\/2025. Toda a colheita \u00e9 manual e a cadeia ainda carece de iniciativas estruturadas de beneficiamento, industrializa\u00e7\u00e3o e armazenamento. A comercializa\u00e7\u00e3o se concentra no per\u00edodo de abril a junho, podendo se estender at\u00e9 agosto nas regi\u00f5es com variedades tardias, como a conhecida localmente como &#8220;macaco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zago resume bem o perfil de quem sustenta essa cadeia: <em>&#8220;Muitos produtores s\u00f3 fazem coleta, j\u00e1 outros t\u00eam \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, mas a grande maioria aproveita essa ocasi\u00e3o para ganhar um dinheiro extra. S\u00e3o fam\u00edlias que t\u00eam outras atividades ao longo do ano&#8221;<\/em>. O fator cultural tamb\u00e9m pesa. Segundo o agr\u00f4nomo, o consumo est\u00e1 diretamente ligado \u00e0s temperaturas: <em>&#8220;O frio \u00e9 um est\u00edmulo para consumirmos pinh\u00e3o&#8221;<\/em> \u2014 e com o inverno ainda \u00e0 frente, a demanda deve sustentar os pre\u00e7os ao longo da temporada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A temporada do pinh\u00e3o come\u00e7a oficialmente nesta quarta-feira (1\u00ba\/04) no Rio Grande do Sul, conforme determina a Lei Estadual n\u00ba 15.915\/2022, que regula a colheita, o transporte, a comercializa\u00e7\u00e3o e o armazenamento da semente. 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